Bem-vinda,
Querida mulher.
O meu nome é Sofia e acompanho mulheres na gravidez parto e pós-parto.
Peço-te que encontres uma posição que seja possível para ti agora.
Não precisa de ser perfeita.
Podes estar sentada,
Deitada,
Encostada a almofadas ou com o bebê ao colo,
Se for isso que a vida te permite neste momento.
Se te for confortável,
Deixa os olhos fechar.
Ou então,
Mantenha o olhar suave,
Pousado num ponto à tua frente.
Não há nada específico que precisas de fazer agora.
Não há uma forma certa de estar aqui.
Repara apenas que estás aqui.
Neste momento.
O pós-parto não é apenas o tempo depois do nascimento do bebê.
É também um tempo em que o teu corpo continua a trabalhar.
A recuperar,
A adaptar-se,
A alimentar,
A cicatrizar,
A reorganizar-se.
Talvez seja útil lembrar isto,
Sobretudo nos dias em que parece que devias já estar a fazer mais,
Ou a ser como eras antes.
Tu não estás atrasada.
O teu corpo não parou de fazer uma travessia enorme só porque o parto terminou.
Leva atenção à tua respiração.
Não precisas de a mudar.
Para a pernas no ar entrar.
E no ar a sair.
Talvez sintas um movimento no peito.
Talvez na barriga.
Talvez não sintas grande coisa.
E isso também está bem.
Acaba a expiração.
Imagina que podes pousar um pouco do peso que tens carregado.
Não tudo,
Não é preciso tudo.
Apenas um pouco.
Se for possível,
Coloque uma mão no peito e outra na barriga.
A uma mão onde o teu corpo mais pedir apoio neste momento.
Sinta o contacto das tuas próprias mãos.
A barriga que sentes agora não é um sinal de que o teu corpo falhou em voltar depressa a algum lugar.
Durante a gravidez,
O outro cresceu muito para dar espaço ao bebê,
À placenta e ao líquido amniótico.
Depois do nascimento,
Começa gradualmente a contrair-se e a diminuir.
É um processo que decorre ao longo de semanas.
Talvez fintas cólicas ou uma sensação de aperto.
Algumas mulheres sentem nas mães quando amamentam,
Porque a oxitocina produzida também ajuda o útero a contrair-se.
Essas sensações podem ser desconfortáveis.
Não precisas de gostar delas para reconheceres que o teu corpo está ainda em trabalho.
Ele ainda está a fazer trabalho.
Também podem existir perdas de sangue,
Chamadas lóquias.
Acontecem depois de um parto vaginal e depois de uma cesariana.
Porque existe uma área dentro do útero a cicatrizar aquele local onde a placenta estava ligada.
Ao longo dos dias e semanas,
É habitual que estas perdas mudem de cor e se tornem progressivamente menos intensas.
Agora volta a sentir o apoio por baixo do teu corpo.
Talvez a cadeira ou a cama,
O sofá ou o chão.
Deixa que esse apoio te recorde.
Não precisas de sustentar tudo sozinha.
Não precisas de sustentar tudo sozinha.
Depois do nascimento,
Os níveis de algumas hormonas da gravidez descem rapidamente.
Ao mesmo tempo,
O sono muda,
A rotina muda,
As necessidades do bebê são frequentes e a experiência do parto pode ainda estar muito presente.
E tudo isto pode influenciar a forma como te sentes no corpo e nas emoções.
Não significa que haja algo de errado contigo.
Leva agora a atenção aos ombros.
Talvez eu esteja a carregar muitas coisas.
Alimentações,
Ecolo,
Decisões,
Listas mentais,
Preocupações,
Expectativas.
Não têm de deixar de carregar tudo de uma vez.
Mas talvez possam baixar um milímetro.
Repara no maxilar.
Talvez esteja apertado.
Deixe-o descer ligeiramente.
Repara nas mãos,
Nos braços,
No peito.
Se estás a amamentar ou a extrair leite,
O teu peito pode estar a adaptar-se a uma procura nova e variável.
Pode haver maior sensibilidade,
Plenitude,
Sede ou cansaço.
E se não amamentas,
Ou se a amamentação não está a decorrer como desejavas,
O teu corpo também está a adaptar-se.
Não há uma única experiência de pós-parto.
Não há uma única forma certa de alimentar um bebê.
E não precisas de justificar a forma como cuidas de ti e da tua família.
Para na barriga e na bacia.
Os músculos abdominais,
O pavimento pélvico,
Os ligamentos e outros tecidos adaptaram-se durante a gravidez e,
Para algumas mulheres,
Também ao trabalho de parto e ao nascimento.
É natural que o corpo se sinta diferente.
Não tens de recuperar a tua força de uma forma apressada.
Não tens de fechar a barriga.
Não tens de voltar depressa ao exercício,
Ao trabalho,
À vida social ou ao ritmo que tinhas antes.
O teu corpo não é um projeto para consertar.
É um corpo em recuperação e em adaptação.
Talvez haja uma parte de ti que diga.
Mas eu devia conseguir mais.
Antes eu fazia tudo.
Por que agora isto parece tão difícil?
Repara-se assim como aparece.
Não é preciso discutir com ela.
Também não é preciso acreditar em tudo o que ela diz.
Podes responder-lhe com gentileza.
O meu corpo ainda está a passar por muita coisa.
Vamos ajustar as expectativas ao momento em que estou assim.
E perguntar a ti própria,
Com curiosidade e sem exigência.
De que preciso neste momento.
Talvez a resposta seja água,
Comida,
Silêncio,
Um banho,
Dormir quando for possível,
Pedir que alguém segure o bebê enquanto respiras,
Chorar.
Sair um pouco de casa Falar com alguém Ou talvez não surja ainda resposta nenhuma.
Não há problema.
Não é preciso resolver a vida inteira.
Só reparar no próximo gesto possível de cuidado.
Volta à respiração.
Ao inspirar,
Recebe este momento como ele é.
Ao expirar,
Dá a ti própria um pouco mais de espaço.
Inspira e diz a ti mesma,
O meu corpo continua a adaptar-se.
Inspira e diz a ti mesma,
Não preciso de fazer tudo hoje.
Vamos repetir.
Inspira.
O meu corpo continua a adaptar-se.
Inspira.
Não precisa de fazer tudo hoje.
Só mais uma vez.
Inspira.
O meu corpo continua a adaptar-se.
E expira,
Não preciso de fazer tudo hoje.
Antes de terminares,
Lembra-te.
O pós-parto não é uma pausa curta entre quem eras e quem deves voltar a ser.
É uma fase real da tua vida,
Com necessidades próprias.
Tu mereces tempo.
Tu mereces apoio,
Tu mereces descanso,
Mesmo antes de sentires que o mereceste.
Agora,
Se sentis que algo está fora do virtual para ti,
Que aparece de forma repentina,
Se prolonga ou te preocupa,
Podes e deves procurar ajuda.
Está tudo bem em pedir apoio.
Mesmo que no final seja nada de grave.
Tinhas o direito de perguntar e de ser ouvida.
Não estás a exagerar,
Nem és maluca.
É preferível pedir ajuda quando afinal não era necessária do que esperar demasiado tempo.
Pedir ajuda também é em escutar-os.
Agora,
Comece a derregar,
A reparar novamente no espaço à tua volta.
Noções,
Um apoio por baixo do teu corpo.
No ar,
Na tua pele.
Começar a mover os dedos das mãos.
Vamos ver os pés.
E quando estiver pronta,
Abre os olhos ou levanta suavemente o olhar.
E leva contigo apenas isto.
Não preciso de voltar a ser quem era antes.
Posso cuidar de mim no próximo momento possível.
Fica bem e até breve.