Compreendemos que todas as fases da Sessão de Yoga,
A sintonização com o Homem,
O Asana,
O Pranayama,
São etapas,
Etapas que permitem a cada um de nós chegar a um portal,
A uma possibilidade de se ver de si mesmo,
De escutar de si mesmo,
Mais além daquilo que entende ser normal.
As pálpebras fechadas abrem-se ao natural em ti,
Faz uma respiração profunda soltando o ar pela boca,
Mais uma respiração profunda relaxando ainda mais o ambiente,
Mais uma respiração profunda e desta vez a rendição e disponibilidade a ser absolutas,
Livre de quaisquer condicionamentos.
E nesse espaço de presença de ti,
Para ti e em ti,
Observa tudo aquilo que te é mostrado.
Perceba que não é necessário ires à procura de coisa alguma,
Apenas o convite é estares disponível para perceberes,
Para veres.
Inclusive é a necessidade de ter que mexer,
De ver a sensação,
A necessidade que faz com que o corpo físico se louva.
Escolhes não reagir de imediato à necessidade,
Antes da vez.
Escolhes ficar no centro,
Garrada.
Uma vez que permaneces mais e mais nesse centro,
Tu percebes que dentes daquilo que te distraía vai perdendo poder sobre ti.
Tu escolhes escutar níveis cada vez mais profundos da experiência de ti em ti.
Como um viajante escolhe adentrar-se num caminho sagrado,
Fazendo uma peregrinação.
Tu escolhes regressar a ti,
Sem distrações.
E nessa viagem tu percebes algo que naturalmente surge a guiar-te,
A mostrar-te o caminho de volta à casa.
Tu vês a respiração a mostrar-te um corredor,
Um trilho,
No qual te percebes,
Passo a passo,
Internamente,
A percorrer.
Tu intuís em ti algo desde o qual a respiração se movimenta,
Sem esforço.
Tu percebes essa sensação de familiaridade,
De cada vez mais óbvia,
De casa.
Tu vive-a cada vez com mais intensidade,
Caminhando para dentro,
Escutando o chamado,
Sentindo-te cada vez mais e mais em casa.
E ao longo da experiência sentir atrás de ti a leveza que fica,
O descondicionamento de mundos,
De partes de ti.
À medida que tu escolhes aprofundar mais e mais,
Tu percebes como as tensões orgânicas ficam para trás.
Tu permites que todos os tecidos do corpo relaxem.
Tu retiras a tensão do corpo,
Escolhes levar a tensão para dentro,
Sentindo como a respiração te guia.
Notas os pés a relaxarem tombando cada um para o seu lado.
Tu respiras sentindo as pernas também elas a respirarem contigo.
A viagem.
Tu notas como a bacia se descondiciona e se rende completamente ao tapete.
Tu percebes como a zona dos rins se comprime,
Permitindo que os rins se aproximem ao chão,
Libertando o nível de exagerados de cortisol que provoca stress,
Ansiedade,
Impaciência.
Tu percebes como à volta do umbigo a respiração massaja essa parte do tronco.
O diafragma.
Tu vives a expansão do tórax.
Experiencia-la à medida que as clavículas se afastam.
As costelas se expandem,
Permitindo que a luz do coração aflore naturalmente no peito,
Iluminando o peito.
Uma luz que vem de casa.
Uma luz que transborda,
Que ilumina os ombros,
Relaxando os descentes musculares das orelhas aos ombros.
Uma luz que permite sentir as homoplatas em paz com o chão.
Uma leveza e disponibilidade que percorre os braços dos ombros às pontas dos dedos das mãos.
Percebemos as sensações que as mãos vivem neste momento.
Percebemos a forma como os dedos das mãos encontram a sua posição natural.
Observamos os dedos a permitirem-se viver o natural.
Assistimos à forma como o pescoço se relaxa e se ilumina.
Sentir a glândula de tiroide.
A receber essa luz que aflore de dentro,
Do coração.
Da tiroide à traqueia,
Traqueia à boca,
A sentir a luz iluminar a língua.
Sentir o ambiente da boca luminoso.
As palavras luminosas em harmonia com casa.
Assistimos à forma como os músculos do rosto relaxam,
Descansam em casa.
Os músculos à volta dos olhos expandem e sorriem.
Percebemos uma subtil pressão entre as sobrancelhas.
Focamos nessa pressão com atenção.
E percebemos como nesse ponto surge um ponto luminoso que se expande,
Se expande,
Iluminando a terra.
Um brilho que se expande pela raiz do cabelo.
Percebemos a transparência que somos neste momento.
E através dela percebemos a luz de casa a operar em nós.
Disponibilizá-mos para isso profundamente.