Bem-vindos a esta sessão.
Obrigada por escolherem partilhar este tempo comigo,
Por me darem o privilégio de vos guiar hoje.
Convido-vos então a adotar uma postura confortável para a nossa prática.
Sentados,
Deitados ou mesmo a pé.
Respeitamos o que o nosso corpo nos diz naturalmente.
E sabemos que podemos ir ajustando a nossa posição ao longo da prática.
Tentando apenas manter uma atitude desperta e presente.
Neste preciso momento no tempo,
Permitimos-nos dizer assim olá ao nosso corpo,
Observando,
Sentindo,
Intencionalmente,
A nossa respiração.
Um leve movimento do nosso peito,
Do nosso abdômen.
Como o ar viaja por cada parte de nós.
Como nos dá tudo e nos permite devolver também tudo em perfeito equilíbrio.
Deliberadamente,
Podemos fazer algumas respirações profundas agora,
Abrindo-nos cada vez mais a esta sensação a esta experiência.
À medida que nos reencontramos aqui e agora.
Reconhecemos esta comunhão,
A partilha destas palavras.
A forma como,
Mesmo à distância,
Cada um de nós,
Num seu espaço espalhado pelo mundo,
Nos encontramos,
Ao mesmo tempo,
Juntos neste planeta.
Sentimos este perfeito corpo que habitamos?
Celebramos até este veículo que nos permite atravessar esta experiência humana.
O fluir da vida a correr-nos pelas veias,
O habitar no nosso peito,
As células como que a expandir ao terem este tempo para existir.
Colocamos uma mão sobre o peito.
Sentimos este contacto.
Sinalizamos ao nosso corpo que estamos seguros.
E observamos o que surge,
Que sensações nos percorrem neste simples gesto.
Ao relembrarmos a intensidade desta experiência humana,
Tão individual quanto partilhada,
Permitimos que desponte em nós uma sensação de compaixão.
Da tal comunhão.
De como temos tanto em comum.
De como é muito mais o que nos une do que o que nos separa.
Estação após estação.
Ciclos após ciclos.
Vamos apercebendo-nos da inevitabilidade de dependermos uns dos outros.
Em diferentes situações,
Cada um de nós se confronta com a realidade de precisarmos e de sermos sempre melhores na união,
Nas pontes que estabelecemos,
Nas raízes que alimentamos,
Nas comunidades que cuidamos.
Somos seres sociáveis.
Seres naturais cujos laços e vínculos são irrefutáveis.
Eu sou porque nós somos.
Apesar do mundo que por vezes corre desenfriado e nos turva a visão do futuro,
Aqui,
Juntos,
Permitimos este espaço justo em que todos ocupamos um lugar.
Inato.
Livre.
Sem precisarmos de fazer nada por merecer.
E recordamos.
A partir do momento em que nascemos.
Navegamos todos e sobrevivemos apenas e unicamente.
O amor.
Por um vislumbre,
Uma luz do amor de quem nos cuida.
De quem nos alimenta O amor de quem nos ouve.
O nosso amor próprio.
O amor pela natureza que nos rodeia,
Pela tamanha beleza que quase nos atordoa.
Forna-se fácil reconhecer nos outros os nossos sonhos,
As nossas próprias fragilidades,
Dúvidas,
As nossas surpresas.
E honramos essa consciência.
Esta humildade que nos permite ver com clareza como é simples esta experiência humana.
A mera palavra a que tudo se resuma.
O sentimento imaterial que tudo comanda e se manifesta nas mais incríveis façanhas humanas.
O amor.
Inteiramente presentes neste momento.
Desde a ponta da nossa cabeça até aos nossos calcanhares,
Abrimos-nos a esta verdade e deixamos que nos percorra esta onda de amor.
Uma onda que nos faz vibrar com o poder que nos invada.
Ao invocarmos tudo o que associamos a amor.
Desde pessoas a animais.
Dos mais pequenos aos maiores.
Da natureza.
Desde a que vemos todos os dias,
À que sonhamos um dia testemunhar.
Aos objetos,
Aos conceitos.
A arte.
A música.
Como toda a realidade se simplifica,
Quando nos apercebemos do tanto que o amor informa,
De como tudo é avivado pelo sopro do amor.
Um amor absoluto?
Suficiente.
Desinteressado.
Procuramente presente.
E avivados também nós por este sopro,
Oferecemos-nos igualmente um momento de veneração do nosso amor próprio.
De um amor incondicional à nossa essência.
Um amor que tudo houve.
Tudo aceita.
Um amor que tudo perdoa e tudo abarca.
Dámonos este tempo.
E podemos até dar-vos-nos um alto abraço,
Talvez.
Perfeitamente livres,
Seguros,
Na casa que é o nosso corpo,
No lar que é a nossa mente.
Gentilmente.
Agradecemos estas sensações que nos percorrem.
Tentando talvez guardar na memória o bem que nos fazem.
Abordar na memória física deste corpo sensato.
Incorporar no nosso dia-a-dia esta sabedoria e permitir que o amor universal informe as nossas atitudes para que o amor nos mantenha abertos uns aos outros.
Recíprocos na humildade e na generosidade.
E voltamos a uma respiração profunda.
Mexemos levemente os pés ou as mãos.
E regressamos desta prática de coração aberto.
Comprometidos a contribuir com amor e honrar-mo-nos também em amor.
Repetindo,
Eu sou porque nós somos.
Obrigada por estarem aqui hoje.