
Espiritualidade, Religião ou os dois?
by João Alencar
Como dogmatismos podem travar nossa busca espiritual? Ser espiritualista é o mesmo que ser religioso? É possível aprofundar sua busca espiritual dentro de uma religião? Este episódio aborda as semelhanças e diferenças entre espiritualidade e religiosidade.
Transcrição
Olá,
Meu nome é João e tá começando agora o primeiríssimo episódio do podcast Alma Livre,
Alma Livre Cast,
Que tem como intenção principal trazer a espiritualidade com independência e universalismo,
Ou seja,
A gente vai falar aqui sobre questões sobre o espírito,
Sobre a alma humana,
Que vão passar por diversas religiões.
E é essa a intenção desse primeiro episódio,
Que é justamente explicar qual seria essa diferença,
Então,
Entre espiritualidade e religião.
Existe alguma diferença?
Vamos lá,
Dez segundos pra você pensar aí.
Tem diferença entre religiosidade e espiritualidade?
Eu gostaria de dizer o seguinte,
Você pode ser espiritualista sem ser religioso,
E você pode ser religioso sem ser espiritualista,
E você pode também ser os dois ao mesmo tempo.
Você pode seguir uma religião e trabalhar espiritualmente a sua espiritualidade.
Então,
Como assim?
Vamos ver como é que isso funciona mais ou menos.
O que eu estou querendo dizer em termos de religião,
Ou até de dogmatismo,
E de espiritualidade?
Quando eu falo de espiritualidade,
Eu estou falando aqui de uma busca interna sobre os grandes mistérios da alma,
Da existência,
Da humanidade,
Do universo e tudo mais,
Que leva a gente a ir além da questão mais material,
Física,
Mundana da Terra sobre as nossas concepções do que existe ou deixa de existir,
De onde a gente veio,
Para onde a gente vai,
Por que a gente está aqui,
O que a gente está fazendo aqui,
E realmente trazer essa questão de amadurecimento consciencial,
De tentar compreender o todo,
De compreender a vida,
Uma compreensão maior de todas as coisas.
E isso a gente traz muito como educação interior da gente,
Emocional,
Espiritual,
Mental e até intelectual.
Quando eu falo sobre religião,
Religiosidade,
Muitas vezes a gente está falando mais da questão dos ritos e dos rituais externos.
Eu falei da espiritualidade como uma busca interna,
Interior,
E a religião,
Muitas vezes,
A pessoa,
Quando começa a buscar essa espiritualidade,
Ela vai para a religião achando que encontrou no externo,
Nos ritos,
Nos rituais,
Nos dogmas,
Nas regras,
Aquilo que ela buscava e que é uma sede da alma de encontrar respostas.
E aí o que acontece?
Na religião estabelecem-se,
Então,
As práticas em si,
Que muitas vezes são práticas externas,
Que podem,
Sim,
Ajudar na nossa questão interior.
Ou seja,
É aquela frase,
Qual é a melhor religião?
A melhor religião é aquela que te faz ser uma pessoa melhor,
Que faz com que a gente possa reciclar nossos valores e entender como a gente se põe na vida,
No mundo ou nesse infinito que eu estava mencionando antes.
Então,
Essa prática externa pode auxiliar nesse sentido de transformar nossos traços,
Nossos atributos,
Nossa personalidade,
Para que a gente possa funcionar melhor com a sociedade,
Com os familiares,
Com os amigos,
Com os colegas,
De uma forma a levar mais qualidade,
Progresso,
Elevação a todo lugar e para nós mesmos também.
Mas,
Muitas vezes,
Essas práticas externas de uma religião são vazias nesse sentido.
E aí,
Muitas vezes,
Há o apego à forma externa que não tem um conteúdo interno sendo trabalhado junto com aquela prática exterior.
Ou seja,
Muitas vezes pode ser um ritual do mais simples,
Como acender uma vela e fazer uma oração,
Mas muitas vezes essa oração,
Esse acender de vela,
Está focado somente lá fora,
Em tentar mudar o que há lá fora ou,
De repente,
Simplesmente fazer um ritual com base na crença mesmo,
Como se fosse,
Digamos,
Uma receita de bolo ou algo automático,
Como você aperta um interruptor e acende a luz,
E você vai acender uma vela e vai conseguir algo automaticamente externo.
Então,
É uma das coisas que a gente precisa refletir que,
Muitas vezes,
A gente está na execução de algo externo que não está nos ajudando interiormente a tentar enxergar melhor o que está acontecendo externamente para entender se aquele,
Digamos,
Nesse exemplo que eu dei do pedido de uma oração,
Como a vela,
Se esse meu pedido realmente tem cabimento,
Se não é um egoísmo da minha parte,
Se eu não estou enxergando um contexto maior do todo que tem um porquê daquele meu pedido não ser atendido e se eu não preciso aprender alguma coisa ou alguma habilidade,
Algum atributo que eu possa alcançar aquilo que eu estou tanto desejando e pedindo naquela oração.
Então,
Quando eu falo de espiritualidade,
A primeira diferença que eu quero indicar aqui é essa de internalidade versus a externalidade da religião.
Então,
Você pode ser religioso e ter essa espiritualidade de as suas práticas conseguirem fazer um exercício interior,
Como se fosse a malhação da alma,
Para que você se torne melhor internamente também.
Outra diferença que eu queria apontar relacionada com essa mudança interna,
Então,
Na espiritualidade,
A gente vai estar sempre aí trabalhando na modificação do eu,
Dessa lapidação,
De enxergar a si mesmo realmente como uma pedra bruta,
Um diamante que ainda precisa ser lapidado para conseguir brilhar melhor e refletir melhor realidades superiores da verdade maior que é buscada constantemente pelo buscador da verdade,
Que é aquele que busca essa espiritualidade que eu estou comentando com vocês aqui.
Então,
Isso se baseia muito na experiência,
Na vivência,
Em passar pelas situações e tirar proveito delas para o crescimento espiritual,
Crescimento,
Amadurecimento da alma no infinito.
Ou seja,
Por que eu estou falando tanto do infinito?
Porque não faz sentido a gente encarar espiritualidade e religiosidade achando que tudo vai acabar com a morte do nosso corpo físico.
Então,
A gente está sempre buscando essa questão do infinito que é interpretado de formas diferentes em diferentes religiões,
Que há uma continuidade da alma,
Do espírito,
Da mente,
Que a gente ainda não compreende e que a gente busca compreender e entender melhor para poder atuar de forma cada vez melhor de acordo com isso.
Ou seja,
Eu vou estar aqui para sempre.
Então,
Eu acho que eu posso continuar melhorando a mim mesmo e melhorando a minha forma de atuar no mundo para que eu possa estar contribuindo para um mundo melhor,
Porque o mundo vai estar aí ainda por milênios ou mais do que isso,
Mais do que bilhões de anos.
E a gente vai continuar sempre trabalhando na nossa lapidação pessoal.
Então,
Isso faz com que a gente volte para dentro para tentar compreender essas realidades superiores.
Já na religião,
Que às vezes recai mais para o dogmatismo,
Às vezes a pessoa chega na religião e passa a ter uma crença no sentido de acreditar em algo já estabelecido,
Numa verdade que já está postulada,
Formulada pelos preceitos que aquela religião traz.
E esse buscador termina sua busca ali.
A pessoa acha que já encontrou a verdade.
Aquilo ali já é o ideal de verdade dela.
E não há mais busca,
Não há mais crescimento,
Não há mais aprimoramento.
Há simplesmente um estacionamento ali e uma tentativa,
Muitas vezes,
De converter as outras pessoas a chegar àquela verdade superior que eu acho que eu já encontrei.
De tentar fazer com que as pessoas entendam o universo,
O mundo,
A vida da forma que eu entendo ou como é postulada pelaquela religião que eu estou seguindo.
Eu não acho que essa é a postura ideal do buscador da verdade,
Da espiritualidade,
Porque se há tanta coisa que a gente ainda não compreende no próprio mundo físico da matéria,
A gente ainda não chegou ao fundo do oceano,
A gente ainda não explorou totalmente as partes mais profundas do nosso próprio oceano dentro da Terra,
A gente ainda não conhece a nossa própria galáxia de forma mais completa e abrangente.
O nosso conhecimento é muito limitado e a gente precisa olhar para a nossa forma de olhar para o mundo e para as coisas para cada vez mais desenvolver métodos e abordagens que façam que a gente descubra cada vez mais formas,
Como eu falei,
De atuar,
De viver,
De crescer e de ser cada vez melhor.
E a gente tem visto muito isso na tecnologia,
Por exemplo.
A gente vai dissecando formas de trabalhar com materiais e com programações e com as transferências de dados e as microtecnologias e tudo mais.
E a gente vai desenvolvendo cada vez mais aparelhos mais avançados e menores,
Mais práticos.
Então,
A gente precisa ter essa abertura também em termos de espiritualidade,
De não achar que a gente chegou em um ponto X,
Que é o máximo,
Que é o supra-sumo,
Que é o total,
Que não há nada mais além daquilo e que não há mais o que conhecer,
Não há mais o que entender e que a gente simplesmente já chegou em um nível de perfeição nesse sentido.
Então,
Espiritualidade é reconhecer que nós estamos longe da perfeição e conseguir trabalhar cada vez mais os nossos traços,
Os nossos atributos,
Nossos pontos cegos que às vezes nos impedem de enxergar cada vez mais,
Criando,
Assim,
Uma prática de autoconhecimento,
De autodescoberta,
Para a gente tentar entender a nossa forma de entender o mundo e como,
Muitas vezes,
O nosso viés,
O nosso condicionamento,
As nossas lentes psicológicas fazem com que a gente não enxergue alguma coisa ou até faz uma distorção de algumas coisas,
De situações,
De pessoas e de conhecimentos,
Muitas vezes relacionados à espiritualidade também,
À religião e tudo mais.
Uma coisa que seria interessante falar aqui,
Eu estava comparando a ciência,
A tecnologia com essa busca e esse constante crescimento e desenvolvimento e essa questão da espiritualidade.
Por exemplo,
A gente quando vai estudar e se tornar especialista no assunto,
A gente não descarta autores que falam sobre aquele assunto e que possam contribuir com aquele assunto que a gente está pesquisando.
Um exemplo simples aqui,
Digamos que eu resolva estudar inglês,
Que é o meu caso,
Que eu sou professor de inglês,
E aí eu começo a me especializar na língua inglesa,
Na gramática,
E aí quando eu vou me aprofundar mais nisso,
Se eu for fazer uma faculdade de inglês,
De letras em inglês,
Eu vou acabar estudando coisas que não têm uma relação direta com a gramática da língua inglesa,
Mas que têm a ver com linguística em um campo mais amplo.
E aí eu trago conhecimentos de linguística,
De educação,
Muitas vezes psicologia da educação e tem filosofia da educação,
Então você já busca filosofia.
Então você vai abrangendo,
Você vai ampliando os seus horizontes em relação àquele conhecimento e você vai se aprofundando mais também nesse sentido.
E aí você vai tendo pontos de vista diferentes que vão trazer para você uma compreensão mais apurada de diferentes nuances daquela língua,
Ou do estudo da língua,
Ou do ensino da língua,
Que vai fazer de você uma pessoa muito mais aberta,
Mais entendida daquele assunto e mais especialista.
E se eu tivesse a atitude de,
Por exemplo,
Não,
Eu vou estudar esse livro aqui sobre o inglês,
Mas aquele outro livro ali eu não posso,
Estou proibido porque é do autor x,
Y,
Z,
Eu discordo daquele autor,
Então simplesmente não vou ler aquele autor e é proibido para mim ler aquele autor.
E o que eu vou estar fazendo com isso?
Eu vou estar simplesmente limitando o meu conhecimento,
Vou estar limitando a possibilidade de ampliar meus horizontes para abranger melhor aquela questão que eu estou estudando,
Que no caso é a língua inglesa.
Se a gente não faz isso com a ciência,
A ciência evolui,
Avança,
E como tem avançado e tem proporcionado sempre descobertas e conhecimentos cada vez mais avançados,
Principalmente na área da tecnologia hoje em dia.
Bom,
Se a gente não faz isso na ciência,
Por que a gente faz isso em termos de espiritualidade?
Ou seja,
Eu chego na religião e aí a religião me diz que a verdade está neste único livro aqui e você não pode mexer nesta verdade.
E quem falar alguma coisa que questiona este ponto de vista que está aqui no livro,
Eu vou simplesmente descartar,
Não vou ouvir,
Não vou tentar enxergar o que a pessoa está falando porque a minha verdade é esta aqui.
Então,
Eu me fecho à compreensão da verdade,
Eu me fecho à compreensão da espiritualidade,
Da compreensão da alma humana naquele ponto e não trago novos conhecimentos,
Não vou arejar a minha percepção daquele assunto porque é proibido,
É pecado e eu tenho medo até de sequer ouvir o que o outro tem a dizer sobre aquela questão que eu estou abordando.
Então,
Diferenciando mais uma vez a espiritualidade da religião dogmática,
Que quer fechar os conhecimentos nesse sentido,
A espiritualidade,
Como eu falei,
Independente e universalista,
É estar independente de dogmas nesse sentido,
De eu não vou simplesmente descartar o que outros livros têm a dizer,
Se eu sou cristão,
Eu não vou descartar um livro do budismo,
Se eu sou budista,
Eu não vou descartar um livro relacionado ao espiritismo e,
Sendo universalista,
Não descartando nenhuma possibilidade que pode ser trazida por diferentes religiões,
Eu vou estar aberto para ler ou ouvir qual é a abordagem que está sendo trazida por aquela religião,
Por aquele livro sagrado,
De repente,
Que pode,
De repente,
Jogar uma luz ou um ponto de vista diferente sobre uma questão que eu já vinha estudando e que pode me ajudar a compreender melhor aquela questão relacionada à espiritualidade,
À alma,
Ao espírito,
À existência em si.
Então,
Eu não vou me fechar,
Me dogmatizar e me colocar incapaz de me especializar cada vez mais naqueles assuntos,
Porque eu tenho essa abertura de receber com tranquilidade os conhecimentos que chegam até a mim,
De não aceitar numa fé cega da verdade é x e ponto final e trazer uma mentalidade mais aberta de uma criticidade mesmo,
Ser crítico,
Não simplesmente ser cético de descartar tudo,
Mas de conseguir analisar com o filtro da razão,
Do entendimento,
Se aquilo faz sentido e se eu posso experimentar aquilo,
Se eu posso testar aquilo,
Aquela vivência na prática.
Uma das coisas que eu gosto de estudar,
Além de budismo,
Espiritismo,
Cristianismo,
Que eu já falei aqui,
Também é a conscienciologia.
A conscienciologia tem um preceito muito interessante,
Que é o não acredite em nada,
Tenha suas próprias experiências,
Que eles chamam que é o princípio da descrença.
Ou seja,
Eu vou estar falando coisas,
Por exemplo,
Neste podcast aqui,
Eu vou falar sobre vários assuntos relacionados à espiritualidade que se relacionam com diferentes religiões,
Mas a intenção aqui não é crer,
Simplesmente acreditar em algo que está lá fora,
Muito distante,
Que eu não tenho como provar ou comprovar nada para ninguém,
Mas eu não estou aqui para provar ou comprovar nada,
Eu estou aqui para tentar compreender cada vez mais a nossa experiência como espíritos encarnados nesta Terra e trazer esse conhecimento para que a gente possa ter cada vez mais saúde consciencial,
Mental,
Espiritual e poder espalhar esse bem por onde quer que a gente passe,
Sem que isso se torne um dogma.
Ou seja,
Eu vou trazer aquele conhecimento,
Experimentar o que eu posso trazer para a minha vida daquilo,
Como aquilo pode ser lucrativo,
O que tem de benefício aquilo ali para que eu possa estar cada vez melhor com os meus familiares,
Meus amigos,
Meus colegas,
Com o próximo e como isso pode beneficiar o todo,
A nossa interdependência que todos nós temos e como eu posso estar constantemente aprendendo e amadurecendo em termos de alma livre,
Em termos de alma imortal,
Que vai estar sempre aprendendo ainda durante milênios.
E aí,
A gente vai trazer aqui não a síndrome do salvador da pátria.
Por exemplo,
O que eu estava falando,
Que eu já encontrei aquela verdade X,
Eu fui o dogmático.
E aí,
Como eu me acho o conhecedor da verdade,
Eu quero salvar vocês,
Salvar quem quer que seja,
Que eu acho que está perdido por não conhecer aquilo que eu conheço,
Que não é essa a intenção.
A intenção é realmente a reflexão para que a gente possa cada vez mais juntos crescer como humanidade,
Certo?
E a gente vai trazer isso aqui com muito senso crítico,
Com intelectualidade,
Racionalidade e com essa liberdade de expressão de diferentes dogmas,
Diferentes crenças,
Sem se fechar em simplesmente acreditar,
Sem questionar.
A gente está aqui para questionar tudo e trazer esse conhecimento de forma abrangente,
Livre e independente.
Então,
Sejam todos bem-vindos ao Alma Livre Cast.
E eu vou ficando por aqui.
Até o próximo episódio!
Conheça seu professor
4.7 (14)
Avaliações Recentes
Meditações Relacionadas
Trusted by people. It's free.

Get the app
