
Isso é Meu Carma - Será?
by João Alencar
Carma é mesmo punição? Está realmente todo mundo "pagando" seus carmas? O carma é um tipo de contabilidade divina? Este podcast tem a intenção de ampliar a compreensão sobre carma para que possamos sair da ideia de que somos vítimas fatais do destino.
Transcrição
Olá pessoal,
Está começando mais um AlmaLivreCast,
Nesse episódio eu,
João,
Vou falar com vocês sobre karma e,
Logicamente,
Reencarnação,
Porque fica difícil você falar de karma sem tocar no assunto reencarnação,
Né?
Tem muita confusão em relação ao que é karma e o que não é,
E o que a gente está sofrendo por causa de possíveis supostos karmas do passado,
Né?
E eu queria começar falando aqui,
Então,
Da questão contabilista.
A gente teve a influência grande,
No século XX principalmente,
Mas começando antes,
Até século XIX e tudo mais,
Da questão financeira em cima de todas as áreas da vida,
De ter uma lógica contabilista para estudar e analisar várias questões pelas quais a gente passa na nossa vida e a espiritualidade não ficou de fora e a questão do karma,
Apesar de ser um assunto já milenar aí dos indianos,
Do hinduísmo e tudo mais,
Quando o espiritismo chegado no Brasil começa a trabalhar essa questão do karma,
Existe uma carga pesada da questão contábil de faz-paga,
No sentido de eu estou devendo,
Eu tenho uma dívida a ser resgatada com você,
Como se fosse uma transação financeira,
Uma lógica numérica bem definida sobre o que eu fiz e o que eu preciso resgatar em termos de valor,
Como se fosse um espelho muito igual do que eu fiz e que eu preciso sofrer porque eu fiz aquilo.
Ou seja,
Uma coisa mais simples de entender o karma seria mais ou menos assim,
Eu matei alguém na minha encarnação anterior ou até nessa minha mesma encarnação aqui agora,
Então,
Logicamente,
Eu vou precisar ser assassinado porque eu preciso resgatar este karma.
Essa é a visão simplista,
Reducionista da questão do karma que pode até explicar de certa forma de uma maneira pedagógica mais acessível,
Mas eu acho que já está na hora de a gente começar a expandir mais essas questões e ampliar mais esse conhecimento em relação ao karma e as encarnações em si.
Então,
Para não ficar nesse reducionismo,
A gente pode entender de outra forma essa coisa de faz-paga,
De a terra como sendo um tipo de presídio ou a nossa encarnação em si como sendo uma forma de pagar o que a gente deve,
Uma forma de punição mesmo.
Tem muita gente que encara a vida terrena como um presídio de alta periculosidade,
De alta segurança para que a gente não escape e que a gente possa sofrer as coisas que a gente fez os outros sofrerem para que a gente aprenda a não fazer mais aquilo.
E isso aí é,
Mais uma vez,
A lógica humana tentando explicar as questões espirituais,
Porque é muito humano essa questão de querer punir como sendo punição e educação algo que não se separa.
E isso aí é uma mentalidade antiga já também,
Essa questão de vigiar e punir,
Como diria lá Foucault no seu livro,
Que o título é esse,
Vigiar e Punir.
Ele diz que a educação é algo de condicionamento através de recompensa e punição.
Esse é um modo simplista.
Se a gente começa a enxergar melhor a questão do universo ou de Deus,
É muito difícil explicar o universo e Deus,
Logicamente.
Mas à medida que a gente vai evoluindo nas nossas questões,
No nosso aprendizado sobre o que funciona melhor para a educação,
Para o crescimento,
O aprimoramento das pessoas,
Das almas,
Levando em consideração que as pessoas vão continuar morrendo e reencarnando,
A punição em si acaba sendo não necessariamente educativa.
E aí a gente pode até falar das questões de pena de morte e tudo mais,
Que não funcionam,
Mas depois eu volto neste assunto,
Porque a gente está falando muito de reencarnação,
Porque logicamente,
Para quem é espiritualista,
Sabe que a Terra,
A vida,
Não faria sentido se fosse simplesmente uma vida só e acabou.
Não faria sentido todo o sofrimento que a gente passa,
Todos os problemas,
O esforço que a gente faz para ser uma pessoa melhor e tudo mais,
Para conseguir coisas,
E simplesmente depois você vai para o nada.
Aquilo ali se encerra e acabou.
Então não faz muito sentido isso.
Então a nossa lógica aqui da questão da reencarnação é que realmente há uma continuidade do Espírito e muitas vezes a gente tem as nossas questões que continuam precisando ser trabalhadas e a gente já nasce com questões a serem resgatadas,
Sim,
Porém não nesse sentido de prisão,
De pagar,
Mas no sentido educativo,
De escola.
Se você levar em consideração uma forma de prisão reeducativa mais avançada,
De realmente resocializar a ação daqueles criminosos que realmente cometeram erros,
Crimes,
Deslizes e que precisam reaprender a conviver em sociedade,
Quando é levado para essa questão,
A questão do crime e da punição na prisão,
Há a questão reeducativa,
Que se a gente levar em consideração,
Para a encarnação a gente pode aplicar também,
Que é o seguinte,
Digamos que eu fui lá e matei uma pessoa,
Como eu estava usando o exemplo básico aqui do assassinato.
Eu preciso necessariamente ser assassinado nessa vida para aprender a valorizar a vida?
Não necessariamente,
Eu posso vir,
Por exemplo,
Como uma pessoa que tem um trabalho relacionado com pessoas que estão sofrendo e que eu vou ajudar aquelas pessoas a manter a sua vida.
Eu posso me tornar um médico que vai atender pessoas que foram baleadas,
Que estão à beira de serem assassinadas,
Que sofreram tentativa de assassinato e eu estou ali tentando lutar com aquilo,
Ou eu posso ter algum ente querido,
Algum familiar que pode ter passado por uma situação de que ela está sendo vítima de uma tentativa de assassinato e eu estou sofrendo com aquela situação porque é alguém que eu amo,
É alguém querido.
Ou seja,
Podem surgir diferentes situações que podem se configurar como karma,
Porém não é um karma no sentido que você tem que pagar o que você fez,
Mas sim no sentido que você vai entrar em sintonia com a sua própria natureza interior e a sua natureza interior vai ser refletida lá fora e aquilo lá fora vai te mostrar quem você é e você precisa lidar com aquela situação de forma a entender uma maneira diferente,
Melhor,
Mais adequada de valorizar a vida nesse sentido que eu falei ou das questões,
Dos atributos,
Dos traços que eu preciso reciclar,
Melhorar,
Trabalhar em mim.
Ou seja,
A gente vai nascer,
Vai encarnar numa situação que vai promover o nosso amadurecimento,
O crescimento,
O aprendizado,
Que não é necessariamente uma questão de punição,
De pagamento,
Mas sim uma questão de eu preciso desenvolver,
Aprender,
Mudar meus traços.
Se aquela situação não é adequada para me fazer mudar,
Então não vale de nada,
Porque eu vou estar simplesmente pagando,
Eu paguei,
Eu assassinei,
Agora eu fui assassinado,
Mas eu não estou nem aí,
Então eu vou continuar a próxima vida que eu reencarnar,
Vou continuar com a mesma tendência de vir assassinar alguém.
Então eu preciso simplesmente olhar para aquela situação que eu estou imerso de violência constante no sentido do assassinato e de ser assassinado,
Às vezes no processo de vingança contínua dos algozes ali,
Eu vítima e depois algoz,
Passando por esse ciclo kármico de vingança eterna com aquela pessoa que eu assassinei,
Que agora está vindo me assassinar.
Enxergar esse contexto de violência e tentar sair desse contexto.
Então,
As situações que podem me promover a sair deste contexto,
Às vezes,
São programações kármicas mais interessantes do que eu simplesmente pagar e ficar sofrendo aquela situação indefinidamente.
Então,
Se eu vier numa situação que eu vou ajudar pessoas a sair do contexto da violência,
Ou da dor,
Do sofrimento,
Como eu falei,
Às vezes,
De repente,
Como um médico,
Que a minha vida depende de salvar pessoas.
Então,
De começar a mudar a minha mentalidade nesse sentido em relação à vida,
Talvez seja mais interessante do que simplesmente ficar pagando.
Então,
É uma das coisas que a gente pode analisar em questão ao karma.
Outra coisa dessa coisa do karma é aquela coisa de fulano,
Meu relacionamento com fulano XYZ é o meu karma,
Fulano é meu karma,
Fulaninha é meu karma.
Como se eu tivesse feito mal para aquela pessoa em outra vida,
E agora estou em uma relação com essa pessoa,
Que é uma relação negativa,
Tóxica,
Às vezes,
Abusiva,
Mas eu não saio daquela relação porque,
De repente,
Aquela relação é o meu karma,
Eu estou pagando karma.
O que eu fiz para estar merecendo isso?
Mas você continua naquela situação porque está ali em um certo comodismo.
Porque fazer o esforço para sair daquela situação,
Às vezes,
É mais complicado do que você simplesmente deixar correr e continuar sofrendo as situações negativas que aquela pessoa,
Ou aquele relacionamento,
Traz para você.
E aí você explica e justifica como sendo um resgate,
Ou no sentido que você fez mal para aquela pessoa em outra vida,
Ou no sentido que você acha que vai salvar aquela pessoa,
Que você tem a missão de converter,
Ou de ajudar,
Ou de retirar aquela pessoa do caminho negativo que ela está seguindo,
E que você,
Como espiritualizada e superpositiva,
Vai dar conta de salvar aquela alma e fazer com que as coisas mudem.
Mas você não é responsável pela salvação de ninguém.
Infelizmente,
Ninguém salva ninguém.
O que a gente pode fazer é jogar uma corda,
Jogar uma escada e dar uma ajuda para a pessoa sair do buraco,
Mas a gente não pode mergulhar naquele buraco e ficar lá com aquela pessoa que se recusa a sair dele,
Se recusa a enxergar os caminhos que você já mostrou que ela pode seguir para se tornar uma pessoa melhor,
Mais feliz e mais saudável,
E continua teimando nos seus traços,
Nas suas rotas de vida que não são as mais adequadas para você,
Que está com aquela criaturinha.
Então,
Muitas vezes,
Você simplesmente precisa abandonar a coisa do salvador da pátria,
Aquela coisa de que você se sente responsável,
Que traz até uma sensação de impotência de tanto que você quer ajudar e não consegue.
Às vezes,
A gente precisa simplesmente abrir mão e realmente reconhecer que você pode dar ajuda,
Mas,
No final das contas,
Só a própria pessoa pode se salvar e não existe um salvador externo para tirar aquela pessoa do buraco.
Então,
Essa coisa de eu estou com fulano porque fulano é meu karma,
Meu compromisso kármico,
Na verdade,
Pode ser uma teimosia de tentar salvar ou até um comodismo de não fazer o esforço para mudar e sair,
De repente,
Daquela situação e terminar uma relação que não é saudável para você,
Que pode estar sendo abusiva.
Outra questão que eu queria abordar é a questão do karma.
Então,
Muitas vezes,
Essa coisa de aquilo ali,
As pessoas estão passando todas pelos seus karmas,
Está tudo certo,
Está tudo programado,
Pode levar a um tipo de frieza e incompreensão ou distanciamento das situações negativas que as outras pessoas estão passando.
Ou seja,
Eu vou estar vendo que a pessoa está sofrendo uma certa situação e eu digo,
Não,
Porque isso aí está tudo certo,
Tudo tem que ser assim,
Porque as coisas tinham que acontecer do jeito que estão acontecendo,
Porque se não fosse para acontecer do jeito que está acontecendo,
Não aconteceria.
E aí,
Nesse sentido,
Eu viro uma pessoa que está ali no fatalismo e na frieza em relação às situações negativas,
Tipo,
Está tudo certo,
E aí eu não faço nada,
Eu não vejo,
Não tento ajudar,
Simplesmente passo batido,
Passo reto e não me envolvo com nada e nem ninguém.
Que aí seria o oposto,
O extremo oposto daquele lá que se vê como salvador da pátria também,
Que acha que precisa ajudar todo mundo a resgatar os carmas deles e cair na coisa de,
Tipo,
Está todo mundo pagando e está todo mundo vivendo exatamente o que plantou e está colhendo agora,
Então está tudo certo.
E vira a questão da frieza também.
Se a gente está numa situação que eu falei,
Que é de ajudar,
De educar,
De aprender,
De aprimorar,
De crescer junto numa terra que é prisão barra escola reeducativa das almas,
A gente pode levar em consideração que a gente pode sim oferecer opções de mudança,
De ajuda,
De crescimento,
De acordo com aquilo que seja mais adequado realmente para que aquela pessoa passando pelo problema,
Pela situação,
Possa desenvolver seus atributos,
Desenvolver uma visão de mundo diferente,
Uma percepção de saída daquela situação que seja melhor para ela e não simplesmente porque eu quero ter o prazer de ter ajudado,
Mas também sem abandonar toda a sua revelia de estão todos colhendo o que plantaram.
E a gente pode sim,
A gente está vivendo em sociedade justamente para que a gente possa ajudar uns aos outros os pontos fortes que a gente tem,
Os pontos de qualidade que a gente já desenvolveu,
Com servidão para que esses pontos possam ajudar as pessoas nos seus pontos fracos.
E,
Muitas vezes,
As outras pessoas têm os seus pontos fortes também,
Que para mim ainda são pontos fracos e elas podem nos ajudar.
Então,
A gente está aqui para ter uma vida de relação e trocando experiências,
Trocando aprendizados,
A gente pode se ajudar,
Ajudar uns aos outros nessa forma de crescimento mútuo e ajudar a sociedade,
Ajudar a comunidade,
Os próximos ou até os mais distantes a continuarem a sua jornada de aprendizado,
De evolução,
De crescimento,
Sem essa questão muito fatalista de você está nisso aí porque você está pagando,
Você não deve ter feito coisa boa ou você está aí porque você deve merecer,
Você está merecendo isso aí,
Então não tem muito o que fazer.
Por outro lado,
A gente também não pode cair no desespero.
Essa compreensão aí de questões de karma,
De questões de aprendizado e até da compreensão da vida como infinita pode nos ajudar a não entrar no desespero de ver pessoas em situações negativas,
Situações de repente de extrema pobreza ou de dor lacerante,
De dor física e sofrimento psíquico também,
Que a gente pode tentar compreender que a pessoa está passando pelo seu processo de aprendizagem,
De que ela está ali numa aprovação,
Numa coisa que vai,
Às vezes,
Ao longo prazo,
Ajudar aquela pessoa a desenvolver atributos e que aquilo ali não é simplesmente para eu entrar em desespero e achar que não podia,
Não tinha que ter acontecido,
Não pode estar acontecendo,
Não posso deixar que aconteça e querer controlar a situação e o mundo para que as coisas sejam sempre boas,
Certas e adequadas,
Que,
Às vezes,
As coisas ruins em si podem trazer um aprendizado,
Uma experiência,
Um crescimento para a alma que a gente não é capaz,
Muitas vezes,
De enxergar na nossa visão limitada que a gente tem sobre o tempo,
Sobre a vida,
Sobre o cosmos,
Que eu falei,
Sobre o universo,
Que ao longo de várias encarnações,
Às vezes,
Tem uma configuração mais ampla,
Tem uma imagem maior do quadro,
Tem uma visão mais ampla do quadro,
Do cenário todo,
Que eu não estou percebendo e que eu posso até querer,
Sim,
Ajudar,
Influir para que aquele caminho se relacione,
Se realize de uma forma melhor,
Positiva,
Para todos os envolvidos,
Mas que,
Ao mesmo tempo,
Se aquilo não vai de acordo com o que eu imagino que seja melhor,
Eu me desespere também achando que é o fim do mundo,
O fim da vida e que eu deva simplesmente entrar em um ponto de depressão ou de simplesmente achar que a vida em si está falhando,
Que Deus está falhando ou que tudo está falhando.
Então,
A questão aqui é sempre o caminho do meio,
O equilíbrio,
A compreensão das situações como sendo desafios,
Oportunidades de crescimento que,
Às vezes,
Não vão sair de acordo com o que a gente imagina,
Mas que estão aí para fazer a gente crescer e amadurecer e não se desesperar e também não achar que está preso,
Está devendo,
Pagando,
Mas simplesmente tentar enxergar o que precisa ser aprendido,
O que precisa ser aprimorado,
O que pode se retirar de lucro,
Não no sentido financeiro de que eu paguei uma dívida,
Mas de lucro como atributo da alma,
Da mente,
Da consciência que vai ser levado para todas as outras vidas depois desse aprendizado nesta vida.
Então,
Pessoal,
Eu vou ficando por aqui.
Um abraço para vocês e até o próximo episódio!
Conheça seu professor
4.8 (11)
Avaliações Recentes
Meditações Relacionadas
Trusted by 34 million people. It's free.

Get the app
