31:47

#02: Era do Aquário - Me Ta Mor Fo Se

by Elefantes Na Neblina

rating.1a6a70b7
Avaliação
5
Group
Atividade
Meditação
Indicado para
Todos
Plays
89

Três amigos conversam. Um mundo em constante mutação. Buscando jogar alguma luz sobre assuntos grandes, muitas vezes incômodos. Conversando sobre o que é ser um humano em nossos curiosos e complexos tempos. Em nosso segundo episódio, falamos de procrastinação, educação emocional para adultos, a necessidade de uma verdadeira Marie Kondo planetária e o chamado da Transformação.

Transcrição

Amigos que gostam de conversar em tempos interessantes,

Incertos,

Implacáveis.

Com o futuro suspenso e o passado cada dia mais distante,

Estamos aqui estacionados na condição humana,

Na tentativa de fazer uma nova vida funcionar.

Cada dia é um passeio na neblina,

E os elefantes estão soltos.

Não usamos nomes,

Porque somos nós e somos ninguém.

O que importa é a conversa e a vontade de gerar alguma luz.

Amigão,

Você está muito silencioso aí do outro lado.

Onde está?

Meditativo?

Está falando de quem?

De você.

Estou ouvindo o que você está falando aqui.

Estava pensando na primeira lição do Jordan Peterson,

Que é arrumar o mundo,

Comece arrumando o seu quarto.

E achei que você estava de algum jeito me lembrando dessa história.

Eu acho que tem uma referência aí de retroalimentação importante.

Eu não tenho dúvida que você não vai ter sempre dias de construção,

Mas eu acho que no momento que você criar aí uma sequência de mensagens para o seu cérebro que você vai poder quebrar os padrões,

E acho que essa é uma excelente oportunidade para isso,

Eu acho que você vai também construindo mais dias de construção,

Ficando menos à mercê do que você está sentindo,

De como você abre a janela.

Acho que todo mundo tem esse tempo agora,

Todo mundo sabe o que dá para mudar,

E eu acho que tem uma questão de disciplina mesmo,

De entender que essa é uma oportunidade que você pode usar com todas as desculpas do mundo para não fazer nada,

Ou realmente para colocar em prática uma sequência de quebra de padrão.

E aí o que não falta é a literatura para te levar para esse caminho,

E provavelmente tempo para acessar essa literatura.

Você mesmo conhece bem os livros sobre procrastinação,

The War of Art,

Que é um livro que fala muito de como esse momento pode ser bem utilizado,

E como as pessoas mais inteligentes,

Elas são mais astutos,

Serão as desculpas para não fazer isso.

E pode ser usado para tudo,

Até mesmo para acessar um lugar de espiritualidade mais profunda,

Enfim,

É uma super otimização da tua relação com você.

Eu estava pensando aqui que.

.

.

E você que é um.

.

.

Aquelas pessoas que sempre se colocaram como super busy,

Que não tinham tempo para esse tipo de coisa,

E me colocando já nesse time também.

Quais são as desculpas que agora serão inventadas para procrastinar aquilo que é importante e essencial para a gente?

Uma vez que agora todos têm tempo e a desculpa do tempo já deixa de ser real,

Principalmente aqui para as paragens paulistanas,

Qual será a tônica da vez?

Mas isso não é maravilhoso?

Essa falta de álibi?

Uma coisa que eu tenho dito.

.

.

É maravilhoso se você tiver disciplina,

Senão é o terror absoluto.

Mas veja,

A disciplina é a resposta para a ameaça do terror absoluto.

Então,

Mesmo a experiência do terror absoluto,

Ela tem um componente positivo.

A disciplina é uma resposta a isso.

Vejam,

E a gente tem algo a nosso favor.

Em geral,

A dor psicológica,

A neurose,

Ela pressupõe o quê?

Ela pressupõe a fantasia de que a grande desgraça vai acontecer com você em especial.

Seja porque você cometeu um erro,

Seja porque você tomou uma decisão errada,

Seja porque você nasceu no dia errado,

Seja porque você,

Na sua essência,

Não é o que você deveria ser.

Todas as nossas neuroses têm a ver com uma fantasia de algo horrível que nos escolhe,

Elege e nos separa dos outros.

Pois bem,

Neste momento,

As grandes ameaças são absolutamente coletivas.

Então,

Ao mesmo tempo que nós somos expostos a toda sorte de medos,

Não são os mesmos medos das nossas neuroses.

Porque as nossas neuroses são privativas,

Individuais,

Elas nos dão identidade.

Este medo é um medo coletivo.

Então,

Nós temos uma oportunidade de enfrentarmos medos com a neurose desativada.

Pergunta.

Vou ter que interromper,

Porque.

.

.

Por favor.

Senão,

Vai virar uma aula.

Eu também tenho uma pergunta depois.

Eu tenho que interromper,

Porque.

.

.

Eu falo de.

.

.

Minha ansiedade não permite o final do raciocínio.

Dentro disso aí,

Eu quero te perguntar,

Porque é um negócio que.

.

.

Eu acho que é uma dúvida coletiva de qualquer um que está vivendo com jovens em casa.

Agora,

Crianças,

Seja o que for.

Na tua visão,

Dentro dessa linha que você seguiu aí,

E as crianças todas nas aulas online.

Sim.

Então,

Eu desperto aqui,

Existem aulas acontecendo pela casa toda.

E aí eu pensei o seguinte,

Não é uma excepcional oportunidade para as escolas para estar ensinando educação socioemocional e falando um pouco menos de trigonometria?

Essa é a sua pergunta?

Eu já imaginava,

Na minha inocência daquele que não tem filhos,

Que as escolas já tinham adaptado o currículo para isso.

Elas não estão fazendo isso?

Pelo amor de Deus!

Como é que uma escola adapta o currículo para isso?

Pelo amor de Deus!

Pelo amor de Deus!

Eu posso convidar para o nosso papo,

Nos próximos dias,

Uma amiga minha que é especialista nisso e está fundando uma escola nos últimos tempos.

Ela tem falado só sobre esse assunto?

É óbvio que essa devia ser a matéria.

Então,

Essa é a matéria para 70% do currículo.

Aliás,

Deveria ser desde sempre.

A minha filha ficou com uma delas hoje,

Das sete da manhã às seis da tarde,

Que seria exatamente o equivalente ao tempo que ela gastaria na escola,

Numa aula online.

E eu perguntei.

E ela me falou que a aula estava interessantíssima,

Estava legal,

Tinha adorado o formato e tal.

Mas eu pensei o seguinte,

E eu acho que isso também é importante,

Porque tem que ter uma sensação de normalidade.

Eu não acho que nós temos que passar 12 horas me ensinando as crianças a meditar,

Não acho que é isso.

Mas a minha pergunta é,

Agora eu acho que não é uma oportunidade para se colocar um equilíbrio maior entre o habitual e o novo,

Que vai capacitar talvez essas crianças a lidarem melhor com essas mudanças que são inevitáveis.

E agora eu acho que,

Principalmente com a ideia inicial que se tinha de que isso daqui a pouco acaba,

Está claro para a gente que,

Independente do tempo que o vírus vai ficar entre nós aqui,

As sequelas são muito mais permanentes.

Então,

Está na hora,

Acho.

Eu acho que o que está acontecendo para os jovens,

Que ainda tem uma dimensão menor das consequências,

É um enorme aprendizado baseado em projetos.

Para as crianças,

Isso é maravilhoso.

Para nós,

Adultos,

Também é um aprendizado baseado num enorme projeto do que pode ser esse futuro.

Isso que eu acho mais interessante de tudo.

E um outro ponto que eu estava pensando é exatamente isso.

Esse nosso isolamento,

Da forma mais estranha e canhestra,

A gente,

De fato,

Tem uma volta para o coletivo.

Eu acho que isso é inevitável que aconteça.

Não acho nem tão canhestro assim.

Acho que,

Se não fosse de uma forma violenta,

Não iria acontecer.

E eu até digo mais.

Não podemos esperar demais das nossas escolas,

Porque elas são instituições do mundo velho.

Todas elas.

Elas recebem um contrato e estão cumprindo um contrato dos pais para prepararem as crianças para aquele mundo.

E nós estamos falando de uma realidade que rompeu o contrato.

E o contrato anterior está sendo continuado,

Ainda que,

A rigor,

Talvez ele nem merecesse mais ter validade.

Então,

Para mim,

O sentido dos elefantes na neblina é justamente esse espaço,

Eu diria até subversivo,

De poder falar primeiro do fato de que a realidade mudou.

Esperar que a escola,

Enquanto instituição,

Já possa assumir,

Na frente da consciência dos próprios pais,

Das crianças,

Que a realidade mudou a ponto de que o socioemocional seja mais importante do que a trigonometria,

Talvez seja pedir muito.

Talvez o começo dessa história seja aproveitar esse confinamento para que uma boa parte da educação volte à sua modalidade anterior.

Nós vivíamos num tempo,

Recentemente,

Em que os pais tão ocupados delegavam realmente o serviço da educação para a escola.

Eu não tenho dúvida de que,

Com os pais de novo em casa,

Eles se tornam a principal referência de educação.

Acho que,

Mais do que educação,

Tem uma questão da inevitabilidade da convivência agora.

Sim.

A terceirização da convivência acabou.

Agora,

Realmente,

Os pais vão saber quem são os filhos e os filhos vão saber quem são os pais nas condições iguais.

Não tem nenhum elemento exógeno.

E tem aquela história,

Nós vamos ter que achar o equilíbrio em algum ponto.

Ou vão haver momentos de caos e intérprete,

Mas acho que tem muita coisa boa que vai sair daí também.

Eu já tive ligações de muitos amigos que têm convivências de final de semana com os filhos e que me chamam absolutamente surpreendidos com as pessoas com que eles estão interagindo em casa.

Positivo e negativamente.

Tenho certeza que,

Se falar com os filhos,

Vai ser uma oportunidade muito legal.

E a outra coisa que achei maravilhoso é que vou usar essa palavra canhestro com frequência,

Que é uma coisa que não fazia parte do meu vernáculo.

E já aprendi hoje uma palavra nova.

Da manhã vou sair usando canhestro o dia inteiro.

Sem canhestrismo nenhum.

A gente pode dizer que os movimentos do mercado de capitais estão canhestros.

É um período canhestro.

Uma coisa que achei uma luzinha interessante no fim do túnel,

Que o Larry estava falando,

Que é um pouco essas fotos de satélite que estão mostrando com esse marasmo todo as nuvens de poluição da China que estão sumindo,

Os peixes no canal de Veneza que estão voltando.

Aí a pergunta fica assim,

Depois que arrumarem o teu quarto,

Você bagunça de novo ou vai gostar dele em ordem?

Que linda a pergunta.

É uma pena que tenha que morrer gente e que tenha tanta gente passando por tanta tristeza,

Como a gente vê lá na Itália.

Se não fosse por isso,

Acho que seria uma coisa tão linda de acontecer no mundo.

Essa pausa obrigatória,

Essa volta à família,

Abrir a janela interna como você abre para fora e ser obrigado a se rever e perceber que tudo era uma ilusão até aqui e que pouco do que você tem materialmente te serve porque você tem que arrumar as suas coisas.

E essa é a elegância que o Larry estava falando do vírus.

Você,

De fato,

Não vai poder chamar ninguém para cuidar da sua casa,

Porque o medo vai ser maior.

É uma tristeza que tem que ser de uma forma tão brutal e que tem que ter essa mortalidade,

Tem que ter esse estresse todo.

São as dores do parto.

Se você me mostrar na história as mudanças que aconteceram pelo amor ao invés de pela dor,

Eu acho que de cabeça não me lembro de nenhuma.

Você sabe que eu gosto de conversar sobre isso com você e eu digo sempre que as grandes mudanças começam pela dor.

Depois que elas entram em movimento,

Elas podem virar mudanças pelo amor,

Mas elas começam pela dor.

Mas elas só vão se consolidar com o amor.

Exatamente.

Você começa mudando o seu comportamento porque você é obrigado,

Porque a dor de não fazer isso é insuportável.

Depois,

Quando você começa a ter resultados surpreendentes e positivos com mudanças de comportamento,

Você começa a amar o novo comportamento e a nova identidade.

E aí se transforma numa transformação realmente pelo amor.

Eu me arrisco a dizer que enquanto o amor não se instala,

A transformação não se consolida.

Enquanto a gente está na etapa da dor,

A suspensão da dor pode fazer uma reversão do quadro.

Quando,

Depois que a mudança de comportamento já se transformou em alguma coisa que é alimentada pelo amor,

Aí ela se consolida.

Aí o quadro pode desaparecer.

Então,

Por isso,

É muito importante a duração da crise.

E é por isso justamente que eu estou achando,

Essa é a minha impressão,

Que dessa vez a crise é a crise.

Porque ela não só tem a gravidade suficiente,

Como tudo indica que ela terá a duração suficiente para que a gente tenha que passar por todos os estágios da dor e depois renascer no amor.

Como a gente falava mais cedo,

A sensação inicial que a gente está assistindo a um filme,

Pelo menos para mim,

Está se tornando uma série de pelo menos 4,

5 temporadas com 12 episódios cada.

Eu estava refletindo sobre a duração dessa crise hoje e eu lembrei de um livro que o Mo me indicou,

Que é aquele do Clube das 5 Horas da Manhã.

É um livro que eu acho que vale um podcast inteiro só sobre ele.

O pior e o melhor livro já escrito.

O pior e o melhor livro já escrito.

Ele é que nem o Fifty Shades of Grey,

Você tem que ler no Kindle,

Porque se alguém ver você lendo,

Você.

.

.

Mas ele fala que para pegar qualquer hábito,

Você precisa de 66 dias.

É o número mágico.

O número mágico científico que eles chegaram no livro.

Eu fiquei pensando muito nisso,

Porque,

Ao que me parece,

E vocês me corrigem,

Acho que a gente vai ter por aí de quarentena para mudar os nossos hábitos.

E a gente agora vai ter uma coisa interessante que eu acho que,

Nesses primeiros meses,

O primeiro mês,

Nós ainda temos muito acesso a muita coisa.

Temos os supermercados,

As farmácias,

Os deliveries,

Alguns restaurantes funcionando,

Alguns ainda estão com ajuda em casa e tal.

Mas,

Num cenário mais definitivo,

É quase que cada um por si lidando com muita criatividade para poder viver adequado à nova situação.

Então,

Eu acho que a gente não chegou nesse lugar ainda.

O que eu tenho ainda de informação de quem está vivendo na Europa,

Acho que,

Predominantemente na Europa,

Eu falo muito com o pessoal de Portugal e Itália,

Já vivem uma realidade completamente diferente.

É quase que um racionamento,

Uma criatividade.

É o fim temporário do business class.

Não sabemos se definitivo,

Mas certamente temporário.

Os confortos vão ser trocados por épocas de guerra.

A escassez é a trama do sacrifício.

Você lembra,

Vocês dois lembram,

Porque vocês viram quando eu vim com esse modelo que existia a grande roda das tramas.

E a trama que vinha depois da posse e da conquista material era a trama do sacrifício,

Justamente.

Então,

É como se a gente estivesse passando por uma troca de narrativa coletiva.

Nós todos estávamos levantando da cama todo dia e saindo na rua tentando conquistar mais,

Tentando possuir mais,

Tentando adquirir mais,

Tentando se mostrar mais poderoso do que o outro.

E,

Agora,

A nova trama é a trama do sacrifício.

O que você é capaz de renunciar e ficar bem.

A nova narrativa vai ser você contando daquilo que você consegue abrir mão.

Todo mundo entrou num grande workshop da Marie Kondo e a gente está exatamente no processo de descobrir quantas peças de roupa você precisa ter,

Aquilo que você precisa comer ou não,

Aquilo que você precisa fazer.

E aposto com vocês que isso vai virar uma nova estética.

A Marie Kondo planetária.

É uma junção da Greta com a Marie Kondo.

Acho que todas essas referências em função do crescimento e performance,

Enfim,

Todas as métricas ligadas às conquistas,

Sem dúvida nenhuma,

Vão desaparecer.

Não tem nem.

.

.

Trazem o jogo para uma métrica completamente diferente.

Você que fala em métrica,

A principal métrica que a gente pode usar é a Bolsa de Nova York.

Pelo que eu entendi,

A gente voltou para 2016,

Quase 2015,

Não é isso?

Eu acho que.

.

.

Enfim,

Eu não tenho os números de referência,

Mas eu acho que estou muito próximo disso.

Quem sabe até um pouquinho mais para baixo.

Mas eu ainda acho que é um caminho.

Não vou aqui fazer prognóstico de mercado,

Aquilo não me cabe,

Mas eu ainda acho que a Bolsa está refletindo um presente.

Uma percepção ainda equivocada do que será isso tudo que até você mesmo descreveu.

De como as pessoas,

Dentro de uma nova consciência,

Vão se dar conta do que elas realmente precisam.

E uma Bolsa que é totalmente formatada em cima de uma indústria mundial de consumo,

Sem esse consumo desenfreado,

Eu não sei nem qual é o preço dela.

A gente estava falando um pouco mais cedo sobre que agora é uma construção e não é uma reforma,

E não dá para pegar e fazer o plano através da mesma planilha.

Eu acho que tem que trocar de programa.

Eu estou começando a achar que nós vamos ser a última geração que existia Bolsa de Valores.

Sem querer fazer um papo bonito,

Mas os valores são outros.

Eu fico pensando nas crianças que estão em casas presas hoje em dia,

E que vão sair dessa e vão olhar e ver os pais nessa situação.

O que sobra desse mundo,

De fato?

Se a Bolsa vai servir como métrica,

Não.

Se de vez essa ilusão de que ela serve para alguma coisa,

Para esse mundo que surge,

Se essa ilusão vai continuar.

Sem querer ter nenhuma pegada revolucionária,

Mas eu fico pensando que para essas crianças,

Para esses pré-adolescentes e para esses adolescentes que estão em casa,

No médio prazo,

Se isso vai continuar sendo uma métrica.

É,

Difícil dizer.

Eu só consigo,

Quando te ouço,

Me lembrar daquela história famosa do Enrico Fermi,

Aquele físico que foi muito importante no desenvolvimento da bomba atômica.

Quando perguntaram para ele,

Lá pelos anos 1950,

Como é que ele achava que ia ser disputada a Terceira Guerra Mundial?

E ele tem uma resposta que é inesquecível.

Ele disse,

A terceira eu não sei,

Mas a quarta vai ser com arco e flecha.

Não vai ser uma escolha da humanidade.

Todo mundo hoje em dia já chegou à conclusão que o excesso de tecnologia não está deixando ninguém mais feliz.

Talvez a tecnologia comece a ser usada para que a gente tenha uma volta a algo um pouco mais humano.

Sem ter nenhum tipo de manifesto na bomba aqui,

Mas de olhar e falar,

Putz.

Amigões,

Vocês me permitem um momento de formação de ciências humanas,

Coisa do século XX.

Eu venho daí.

Ora,

O nosso sistema nunca se propôs a ser um sistema para deixar as pessoas mais felizes.

O objetivo desse sistema,

Exatamente como foi desenhado,

Foi para garantir controle.

Controle de comportamento,

Controle de energia,

Controle de decisões.

É um sistema que foi sendo azeitado com uma lógica própria,

Sem que existisse um ou outro protagonista que fizesse o design,

Mas o design era muito claro.

Você ter a sensação o máximo possível que você está fazendo escolhas,

Na verdade,

Você continua um escravo.

E se você tem alguma dúvida disso,

É só você se lembrar daqueles momentos súbitos de consciência quando você estava tarde no shopping e uma vozinha dentro de você como que acordava e dizia na sua cabeça,

O que raios eu estou fazendo aqui mesmo?

Então,

Nós fomos educados e treinados e condicionados a esse lugar de escravo.

Então,

É importante a gente reconhecer,

Sem necessariamente ter uma vocação tão ativa de revolucionário,

Que tudo isso é uma oportunidade maravilhosa.

As cadeias de controle exteriores estão desorganizadas.

Elas estão desorganizadas.

Restam apenas as nossas cadeias de controle interiores.

Se a gente conseguir agora fazer um trabalho,

Um mutirão de investimento em superar os próprios medos,

Os próprios bloqueios,

As próprias fantasias a respeito da nossa própria identidade,

A gente tem uma oportunidade de atingir uma autonomia que não estava prevista no escrito até então.

Não sei se vocês concordam.

Estou só fazendo uma provocação em cima da sua.

Mas passa o criado no zoológico,

Se solto,

Consegue voar?

Se ele esquecer da jaula,

Sim.

A sensação que eu tenho é que todos estão querendo voltar correndo para a gaiola.

A gaiola do tempo curto,

Do escritório,

Do trabalho.

Pelo amor de Deus,

Como é que eu vou responder para alguém que eu não quero ir lá?

Eu acho que tem uma coisa aí.

.

.

Não sei se vocês lembram do Sonho de Liberdade,

O filme do Tim Robbins e do Morgan Freeman.

E tem um momento em que o Morgan Freeman é liberado.

Ele recebe lá a condicional e sai.

E ele começa a descrever ali o que é viver no medo.

Porque ele é exatamente esse pássaro que passou a vida inteira.

Aos 18 anos ele ficou enjaulado.

E ele vai falando desse medo.

Porque não deixa de ser o conforto num cativeiro.

Apesar de ter um termo em inglês,

É o mal conhecido.

The evil you know.

Então você tende a querer voltar para um lugar conhecido,

Por pior que ele seja.

Mas acho que se você realmente fica um tempo fora e consegue mudar a sua atenção,

Que é a história de você não tentar reformar a casa e sim construir uma nova,

Aí você vai perceber o verde todo por sua volta.

Mas se você conseguir continuar agindo com o mesmo condicionamento que você tinha dentro da prisão,

É claro que ele é muito mais eficiente num ambiente de prisão.

E trazendo um componente extra que todas as gaiolas estão sendo libertadas nesse momento.

Os pássaros,

Mesmo que virtualmente,

Estão se encontrando por aí.

E quem diria que o lugar de maior liberdade que a gente ia encontrar como civilização ia ser dentro de um confinamento,

Né?

Essa é a melhor história.

Mas essa é a parte mais genial da história.

Porque esse é o único jeito.

Essa comprova realmente que os caras que estão lá usando o controle remoto do meu avatar estão se divertindo como nunca.

Mas vejam,

Mas não há.

.

.

Vejam,

Vejam,

Vejam.

Essa história é contada há muito tempo.

Essa história é contada há muito tempo.

Diz a lenda que os sábios de antigamente,

Que tinham a resposta de libertação da humanidade,

Entenderam que esse poder era grande demais para entregar para uma raça tão primitiva.

E eles pensaram assim,

Vamos deixar esse poder muito bem guardado até que eles amadureçam o suficiente.

E eles concordaram que esse era o caminho.

Então eles pensaram,

Onde a gente vai guardar e esconder esse poder de um modo que eles só tenham acesso a ele quando eles estiverem prontos?

E depois de muito deliberar,

Eles chegaram na resposta perfeita.

É simples.

Vamos guardar esse poder dentro deles.

É o único lugar onde eles nunca irão procurar.

Exatamente.

Então.

.

.

E é engraçado que a gente amadurece quando uma menina de 16 anos vai na ONU e fala,

O que vocês estão fazendo?

Que é aí que prova que talvez a gente esteja chegando lá.

Talvez não a nossa geração,

Mas a próxima geração que está vindo.

E aí pode ser só uma esperança minha de olhar e falar assim,

Está dentro da gente.

Eu acho que é um high note bom isso,

Para a gente até pensar em um momento de separação entre nós,

Virtual,

Agora.

Mas eu acho que essa ideia do.

.

.

Esta pequena anedota contada pelo Larry é,

Sem dúvida nenhuma,

Um negócio para a gente passar um tempo pensando.

Realmente o último lugar que você iria procurar era dentro de você.

E por isso que eu acho que talvez seja uma boa oportunidade para usar esse tempo para acessar todas as ferramentas que tem aí hoje para chegar nesse caça ao tesouro.

Sim,

Porque nós não estamos num tempo de progresso.

Nós estamos num tempo de transformação.

Pensem no seguinte,

Pensem por um instante que você é uma lagarta.

Uma lagarta é um ser muito focado.

Tudo que ele quer é consumir.

Consumir,

Consumir verdinhas.

Consumir verdinhas,

Consumir verdinhas.

Mais verdinhas.

Eu quero ficar uma lagarta maior.

Eu quero ficar uma lagarta bem grande,

Bem comprida.

Se possível,

Multinacional.

Eu só consumo verdinhas.

Verdinhas,

Verdinhas,

Verdinhas,

Verdinhas.

Essa é a consciência da lagarta.

Que fome de verdinhas.

Até que em um momento,

Subitamente,

Algo acontece com a lagarta e ela se vê obrigada a se fechar em si mesma num confinamento.

Depois que isso acontece,

Isso vira um casulo.

E dentro desse casulo,

Para desespero dessa consciência de lagarta,

Ela começa a se liquefazer.

Ela vira suco dentro do casulo.

Ela se desmonta.

E ela esquece o desejo de verdinhas.

E quando esse casulo finalmente abre,

Ela nada sabe sobre ela mesma.

Exceto que ela tem uma forma completamente diferente e um anseio esquisito que ela não sabe traduzir.

Exceto que ela descobre que ela é leve.

E ao descobrir que ela é leve,

Bate um vento e ela descobre que ela pode voar.

E aí ela entende que ela não é mais uma lagarta.

Ela é outra coisa.

E ela é um completo mistério.

E que ela precisa de muita fé para explorar essa nova possibilidade.

Porque o tempo das verdinhas já passou.

Então isso não tem nada a ver com o progresso linear das lagartas.

Isso tem a ver com metamorfose.

E é nisso que eu aposto.

Legendas pela comunidade Amara.

Org

5.0 (5)

Avaliações Recentes

Bernadete

June 22, 2024

🙏

Nay

February 13, 2021

Excelente reflexão! 🙏🏼

Professores Relacionados

Loading...
© 2026 Elefantes Na Neblina. All rights reserved. All copyright in this work remains with the original creator. No part of this material may be reproduced, distributed, or transmitted in any form or by any means, without the prior written permission of the copyright owner.

How can we help?

Sleep better
Reduce stress or anxiety
Meditation
Spirituality
Something else