
#04: Era do Aquário - Cemitério de Lideranças
Neste episódio falamos sobre os dias de reclusão, sobre o "o corona são os outros", sobre o nosso Jejum de Certezas e sobre os efeitos do "Feitiço do Tempo "(Groundhog Day). Sobre os Elefantes na Neblina: Três amigos conversam. Um mundo em constante mutação. Buscando jogar alguma luz sobre assuntos grandes, muitas vezes incômodos. Conversando sobre o que é ser um humano em nossos curiosos e complexos tempos.
Transcrição
Amigos que gostam de conversar em tempos interessantes,
Incertos,
Implacáveis.
Com o futuro suspenso e o passado cada dia mais distante,
Estamos aqui estacionados na condição humana,
Na tentativa de fazer uma nova vida funcionar.
Cada dia é um passeio na neblina,
E os elefantes estão soltos.
Não usamos nomes,
Porque somos nós e somos ninguém.
O que importa é a conversa e a vontade de gerar alguma luz.
Yes,
Let it go.
Começa por aí,
Então me explicando uma coisa.
Você quis ficar mais recluso,
Que eu conheço você,
Então você deve ter se mantido um pouco mais distante dessas notícias frenéticas o tempo todo,
De acompanhar tudo o que acontece.
Então me conta um pouco como é que foi o processo de você resolver transformar o confinamento numa certa reclusão.
Cara,
Eu acho que é uma questão de você determinar quais são os países que você quer invadir no inverno.
Historicamente,
Poucas pessoas,
Poucos comandantes tiveram sucesso invadindo mais de um país ao mesmo tempo no inverno.
Os que tentaram dois ou três perderam a guerra.
Você tentar imaginar que vai conseguir lidar com toda a situação interna,
Blindado de tudo que vem externo,
É uma das maiores utopias que existem.
Então o que tem de real,
Absolutamente real,
Você tem uma superpopulação.
Superpopulação,
Eu digo qualquer um que seja mais do que duas pessoas ocupando o mesmo espaço.
Duas já é superpopulação.
Então você tem uma população para lidar,
Cada um vai acordar de um jeito independente de qualquer coisa,
Você não precisa trazer nenhum elemento exógeno para dentro desse maior experimento psicológico que existe.
Muito interessante.
Não é simplesmente escolher qual é a batalha,
Como você vai lutar a guerra.
E realmente não dá para invadir os dois países,
A menos que realmente tivesse um discernimento,
Um treinamento,
Que eu humildemente tenho a absoluta certeza que não tenho.
O que eu acho mais fascinante no que você acabou de dizer é que basta o convívio com o outro sem nenhuma alternativa para você aprender tudo sobre a falta de controle e sobre o verdadeiro tamanho que o teu ego deve ter.
O elemento Corona,
Ele é o cherry on the cake,
Ele é basicamente a história que a gente está contando para poder lidar com esse experimento psicológico sem poder sair mesmo.
Mas a verdade é que não precisaria nem ele existir,
O que está acontecendo por si só já é suficiente.
Eu acho que o Sartre diria,
O Corona são os outros.
Nossa,
Genial,
Perfeito.
Sabe que eu queria dividir uma coisa com vocês,
Eu participei hoje de um webinar com aquele psicólogo americano,
O Robert Keegan,
E tinha gente do mundo inteiro,
Foi bem interessante inclusive a forma que eles fizeram,
Mas o que eu achei mais interessante de tudo foi o quanto ele não tinha nada a dizer,
Ele foi lá com toda a vulnerabilidade e ele falou eu também estou tentando entender,
Eu acho que agora o momento é de se conectar consigo próprio,
E eu acho que ele trouxe alguns pontos muito interessantes do ponto de vista de quem está olhando,
Que pela primeira vez,
Acho que na vida dele,
Ele é um cara de 73 anos,
Está vendo a espécie inteira humana olhando para uma coisa num foco só,
Nós que estávamos tão distraídos,
Tão perdidos em outras coisas,
Pela primeira vez,
Todos nós estamos focando numa coisa só,
Tinha até umas 200 pessoas lá,
O quanto verdadeiramente ele estava se colocando e falando,
Eu não sei,
Eu também me sinto que eu não estou legal,
Eu também não estava afim de fazer esse webinar,
Assim,
Eu vejo e falo assim,
Como esse coronavírus está realmente tirando os véus e também permitindo que as pessoas sejam mais verdadeiras nesse momento.
Eu fico muito feliz de ver,
Inclusive,
Que alguém tão importante quanto o Robert Kegan está assistindo Os Elefantes na Neblina,
Para não citar assim,
Tão literalmente,
E eu acho que esse é um dos outros aspectos,
Como nós estamos vivendo todos a mesma coisa,
Nós vamos nos repetir,
Nós vamos ser câmera de eco uns dos outros com muita força,
Mas você falou um ponto aí que eu queria puxar,
Se vocês permitirem,
Que é assim,
Como essa atitude dele,
Essa atitude de absoluta vulnerabilidade e certa desorientação,
Me parece hoje em dia a marca registrada daqueles que podem minimamente servir como líderes,
Eu acho que o líder maduro nessa situação é justamente aquele que pode admitir que olha,
Eu não sei bem,
Mas vamos tentar descobrir,
E eu acho que é o que acontece em alguns países um pouco mais avançados em termos de maturidade psicológica,
Enquanto por aqui,
Não sei se vocês concordam,
Uma coisa que me incomoda é como o líder está sempre preocupado em dar a impressão para as pessoas de que está tudo sob controle,
Quando na verdade não tem absolutamente nada sob controle,
Então parece que ele está contando historinhas mal contadas para tentar acalmar as crianças,
Sendo que em pouco tempo essas histórias se tornam apenas isso,
Lorotinhas,
Isso me parece um aspecto muito importante do que a gente está vivendo,
Eu acho que tem o fim de uma certa espuma aí acontecendo,
Vocês entendem o meu ponto?
Eu concordo muito,
Eu só queria trazer um conceito a mais que eu li esses dias que define muito bem o que você está falando que é,
A gente está vivendo o in between worlds,
A gente está no meio de dois mundos,
Um que claramente acabou,
Um que está para nascer e que essas questões de como você lidava no passado,
De como você liderava,
De falar está tudo bem,
Vai estar tudo certo,
Qualquer pessoa com o mínimo de sanidade,
Inclusive que até com um aspecto de sobrevivência nesse lugar da liderança,
Sabe que não vai ser verdade.
Eu acho que uma coisa que eu tenho percebido,
Não pode ser que eu estou acompanhando tão de perto,
Porque realmente me desconectei bastante de notícias específicas desse front,
Mas falando com um amigo ontem que acompanha diariamente o Trump,
Que o Trump vai todos os dias na TV,
E ele vem sentindo como vem mudando,
Acho que não a mensagem,
Mas a forma como ele tem tentado se comunicar,
E esse amigo mesmo me falava de como as certezas do Trump foram diminuindo,
Foram se esvaindo,
Como cada vez que ele vinha falar ele percebia que o que servia no dia anterior para ele,
Não servia mais naquele dia,
E não sei quem me disse uma vez que a pior das obesidades,
A mais mórbida das obesidades,
É a obesidade das certezas,
E eu acho que é isso que você está falando,
Larry,
Hoje o cara que admite que não tem certeza,
Ou melhor,
Que não tem ideia nenhuma de para que lado vai,
É a pessoa com quem você pode se identificar mais e pode provavelmente confiar mais.
E é interessante porque,
No fundo,
A gente vinha escolhendo os nossos líderes até então muito mais pelo potencial de entretenimento deles,
E agora,
Quem precisa de um animador de auditório no poder,
Nós precisamos de alguém que tenha maturidade para tomar decisões muito difíceis,
Que envolvem dilemas éticos,
Morais,
Humanos,
E nós temos muito poucas pessoas preparadas para isso e por responsabilidade nossa,
Porque nós fizemos uma seleção natural de líderes apontando na outra direção,
Quer dizer,
Nossa máxima culpa,
Nós vivemos a vida como se ela fosse um reality show,
Então nós escolhemos e demos mais votos para aqueles que pareciam mais interessantes e mais divertidos,
Não como se a realidade fosse alguma coisa que fosse prevalecer,
E agora nós estamos todos tendo que lidar com essa mudança de perspectiva,
A realidade ficou real.
E não vem então um vácuo agora,
Porque nós vamos precisar de algumas decisões de cunho governamental para poder dar sequências aqui e decisões que vão vir de líderes muito pouco credenciados,
Como é que vai ficar esse vácuo,
Quem é que vai preencher isso e pôr um rápido?
Algum de vocês tem o endereço de e-mail da Angela Merkel?
Ela está deixando lá,
Quem sabe,
Ela vem para cá.
Talvez fosse o caso,
Eu consigo escrever em alemão para ela,
A gente bola as perguntas e manda,
Se você fosse presidente do Brasil,
O que você faria,
Por favor?
Teria que abrir uma franquia para os Estados Unidos também,
Não é que tem cara muito melhor em algum outro lugar.
Complementando a pergunta do Larry Gould,
Pensando muito nisso que eu vivi hoje nesse webinar do Robert Keegan,
De alguma forma a minha seeking mind ficou um pouco desapontada,
Quando ele não trouxe nada de novo,
Quando ele se vulnerabilizou e quando faltou um conteúdo mais assertivo sobre o que fazer.
Eu acho que é a coisa mais honesta e maravilhosa que ele podia fazer,
Mas é o que nós não estamos acostumados.
A gente está acostumado com algum insight novo,
Com uma receita,
Alguma coisa nova.
Eu fico pensando muito isso nas nossas lideranças,
Uma vez que fica claro que os líderes não sabem o que fazer next,
Quais são as verdadeiras habilidades que a gente pode esperar deles ou se,
De fato,
A gente vai ter que acabar com essa ideia de que existe uma liderança e a gente talvez tenha que ter uma liderança coletiva,
Outros modos de a gente ir para frente sem que a gente precise de uma persona no lugar de quem está liderando.
Olha,
Larry Snow,
Eu acho que fica muito difícil a gente imaginar essa transição para um mundo sem líderes,
Sem líderes pessoais,
Sem antes nós sermos guiados por líderes bem visionários e com personalidades muito fortes.
Agora,
Eu sou muito otimista em relação a isso.
Um velho ditado alquímico dizia,
A natureza odeia o vácuo.
Então eu acho que onde surgiu esse,
Fica muito claro,
Esse vácuo de lideranças,
Simplesmente esse vácuo vai produzir novas lideranças e essas novas lideranças vão ser testadas rapidamente pela pressão dessa nossa grande transição planetária,
Dessa crise que vai ser muito longa e desafiadora e simplesmente a gente vai descobrir com mais algum tempo quem são as lideranças verdadeiras.
Eu pessoalmente acredito que os líderes que vão persistir são aqueles que vão começar a tratar as pessoas de uma forma mais adulta e que vão entender que ninguém tem a cabeça grande o suficiente para compreender toda a situação e chegar nas respostas certas e que vai abrir para uma grande discussão em larga escala e vai ajudar apenas a capitanear as melhores conclusões.
Eu acho que isso é um pensamento bem otimista,
Mas para mim é uma questão de tempo que as coisas avançem nessa direção.
Uma pergunta então,
Você acha que o cara que traz,
Hoje que eu digo é assim que o mundo voltará a ser,
Alguma coisa que pareça com uma normalidade,
Traga um projeto de mineração de ouro com pequeno escoamento de mercúrio,
O cara vai ser visto como um pedófilo,
Vai ser nesse nível de mudança que a gente vai ter?
A gente pode esperar que a visão de business mude completamente de pronto assim?
Você acha que esse vácuo do business vai ser ocupado rápido com as ideias boas que ficaram engavetadas até agora?
Olha,
A minha leitura é a seguinte,
Mais ou menos há uns 40 anos,
Os outros problemas todos do mundo entraram,
Foram para o segundo plano,
E de uns 40 anos para cá parece que surgiu um consenso no mundo de que a única coisa que importava era você ter dinheiro.
Se você tivesse dinheiro,
Você resolvia qualquer outro problema.
Antes,
O dinheiro era importante,
Como sempre foi,
Mas nós tínhamos problemas de guerra fria,
Nós tínhamos problemas variados,
Nós tínhamos crises culturais.
Nos últimos 40 anos,
Parece que a única coisa que importava realmente era ter dinheiro.
Se você tivesse dinheiro e você criasse o máximo de eficiência no sistema,
Visando mais dinheiro,
Você resolvia o resto,
Você ia ter conexão,
Você ia ter poder,
Influência,
Você ia ser bonito,
Você ia ser saudável.
Ultimamente estavam até flertando com a fantasia da imortalidade,
Se você fosse um bilionário.
Para mim,
O que aconteceu nos últimos 40 anos foi isso,
A tentativa de resolver todos os problemas da humanidade a partir de um índice só.
Com essa intervenção da natureza e do destino nas nossas vidas,
Que nós estamos todos assistindo,
Eu acho que é esse modelo que levou um golpe mortal.
E com isso,
É claro que o dinheiro continua importante,
O business continua importante,
Mas eu estou muito convencido de que vai ser antistético você tomar iniciativas que visem exclusivamente isso,
Porque quando essa transição passar,
As pessoas pelo menos vão ter recuperado uma mentalidade que,
Na verdade,
Não é nem tão futurista assim,
Uma mentalidade mais próxima da realidade,
Antes do pós-moderno que foram esses últimos 40 anos.
Posso fazer uma provocação?
A pergunta que eu fico é se o pessoal não vai continuar fazendo isso lá no meio da África sem ninguém saber e pregando os melhores conceitos e as melhores práticas no mundo desenvolvido.
Qual é o tipo de controle que sai dessa crise também?
Se a gente vai conseguir ter mais controle sobre as coisas ou a gente vai acreditar mais de que o mundo se autorregula para um lugar melhor?
Larry Snow,
Eu vejo de uma maneira bem diferente essa história.
Para mim é o seguinte,
A história do mundo é definida por aquilo que é o topo da consciência,
Sei lá,
De 10% a 20% da população.
Para mim está muito nítido que nós vamos ter décadas de bagunça e,
Portanto,
Nessa bagunça vai ter de tudo.
Posso dizer que a gente tem todos os tempos da história da humanidade existindo simultaneamente.
Se você viajar o bastante,
Vai encontrar gente que vive na Idade da Pedra,
Vai encontrar gente que vive na Idade Média,
Vai encontrar todas as épocas da nossa história.
E isso não vai mudar de repente.
Então,
Pelo amor de Deus,
Longe de mim querer dizer que em cinco,
Dez anos vamos estar todos iluminados,
Funcionando juntos na direção de como o mundo tem que ser.
Eu não acho isso.
O que acho é que as pessoas bem informadas,
Que fazem parte do fórum de ideias e de iniciativas da nossa civilização,
E essas pessoas sempre existem,
Vão ter um consenso numa certa direção,
Que é diferente do consenso que havia 40 anos atrás,
Que se montou e que durou 40 anos mais ou menos.
Acho que nós vivíamos numa civilização que era financeira.
E o resto vinha depois.
Isso acho que vai mudar na cúpula das pessoas,
Na cúpula da humanidade.
Mas,
Francamente,
Vai ter muita bagunça.
E vai ter,
Pelo mundo afora,
Gente funcionando em todas as épocas por séculos,
Imagina.
Eu queria fazer uma colocação aqui.
Eu tenho muita curiosidade de entender o que vai ser o aftermath psicológico dessa operação toda.
Eu não acho que vai ser um processo de recuperação instantânea,
Como pode ser até em alguns outros aspectos,
Mas acho que esse vai ficar por um tempo em todo mundo.
Até porque,
Pelo que se desenha,
Não vai ser um processo de duas semanas.
E aconteceu uma coisa muito interessante comigo,
Em especial,
Que eu fiz uma migração da cidade para o campo.
E,
Nos primeiros três dias,
Eu percebi em mim,
Em especial,
Quase que uma sensação daquele cara que ficou num cativeiro e estava com medo de sair do cativeiro e não estava sabendo administrar a liberdade.
Ao contrário,
Estava me incomodando profundamente,
Quase com uma sensação de não merecedor de ter direito a ver um céu de perto.
E isso porque nós estamos falando de.
.
.
Eu estava dez dias em Clonjuraba,
Nada além disso.
Como é que isso fica depois de meses?
Como é que fica uma família,
Um cidadão que está ali depois de meses,
Acostumado a viver aquela situação quase como naquele filme O Feitiço da Marmota,
Não é?
Acho que é o Groundhog Day,
Não me lembro.
O Feitiço do Tempo.
O Feitiço do Tempo,
Exato.
Onde as pessoas estão tendo que reviver os mesmos dias todos os dias da vida.
Como é que é o aftermath disso?
Como é que é uma sociedade que,
Num belo dia,
A porta abre?
Olha,
Primeiro,
Vai haver um trauma.
E o trauma nem sempre é uma coisa ruim.
O trauma às vezes é simplesmente uma experiência tão intensa que você não consegue mais passar o largo dela.
Eu acho que vão acontecer coisas simultâneas e vão ser reações muito diferentes.
Eu imagino que algumas pessoas vão simplesmente querer ir ao encontro de outras pessoas e abraçar,
Interagir,
Trocar afeto e se dar conta,
De uma maneira muito óbvia,
Como nós somos seres gregários e nós existimos para nos relacionarmos.
Ao mesmo tempo,
Eu imagino que hajam pessoas que tenham muita dificuldade depois do confinamento de voltar para uma vida de convívio e que desenvolvam quase que uma agorafobia.
Sem falar o palavrão,
Mas agorafobia quer dizer medo de ficar no espaço aberto.
Eu acho que isso é muito possível também.
A imagem que eu tenho usado,
Rapazes,
É.
.
.
Eu acho que,
Com essa crise,
Um Deus resolveu apertar o tubo de pasta de dente da humanidade no meio.
Uma parte da pasta vai esguichar para cima.
Uma parte da pasta vai escorrer para baixo.
Para mim,
Essa crise vai dividir as pessoas em dois grupos muito nítidos.
E algumas pessoas vão ficar mais progressistas,
Mais sensíveis,
Mais abertas e vão entender que a perda do mundo passado tem componentes bons e tem muita gente que vai ter a vivência completamente contrária,
Vai ficar amargada e traumatizada e muito apegada àquilo tudo que perdeu.
Eu vejo que a maior parte das pessoas com quem eu falo hoje vivem dilemas muito claros.
Não só as pessoas estão com medo de passar por algo que,
Nesse caso,
Contrair o vírus,
Mas a ideia de poder contaminar o outro é uma coisa que traz uma novidade nessa questão toda.
Então eu vejo pessoas com dilemas enormes vivendo isso e algumas entendendo que a única situação que elas podem tirar disso é se desapegar da ilusão de que existe algum controle e outras que estão indo para um lugar muito sombrio de que a vida como ela era antes era muito mais fácil.
Mas,
De certo modo,
Acho que a gente precisa também levar em conta o quanto tudo isso que está acontecendo,
De alguma forma,
Já fazia parte do imaginário coletivo.
Ou seja,
Por incrível que pareça,
Eu acredito que em algum nível nós estávamos esperando que algo assim acontecesse.
Não sei se vocês têm essa mesma impressão.
Vocês conhecem a história do Remote Viewing Project?
Já contei essa história para vocês?
Não.
Não me recordo.
Então escutem essa.
Essa é uma das boas histórias que eu tenho para contar.
No auge da Guerra Fria,
A CIA descobriu que a KGB usava videntes camponesas para tentar identificar a localização de silos atômicos americanos.
Então essas videntes ciganas supostamente eram muito poderosas e elas pegavam um mapa dos Estados Unidos e diziam para a KGB,
Olha,
Aqui tem um míssil,
Aqui tem um míssil,
Aqui tem um míssil.
Bom,
Essa história por si já é bem interessante.
Mas mais interessante ainda é a resposta que os Estados Unidos desenvolveram para essa ameaça.
A CIA conseguiu dinheiro de um comitê de segurança do Congresso e montou o Remote Viewing Project.
Que é o quê?
Era o quê?
Bom,
Eles não tinham videntes ciganas e eles então desenvolveram uma coisa muito americana.
Eles pegaram voluntários e eles selecionaram alguns milhares de voluntários e eles molaram um protocolo como se cada um desses voluntários fosse um vidente.
E eles entrevistavam e faziam perguntas de visualização de onde estariam os mísseis russos para todos esses voluntários.
E depois eles tiravam a média e eles faziam por estatística,
Como se fosse uma versão democrática da evidência cigana.
Muito bem,
Por que estou contando essa história?
Porque no fim do Remote Viewing Project eles resolveram fazer algumas outras perguntas que não diziam exatamente respeito à localização dos mísseis russos.
E uma das perguntas que chamou mais atenção na resposta foi como você imagina a vida na América por volta de 2040?
E isso,
Vejam bem,
Nós estamos falando do fim dos anos 60,
Tá bom?
Parece que 70% das pessoas que não tinham treino,
Nenhum dividência,
Descreveram mais ou menos um cenário sem governo central,
Onde existiam cidades,
Que eram quase que cidades-estados,
Umas mais desenvolvidas,
Outras mais primitivas,
Que coexistiam sem que existisse mais o governo central americano.
Isso chamou muito a atenção deles,
Porque eram 70% das respostas.
Então,
De alguma forma,
A possibilidade de um mundo muito diferente,
Quase meio Mad Max,
Já estava previsto no imaginário das pessoas espontaneamente no fim dos anos 60.
Quando você me fala isso,
O quanto isso já está no imaginário das pessoas num cenário quase apocalíptico ou pós-apocalíptico?
O quanto nós fomos avisados sobre uma pandemia por filmes,
Por TED Talks,
Pelo Bill Gates e por tudo mais?
Agora,
O que eu acho mais interessante de tudo,
E eu queria entender um pouco mais,
Por que essa dissonância cognitiva?
Eu acho que é a mesma história que a gente vê com o crescimento global,
Que é nós estamos sendo avisados.
Por que nós não conseguimos nos preparar para isso?
Eu ia até entrar nesse tema interessante dessa.
.
.
Parece ser uma surpresa,
Né?
Dessa capacidade de regeneração da terra.
Vamos dizer o que a gente tem visto ali,
Níveis de poluição caindo drasticamente,
As águas límpidas nos canais de Veneza,
Essas coisas todas.
Eu montei aqui um sistema de coletar notícias só positivas,
Né?
Como co-criador de uma.
.
.
Vou fazer o meu papel de co-criação de realidade boa aqui.
Será que isso pode virar até uma profecia autorrealizável nesse aspecto?
Será que a gente,
Enxergando que talvez a gente não tenha passado completamente do ponto já que com essa mínima exclusão do homem na sua relação,
Vamos dizer,
Promíscua com a terra,
Já regenerou tão rápido o tanto?
Será que isso não pode ser uma referência para a gente que é possível talvez reverter esse quadro caótico que o nosso inconsciente coletivo está projetando e co-criando?
Eu sou latejantemente otimista,
Muito comprado nessa tua opção.
Acredito demais que o problema maior dos seres humanos é a falta de repertório.
Passamos séculos e séculos temendo a nossa imaginação como se a nossa imaginação,
Se ela tivesse um pouco de espaço,
Fosse nos levar à loucura.
E acho que essa foi a maior estratégia de dominação da história humana,
Porque a nossa imaginação,
Efetivamente,
É muito domesticada e o que nos falta é repertório para imaginar novos cenários.
Libertar a imaginação é uma tarefa de vida inteira e é extremamente difícil.
E estamos tendo aqui,
Agora,
Oportunidade de experimentar situações que eram difíceis até de imaginar,
Quanto mais de viver.
Vivendo isso que você descreveu,
Vamos ter um repertório aumentado para onde podemos ir.
E acho que isso vai nos fazer muito,
Muito bem.
Gosto muito dessa ideia de que estamos ganhando novos repertórios e estamos ganhando novos papéis também.
E hoje está todo mundo atrás de uma tela,
Com a família passando atrás,
Com o cachorro,
O periquito,
O papagaio,
As crianças passando.
Somos todos muito iguais.
Tem uma nova socialização do mundo.
Os papéis estão muito mais misturados e no meio da neblina.
Depois do que sai?
Se o CEO continua tendo tanto status quanto o CEO.
.
.
Ah,
Larry Snow.
Acho que estamos vivendo uma época que,
Respeitosamente,
Ameaça ser do cemitério dos CEOs.
Aliás,
Podemos ceder para eles o que era antes o cemitério dos elefantes,
Uma vez que os elefantes estão soltos.
Podemos colocar esse lote disponível para os CEOs.
Legendas pela comunidade Amara.
Org
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