
#07: Liberdade Condicional - Egos & Atropelamentos
Neste episódio falamos da sensação de quase explodir, sobre o atropelamento necessário dos nossos egos e sobre as mudanças da vida. Sobre os Elefantes na Neblina: Três amigos conversam. Um mundo em constante mutação. Buscando jogar alguma luz sobre assuntos grandes, muitas vezes incômodos. Conversando sobre o que é ser um humano em nossos curiosos e complexos tempos.
Transcrição
Amigos que gostam de conversar em tempos interessantes,
Incertos,
Implacáveis.
Com o futuro suspenso e o passado cada dia mais distante,
Estamos aqui estacionados na condição humana,
Na tentativa de fazer uma nova vida funcionar.
Cada dia é um passeio na neblina,
E os elefantes estão soltos.
Não usamos nomes,
Porque somos nós e somos ninguém,
O que importa é a conversa e a vontade de gerar alguma luz.
Eu tenho uma pergunta para vocês,
Qual vai ser a primeira transgressão verdadeira da quarentena pessoal que vocês vão fazer?
Aquilo que vocês vão dizer,
Não,
Agora eu vou correr esse risco,
Azar,
Eu escolho,
Eu sou adulto,
Eu vou fazer isso mesmo não sendo muito seguro.
Pode imaginar um momento futuro em que já esteja oficialmente liberado para sair de casa,
Então não estamos fazendo nada não recomendável,
Mas nós sabemos perfeitamente que essa liberação vai acontecer muito antes de ser seguro.
Então qual é o primeiro risco que vocês pretendem correr?
Eu acho que o primeiro risco que eu pretendo correr é visitar pessoalmente todas essas promessas que eu tenho feito de mudança para mim mesmo.
Quando você disse que só existem dois tipos,
Os que dividem e os que não dividem,
Eu quero olhar para os momentos e as relações onde eu estive no primeiro plano,
Para que eu possa realmente estar sempre consciente no segundo plano.
E para isso,
Eu acho que esse é um risco mesmo,
Um risco de revisitar esses lugares todos com a mesma coragem que eu tenho hoje quando eu estou aqui protegido em quatro paredes só com as minhas ideias.
Eu estava indo para um caminho um pouco mais mundano,
De pôr o pé na areia,
De conseguir provar um pouco dessa liberdade,
Mas eu acho que esse ponto que você tocou mudou meus pensamentos totalmente.
Você falou tudo na sua resposta,
Que é,
Será que eu vou conseguir viver essa nova vida diante dos padrões que eu estou imaginando agora que eu tenho esse meu momento de pausa na minha quarentena?
Será que eu vou conseguir segurar e não voltar para o meu papel encaixado na matrix que eu vivia?
Esse,
Para mim,
É um risco muito maior do que o meu risco de colocar o pé na areia,
Evitar meus amigos,
Evitar as pessoas que eu amo.
Para mim,
Claramente,
Eu me descubro um cara muito tátil e eu estou louco para poder beijar e abraçar as pessoas que eu gosto por aí.
Esse negócio de ficar cumprimentando as pessoas,
Dando chutinhos ou batendo cotovelos,
Para mim não tem graça nenhuma,
Para mim nada substitui um bom abraço.
Eu gosto de dar beijos,
Sou beijoqueiro,
Então,
Meus riscos vão começar por aí mesmo.
Uma hora eu vou chegar e dizer,
Tá bom,
Vírus,
Mas eu preciso me expressar aqui,
Vai ser difícil.
Eu até queria fazer uma colocação aqui para os dois.
Uma coisa que me ocorreu é que a gente viu muito essa quarentena como uma excelente oportunidade de olhar para dentro,
De treinar mais,
E desenvolver outros aspectos ultra-negligenciados,
Seja psiquê ou seja,
Da nossa parte espiritual.
Mas,
Jovens,
Eu tenho a impressão,
Cada dia mais,
Que isto não é treino,
Isto já é o jogo.
E,
Como diria o Tiger Woods,
Quando você aprende um swing novo,
E quando você aprendia um swing novo,
A maior dificuldade dele é,
Na hora que ele começava a errar durante o jogo,
Não querer voltar para o swing antigo,
Porque precisava de muito tempo entre estímulo e reação para que realmente não viesse o padrão de usar o estímulo antigo.
E a gente aqui,
A impressão que eu tenho é que ele já está no jogo,
E que,
Sim,
Alguns têm essa possibilidade de olhar para dentro,
De gastar mais tempo se observando,
E eu acho que,
Talvez,
Observar essa ação seja até mais interessante agora do que pensar em como treinar mais,
Não é?
Eu gosto muito disso que você falou,
Porque eu acho que já é jogo,
Concordo.
E eu acho que é um novo jogo,
Com novas regras,
A gente está sentando numa mesa de gamão com carta de baralho.
Você consegue se relacionar minimamente com aqueles jogos?
Você sabe algumas regras,
Mas tem uma temporalidade,
Um frame ali que é completamente diferente.
Uma coisa que eu tenho pensado muito é que,
Talvez,
Não seja um exagero pensar que tem muita gente renascendo,
Tem muita gente que está passando por uma própria ressurreição do próprio ego,
De parar,
De repensar.
Uma vez que a gente já está nesse jogo,
O que a gente vai levar para esse nosso novo jogo?
O que nessa volta para essa Matrix que a gente está voltando,
O que renasce?
Na minha observação,
Eu acho que esse nosso papo não vale para todas as pessoas que eu conheço.
Eu conheço várias pessoas que estão tratando esse intervalo como um intervalo desconfortável e só estão tentando calcular qual é o caminho mais curto para aquilo que seria a vida anterior.
Por N razões,
E a principal razão,
Eu acho que é muitas pessoas acham que viver é aplicar modelos aprendidos e acham,
Inclusive,
Que é uma ideia meio tola,
Tentar inventar modelos que nunca foram testados e você correr o risco de fazer algum grau de revolução pessoal.
Bem ou mal,
Em geral,
São pessoas que também tendem a achar,
Quando estão mal num relacionamento,
Que não vale a pena se separar,
Porque a próxima parceria vai ser trocar seis por meia dúzia.
Então,
Nós estamos falando de um perfil psicológico,
Que também merece ser respeitado,
Porque,
Afinal de contas,
Eles também podem,
Às vezes,
Acertar,
Enquanto nós acertamos outras vezes.
De qualquer modo,
Me parece que nós fazemos parte daquele grupo que,
Quando imagina uma volta para alguma coisa próxima,
Uma tentativa de mundo como era o mundo antigamente,
Antes de mais nada a gente sente uma profunda angústia,
Porque parece que é uma ilusão.
É como se fosse assim,
Ah,
Cá estou eu caindo na ilusão do velho swing.
Para mim,
Pelo menos,
A questão toda do novo swing do Tiger Woods,
Que o Paul falou,
É que essa é uma grande imagem daquilo que você ainda não sabe e é certeza de que,
Se você não se dedica a aprender um movimento novo,
Você já está fora do jogo.
O golfe da vida que nós estamos sendo chamados a jogar é o jogo de tentar constantemente aprender movimentos novos,
Até que a gente sinta de novo um conforto interior.
E é por isso que eu digo que a quarentena,
De certo modo,
Nunca mais se abandonará.
Nós podemos sair da quarentena e começar a andar pelo mundo de novo,
Mas a quarentena passa a ser uma memória das mais fortes da nossa vida e ela é sempre a lembrança de que nós podemos parar e olhar a nossa vida do lado de fora ou do lado de dentro.
Para mim é claro que,
Para essas pessoas nas quais eu me incluo,
Todo e qualquer equilíbrio e bem-estar depende de vislumbrar um outro futuro,
Algo depois dos 40 dias.
Então,
Algo depois do dilúvio,
Algo depois que o Moisés desce o Monte Sinai,
Algo depois do atravesseiro do deserto.
Pensando que isso seja uma possibilidade,
A gente vai ter que acreditar que tem novos modelos surgindo aí,
Porque isso que a gente está começando a olhar com esse novo olhar não combina muito com a vida da forma como a gente estava levando,
Seja estruturalmente como sociedade,
Seja em termos profissionais,
Até as nossas relações familiares também.
Será que a gente vai ter que reinventar,
De fato,
Um novo modelo para a gente poder viver isso?
Eu acho que tem que ser um movimento global.
Acho que sim,
Eu acho que o movimento é global,
Mas não tem jeito de não ser sempre começar pelo indivíduo.
Eu até me salto aos olhos aquela referência bíblica de Mateus 6.
1,
Que diz alguma coisa na linha.
.
.
Em resumo,
É aquela história do que faz a mão direita e a esquerda,
Não precisa ficar sabendo.
Eu acho que não é mais a história dos movimentos,
Além dos movimentos grandiosos,
Eu acho que são dos pequenos movimentos.
Essa é uma revolução dos pequenos movimentos,
Das revisitas das relações individuais.
Porque é daí,
Se o mundo,
Como a gente comentou,
É uma projeção externa,
Uma condição interna,
Eu acho que é isso.
A gente tem que começar a mudar o indivíduo que vai,
Invariavelmente,
Ter uma repercussão na sociedade,
Nos países,
Nas relações maiores.
Era de peixes é a era das ideologias.
Essa era não pode ser das ideologias.
Então,
Não é porque nós vamos nos tornar escravos de nenhuma ideia que alguma coisa vai mudar.
Aliás,
Uma boa maneira de descrever o mundo que está acabando é que nós estávamos todos aprisionados por uma mesma ideia e agora nós vamos ter a explosão das ideias,
Uma vez que acabou a escravidão da ideia única.
Nessa direção,
Eu confio muito na inspiração e na sensibilidade.
Nós precisamos de uma revolução,
De uma explosão de criatividade que transcende aquilo que nós conseguimos colocar em palavras agora,
Mas nem por isso ela é menos real.
Nós precisamos da certeza de que a gente tem que andar para frente,
De que nós precisamos de ideias novas e nós precisamos,
Dentro do peito,
Daquela pressão que mais ou menos significa assim,
Acho que eu vou explodir,
Acho que eu vou explodir e eu nunca mais vou voltar.
Se nós temos esse ímpeto de olhar para frente e nos arriscarmos,
Eu acredito que nós somos capazes de fazer muitas coisas.
Claro,
Não apenas individualmente,
Mas a grande novidade é essa simultaneidade de consciência,
Todos falando ao mesmo tempo,
Todos escutando ao mesmo tempo,
Todos vivendo em suma as mesmas coisas ao mesmo tempo.
Eu consigo acreditar,
Sim,
Que surjam espontaneamente novos consensos no futuro e esses consensos eles existem de uma forma tão mais natural que se aproxima até de alguma coisa como uma democracia direta,
Que é um tema para ser discutido depois,
Uma vez que essa democracia representativa na qual nós ainda vivemos tem sido uma alternativa cada vez mais vaga diante do caminho da tirania.
Uma vez alguém me ensinou que a gente aprende através dos nossos dilemas.
Através de tantos dilemas,
Dentro de tantas pessoas,
Eu acho que é impossível que a gente não consiga chegar num lugar de consenso,
Não teremos mais caminhos óbvios,
A gente vai ter que,
Os nossos dilemas terão que ser dentro da gente e expostos para o mundo.
E isso talvez me traz mais esperança no futuro.
Temos outra alternativa,
Na verdade eu não vejo muito outra alternativa,
Porque isso é como aquele jogo de War,
Que você defendeu todas as fronteiras e aí de repente vem um que te ataca ali no Alasca e todo mundo imaginava que a gente ia ser,
Nossa aprovação como espécie viria aí dos nossos desafios de sobrevivência dentro dos efeitos climáticos e tudo mais.
E aí de repente vem um negócio que precipita essa consciência,
Só que as outras ameaças continuam no mesmo lugar.
Então é quase como,
Acho que foi o Bi que disse,
É um aquecimento para a gente ter uma oportunidade de se unir de uma tal forma que quando realmente os desafios de uma magnitude como esses que a gente imaginava,
Mas não conseguia tocar ainda,
Vierem,
Me parece que virão,
Não sei em que escala,
Mas alguma mudança climática deve existir,
Que pode precipitar em grandes migrações e algumas outras coisas que vão mexer muito com os países e com as pessoas.
Eu acho que se a gente não tiver realmente dentro,
Nesse outro patamar de relação pessoal e de relação entre países,
Eu acho que nós não teremos oportunidade de passar para o outro lado da piscina.
Com a consciência de que sempre nós vamos ter oposição.
Eu gosto de citar um pensamento que eu queria ter tido,
Que não foi meu,
E diz assim,
Existem dois tipos de pessoas,
As que dividem a humanidade em dois tipos de pessoas e as que não dividem.
Então,
Me parece claro que nós fazemos parte do grupo que não divide,
Mas a gente precisa reconhecer que existe um grupo que divide.
Genial!
Então,
A oposição vai estar lá dada e nós não podemos esquecer isso e achar que é só a gente A trilha sonora do musical Rare,
Todo mundo dá as mãos e ninguém mais cortar o cabelo e vai dar tudo certo.
Vai ser mais complicado do que isso,
Mas concordando com o Gol,
Alguém tem uma ideia melhor?
Eu não tenho.
E o que tem do lado de lá da piscina?
Veja,
Para mim,
O que tem do outro lado da piscina é o que eu chamo do Renaissance Reload.
Para mim,
É um novo renascimento,
Que significa um mundo onde as pessoas estão o tempo todo mais conscientes de o que é ser humano.
E elas têm de novo uma pergunta sobre o que é ser humano no mundo e o que é a vida.
E a gente começa de novo a discutir e entender que essa experiência de estar vivo é algo completamente plástico e um convite à criatividade.
E que no momento em que nós perdemos uma conversa sobre isso,
Nós perdemos o essencial.
Para mim,
O primeiro modelo disso foi a Atenas Clássica.
Foi aquele momento em que,
Sim,
Porque tinha mesmo uma massa de escravos,
Mas todo mundo tinha escravos na época,
Se juntou um grupo de pessoas que fez uma democracia e todo mundo começou a conversar e discutir.
E eles acabaram inventando a civilização ocidental,
Na medida que eles inventaram a razão,
A filosofia,
A pergunta sobre o que é o ser humano.
Então,
O que eu vi do outro lado da piscina é aquela coisa que ficou tão fora de moda nas academias durante tanto tempo,
Que é o novo humanismo.
Você sabe que eu estava ouvindo uma entrevista interessantíssima,
Que eu até recomendo,
Se vocês não ouviram ainda,
Acho que eu até passei para vocês mais cedo,
Do Ray Dalio,
Que é um gestor de fundos americano,
Mas é um cara que lançou no Brasil um livro chamado Princípios.
Ele tem uma retrospectiva de investimento que é muito impressionante.
Nos últimos 20 anos,
Acho que teve um ano negativo,
Uma coisa assim,
Se tanto.
Mas,
Sobretudo,
Ele é um grande historiador.
Ele acredita muito nos ciclos,
Nas pesquisas de história e tal.
Ele estava fazendo um comparativo.
Ele disse que essas grandes depressões,
Esses grandes momentos complexos que aconteceram na história,
Quando você coloca num período longo,
De mil anos,
500 anos,
Que é o que ele estudou,
Eles mal fazem dentes no gráfico.
O que ele quer dizer?
Que essa parte econômica é muito difícil,
Essa parte,
Eventualmente,
Ela se reestrutura.
Você emite dinheiro de um lado,
Puxa do outro.
Alguns países sofrem mais que outros,
Não tem dúvida.
Alguns têm mais acesso à capital.
Você tem muito desemprego.
Enfim,
Essas coisas,
Elas no tempo,
Em dois,
Três anos,
Elas vão se arrumar.
De forma como,
O que mais define é como as pessoas vão se relacionar dali pra frente.
Como vai ser a relação entre classes,
Como vai ser a relação entre países,
Se as pessoas não se derem conta de que a relação que elas tinham,
Essa sim,
Essa consciência de relação com o próximo vai ter que mudar completamente.
Historicamente,
A gente sempre encorreu numa revolução,
Numa guerra.
Então,
A gente tem uma chance de reescrever mais uma vez essa relação de espécie,
De um com o outro.
E essa é uma oportunidade que acontece a cada 75,
80,
100 anos.
E vocês acham que a gente vai conseguir?
Olha,
Eu suspeito que nossa função é falar até ficarmos loucos na tentativa de que a gente consiga.
Afinal de contas,
A gente se diverte com essa conversa,
Mas não vamos nos iludir.
Nós somos elefantes militantes.
Até porque nós falamos pra nós mesmos,
Né?
Então.
.
.
Exatamente.
Se cada um,
Se os três elefantes conseguirem,
Eu tenho a impressão de que o mundo consegue.
Claro.
Se nós conseguirmos,
Há uma chance.
O que para mim é muito nítido é que todos nós precisamos sair numa aventura.
Imaginar que depois de tudo isso,
De sermos surpreendidos desse jeito pela vida.
.
.
Porque vamos combinar uma coisa?
Acho que nem o Bill Gates,
Que fez aquele TED Talk,
Ele está sentado no sofá dizendo que sabia,
Mas não me ouviram.
Ele também está chocado com o que aconteceu.
Imaginar que depois de termos sido tão surpreendidos pelo movimento da vida,
Nós temos minimamente a obrigação de tentar alguma coisa diferente e nos surpreendermos com nós mesmos,
Não é?
Nós temos também que mostrar que nós somos capazes de alguma coisa diferente,
Um pouco menos medíocre do que tem sido o nosso desempenho nesse campeonato.
O que eu percebo é que tem muitos elefantes por aí na mesma ponta que a gente,
Que está olhando e falando.
.
.
Acabando isso aqui,
Eu vou correr atrás de tudo aquilo que eu deixei de lado.
Talvez seja.
.
.
Mas eu acho que é mais do que isso,
Cara.
Eu não acho que seja esse pensamento do que eu deixei de fazer.
Eu acho que é muito mais de você entender como eram as suas relações.
Porque,
De uma maneira geral,
A gente tem uma oportunidade de reconstruir as óticas das relações e a forma como nós vamos fazer essas visitas.
Então,
Saindo daqui,
Eu vou olhar para trás e falar.
.
.
Putz,
Eu quero.
.
.
Vou dar mais valor e olhar para o céu.
Eu acho que essas coisas são válidas.
Mas tem a questão do seguinte.
.
.
Peraí,
Deixa eu olhar aquele cara com quem eu tinha uma relação que ele era invisível para mim.
Quem são essas pessoas que foram invisíveis na minha vida?
Quem foram essas pessoas que eu realmente não enxerguei?
E eu não enxerguei a dimensão delas e eu escolhi não olhar.
Eu acho que essa é a oportunidade que a gente tem.
De fazer esse percurso da invisibilidade.
De ver quem ficou para trás e quem a gente não quer deixar para trás.
Perfeito.
Porque,
Para mim,
O mito da servidão no Egito é isso.
O mito da servidão no Egito são as relações onde tudo se reduz a uma função.
Um escravo é alguém que não é uma pessoa.
Ele é só um trabalho,
Ele é só uma função.
Me parece muito claro que o que o Gol está falando é.
.
.
Ou nós começamos a reestruturar nosso pensamento com um grau de solidariedade diferente,
Que nem é sentimental,
Mas é eficaz.
Ou seja,
Ou nós como humanidade pegamos a sério esse desafio de cuidarmos de todos e realmente colocamos a nossa competência para funcionar nessa direção,
Coisa que é muito questionável se a gente chegou a tentar.
Ou é muito pouco provável que tenha muita gente para contar essa história daqui a alguns séculos.
Porque,
Afinal de contas,
Não é só uma questão de desequilíbrio econômico ou de pandemia.
Muita gente com quem eu converso me diz.
.
.
Nós estamos só no ensaio geral,
Queridos.
Não tem dúvida.
A grande questão é a mudança climática que vem na sequência.
Se nós não estivermos coordenados e solidários e capazes de fazer sacrifícios em vista do todo,
Não vai ter humanidade depois para contar essa história.
É isso que muita gente legal nos diz.
Então,
Do ponto de vista evolutivo.
.
.
Ok,
Igor,
Eu aceito o teu desafio.
Eu vou colocar em palavras qual é a lição de casa.
A lição de casa é você conseguir habitar o planeta não colocando o teu interesse pessoal acima do interesse de todos os outros.
E você fazer isso não porque você é bonzinho e não porque você é obrigado,
Mas apenas porque você entendeu que você é parte de um todo e que a humanidade é você.
Eu vou falar o que você falou de uma maneira ainda mais simplória.
Ou quem levantar primeiro estende a mão para quem ainda está deitado ou três passos depois de ficar de pé provavelmente será atropelado por um ônibus.
Difícil dizer alguma coisa depois dessa imagem.
Ainda estou ouvindo barulhos das ambulâncias.
Conheça seu professor
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