Olá,
O meu nome é Ana e hoje vou guiar-te por uma sessão que te convida a conectar-te com o teu luto.
O luto é algo que faz parte da vida.
Seja o luto porque estás a passar algo pontual ou cíclico.
O luto é sempre um convite a trazermos a nossa consciência para a nossa experiência.
Para olhar,
Para observar.
Hoje não vamos substituir as nossas emoções,
Mas antes testemunhar o que surge.
Esta sessão é para te ajudar a conectar com essa parte de ti,
Poderosa o suficiente para sobreviver a qualquer perda.
E poderosa o suficiente para tornar este momento sagrado.
Enquanto continuamos a tecer a bela e texturada tapeçaria da vida.
Durante a sessão,
Permite-te abrir espaço ao luto.
Deixa-o entrar e ouve a sua mensagem no teu coração.
Para depois o deixares libertares,
Deixando-o seguir o seu ciclo natural.
Então,
Se estás a passar por uma fase de luto neste momento,
Dá-te aqui permissão para que te conectares com o teu corpo.
Com o que o teu corpo está a sentir neste momento.
Abre-te às sensações.
Deixa os olhos fechar suavemente.
Faz algumas respirações.
Podes deixar o ar entrar e ao expirar,
Soltar um suspiro.
E lembra-te de,
Durante esta prática,
Colocar a intenção de te abrir já o que aparece,
Sem julgamento.
À medida que as emoções,
Os pensamentos,
As sensações vão surgindo,
Começa por dar as boas-vindas,
Para depois reconhecer e,
Por fim,
Observar,
Testemunhar.
E faz aqui algum ajuste necessário ao corpo.
Certifica-te de que estás o mais confortável possível.
Repara se há alguma dobra da roupa que te está a incomodar.
Se há algum elástico a apertar.
O que quer que seja que possas ajustar para ficar um pouquinho mais confortável,
Dá-te agora permissão para o fazer.
E agora aqui,
Neste espaço seguro,
Calmo,
Começamos por criar o nosso Sankalpa,
A nossa semente ou intenção para a prática.
E aqui,
Se não tiveres o teu Sankalpa,
Proponho-te que repitas comigo as seguintes palavras.
Reconheço o meu luto como testemunho do meu amor.
Como uma prova da minha força.
E o guia que me conduz em direção ao meu ser mais elevado.
Novamente.
Reconheço o meu luto como testemunho do meu amor.
Como uma prova da minha força.
E o guia que me conduz em direção ao meu ser mais elevado.
Repete-o para ti mais uma vez.
E terás agora à tua mente um sítio que represente um santuário para ti.
Lembra-te ou imagina um momento em que sentiste amor puro.
Em que te sentiste total.
Em que sentiste calma e paz.
E lembra-te desse momento usando todos os teus sentidos.
Traz à tua memória o que vias nesse momento.
O que ouvias.
Vê as cores dessa memória com os teus olhos.
Ouve os sons.
Sente os cheiros.
E repara no que sentes dentro de ti.
Talvez amor.
Amor.
Totalidade.
Talvez calma.
Ou paz.
E observa este santuário.
Os seus sons.
As sensações.
Texturas.
Temperatura.
E convida esses sentimentos,
Emoção de totalidade,
De amor,
Calma ou paz,
A preencherem-te.
E observa onde os sentes com mais intensidade do teu corpo.
Observa esse santuário.
E lembra-te que podes voltar sempre aqui quando precisares.
Durante a prática,
Quando algo não fizer sentido ou for desconfortável,
Podes voltar a este sítio.
A sentir estas sensações.
Convido-te agora a trazer a atenção para o topo da tua cabeça.
Tentando perceber que sensações existem aí.
Talvez pressão.
Formigueiro.
Calor.
Observa apenas.
E convida todo o teu escalpe a relaxar a partir desse ponto.
Quase que como uma onda de relaxamento que sai do topo da tua cabeça e percorre todo o teu escalpe.
Nota as sensações que observas.
Levando agora essa atenção,
Essa observação para a testa.
Sobrancelha direita.
Sobrancelha esquerda.
Para o centro das sobrancelhas.
Olho direito.
Olho esquerdo.
Ponta do nariz.
Bochecha direita.
Bochecha esquerda.
Orelha direita.
Orelha esquerda.
Lábio superior.
Lábio inferior.
Ambos os lábios.
O queixo.
A garganta.
Peito direito.
Peito esquerdo.
Ambos os lados.
O centro do peito.
O umbigo.
Virilha direita.
Virilha esquerda.
A perna direita.
A perna esquerda.
O braço direito.
O braço esquerdo.
O lado esquerdo do corpo.
O lado direito do corpo.
A parte da frente do corpo.
A parte de trás do corpo.
O corpo todo.
Traz essa atenção a todo o corpo.
E convida agora todo o corpo a sentir-se leve.
Traz uma sensação de leveza ao corpo.
Sente-o leve como uma pena.
Como que flutuando aqui.
Leve.
Suave.
E deixa agora essa sensação ira.
E traz a sensação de peso.
Corpo bem pesado como uma pedra.
Sente a gravidade.
Trazer-te junto ao chão.
Sente esse peso todo.
Trazer-te em direção à superfície em que estás.
Corpo pesado.
Impossível de levantar.
E deixa essa sensação ira.
E traz agora a sensação de luto ao teu corpo.
Onde vive o luto em ti neste momento?
Talvez no peito.
No estômago.
Observa se tem uma textura.
A temperatura.
Se é denso.
Leve.
Quente ou frio.
E permite-te senti-lo por inteiro.
Sem te perderes nele.
Apenas observando.
Sentindo.
E deixa essa sensação ira.
E traz agora a ti o contrário do luto.
O que é para ti o contrário do luto.
E traz essa sensação ao corpo.
Repara onde se sentes.
Como se manifesta.
Como é sentir o contrário do luto no corpo.
Não precisa de fazer sentido à mente.
Deixa que o teu corpo escolha.
Sinta essa energia a surgir em ti.
E deixa essa sensação ir.
Permita agora que estas duas sensações dancem entre ti.
O luto e o seu oposto.
Observa como podem coexistir.
Como se podem transformar uma na outra.
Como fazem parte do mesmo ciclo.
Da mesma tapeçaria.
Volta a sentir o luto por um momento.
E depois volta a sentir o seu oposto.
E faz isso mais uma vez.
Sentir.
Soltar.
Sentir.
Soltar.
Como as ondas do mar.
Que vão e vêm.
Como a respiração que entra e sai.
Como a vida.
Que continua a descer.
Dentro de ti.
E traz agora a tua atenção para o espaço.
Enfrente aos teus olhos.
Para o teu céu interno.
Infinito.
Enfrente a ti.
Repara se algo se manifesta aqui.
Talvez formas.
Cores.
Ou talvez pura escuridão.
Repara apenas.
Sem tentar mudar.
Apenas observando.
E agora.
Convido-te a imaginar um momento no tempo em que este luto já cumpriu o seu papel.
Um momento em que o luto já foi feito.
Foi honrado.
Escutado.
Vivido.
O que é que sobra?
Como te sentes depois do luto?
Observa o teu corpo nesse momento.
A forma como respiras.
A forma como te sentes por dentro.
Talvez mais leve.
Mais firme.
Talvez sintas gratidão por aquilo que foi.
Ou aceitação do que nunca chegou a ser.
E fica por uns instantes nesse lugar.
Saboreia essa sensação.
E agora com esse sentimento dentro de ti recorda a intenção que plantaste no início da prática.
O teu sankalpa.
E repete-o interiormente.
Reconheça o meu luto.
Como testemunho do meu amor.
Como uma prova da minha força.
E o guia que me conduz em direção ao meu ser mais elevado.
Reconheça o meu luto como testemunho do meu amor.
Como uma prova da minha força.
E o guia que me conduz em direção ao meu ser mais elevado.
Repete mais uma vez.
Sentindo cada palavra como uma semente viva dentro de ti.
Reconheça o meu luto como testemunho do meu amor.
Como uma prova da minha força.
E o guia que me conduz em direção ao meu ser mais elevado.
E começamos agora a fazer o caminho de regresso.
Traz com delicadeza a tua atenção de volta ao teu corpo.
Senta o teu corpo aqui.
Deitado.
Sustentado pela terra.
Senta os pontos de contacto.
O peso da cabeça.
Os ombros.
Das costas.
Do corpo inteiro apoiado.
Senta a respiração acontecer naturalmente.
Como uma âncora.
O ar entra.
E sai.
Sem pressa.
E começa a expandir a tua consciência para o espaço à tua volta.
Talvez consigas ouvir os sons ao longe.
Talvez sintas a temperatura do ar na tua pele.
Vá-te reconectando pouco a pouco com o momento presente.
Podes começar bem devagar,
Bem suavemente.
A mexer os dedos dos pés.
Movimentos pequenos.
Apenas para recordar o corpo.
Os dedos das mãos.
Se te souber bem,
Alonga-te daqui.
Espreguiça-te.
O que o corpo pedir.
Respira fundo.
E antes de abrir os olhos,
Faz aqui uma pequena pausa.
Para sentires gratidão.
Pelo teu corpo.
Pela tua coragem de sentir.
Pela tua presença.
Aqui.
Hoje.
E quando assim o sentires,
Podes abrir os olhos lentamente.
Seguindo.
Com tudo que esta prática te trouxe.