
Quarentena da Reflexão 7: Qual a Melhor Máscara a Ser Utilizada?
by Fabricio
Mais um episódio da nossa Quarentena da Reflexão. Hoje refletiremos sobre o uso da máscara nos tempos atuais, antigos e profundos. Então, qual a melhor máscara a ser utilizada? Bem, depende de quem somos e não apenas do que queremos parecer.
Transcrição
Olá,
Fabrício Súria com mais um episódio da nossa quarentena da reflexão e a nossa pergunta hoje é qual é a melhor máscara a ser utilizada?
Eu perguntei isso porque eu precisei de um estabelecimento esses dias,
Logicamente com a minha máscara de pano,
E ao entrar nesse estabelecimento tinha um aviso na porta,
Eu falei sempre entre nesse estabelecimento utilizando máscaras e eu lembrei que sempre a humanidade se utiliza de máscaras,
Desde tempos imemoriais,
Dos quatro cantos do mundo todos os povos tem a máscara como um elemento da sua ritualística sagrada ou dos seus festivos culturais e na nossa língua portuguesa a palavra máscara tem uma possibilidade de ter vindo do italiano ou do árabe,
Mas nós utilizamos o latim como nossa língua materna e no latim a palavra que refere-se a máscara é persona,
Então no grego antigo,
Os gregos antigos durante os rituais sagrados do teatro,
Que o teatro era algo sagrado para eles eles se utilizavam de máscaras,
Esse artifício cênico,
E o latim chamou esse instrumento,
A máscara,
De persona,
E no português derivou-se dessa palavra persona a palavra personalidade,
A palavra pessoa então nós temos essas máscaras como um objeto,
Mas o que acontece é que às vezes nós utilizamos máscaras que encobrem o nosso ser nós podemos fazer isso de uma forma inconsciente,
Que é quando nós aprendemos formas de agir e normas que se instalam dentro de nós que impedem a nossa verdadeira identidade de se expressar na sua plenitude natural ou até mesmo por dissimulação,
Às vezes você quer angariar algo,
A simpatia de alguém,
Ou quer obter alguma vantagem,
Às vezes você se comporta de uma forma para que essa pessoa ou essa situação se adeque e entre em sintonia com aquilo que você quer,
Mas você está agindo de uma forma dissimulada nós podemos ver que não é necessariamente ruim existirem normas,
Existirem situações que nos façam agir de uma forma talvez em desacordo com aquilo que nós queremos,
Na nossa forma natural às vezes é necessário,
Como por exemplo,
Você entra em contato com um amigo,
Você fala de uma forma,
Mas com um desconhecido você não tem intimidade,
Então você não consegue ser natural daquela mesma maneira e quando você vai conversar com uma criança também,
Se você precisa comunicar uma notícia ruim,
Você precisa maquiar essa notícia,
Você não pode chegar com a mesma naturalidade,
Com as mesmas palavras,
O mesmo teor de conteúdo que você comunicaria para um adulto você precisa fazer uma transição para que essa mensagem chegue mais suave para a criança o problema é quando nós nos super identificamos com os nossos papéis,
Porque nós temos papéis no mundo,
Ora nós somos empregado,
Ora nós somos patrões,
Ora nós somos cidadão,
Cliente,
Pai,
Cônjuge,
Filho e também em alguns dados momentos você vai se apresentar,
Você não se apresenta simplesmente,
Meu nome é esse,
Ponto final,
Você precisa associar alguma coisa,
Meu nome é esse,
Eu trabalho em tal lugar,
Meu nome é esse,
Eu formei em tal lugar,
Meu nome é esse,
Eu sou esposo,
Sou filho,
Sou pai de alguém então nós vamos colocando essas camadas por cima da nossa essência e o problema reside quando nós esquecemos realmente quem somos,
Porque nós vivemos praticamente num baile de máscaras,
Nós vivemos uma superficialidade,
O grosso da humanidade vive uma superficialidade quando aquilo que nós queremos aparentar ser,
Quando aquilo que nós temos tem uma referência da nossa identidade muito maior do que aquilo que nós somos lá no fundo,
E temos essa essência interior que quer se expressar,
Quer se expressar da sua forma mais natural e as normas que nós convivemos,
Que às vezes algumas dessas máscaras são justamente crenças que foram colocadas em nós quando crianças,
No sentido de que você tem que fazer isso e aquilo você não pode fazer,
Então nós vamos embutindo certas correções de comportamento que vão impedindo a nossa expressão plena,
A expressão mais profunda do nosso ser isso é bem escrito na psicanálise,
Com o conflito entre o ídio,
O superego e o ego,
Que é essa nossa consciência que tem que fazer esse meio de campo ficar mais harmônico,
E como eu disse,
Não tem problema que algumas normas sejam respeitadas,
Desde que a gente saiba quem nós somos porque por exemplo,
Mesmo que seja desconfortável utilizar a máscara de pano,
Que a gente fica meio com a orelha pra frente,
Até comicamente engraçado,
Mas é importante pra todo mundo,
Então você acaba se convencendo de uma certa forma que isso é importante,
Por mais que não seja a melhor forma de respirar e essa questão de respirar,
Percebe que quando nós estamos utilizando a máscara,
Nossa respiração fica de uma certa forma comprometida,
Você não respira da melhor forma,
Mecanicamente a sua respiração não fica no seu estado ótimo e a palavra grega ainda,
Voltando pro grego,
Que se refere ao sufocamento ou asfixia,
Chama-se Sphinx,
É uma palavra,
Sphinx,
Refere-se a essa falta de ar,
E qual palavra que nós temos que parece Sphinx no português?
A palavra esfinge,
E a esfinge ela vem falar sobre isso,
Sobre a nossa essência,
Ser quem nós realmente somos a mitologia grega e egípcia tem a esfinge nos seus contos,
E num deles,
No grego,
Nós temos o mito de Édipo,
No qual ele é chamado pra ajudar a população de Tebas,
Porque havia esse ser monstruoso,
Que é cabeça e busto feminino,
Asas e um corpo de leão que tava devorando as pessoas que não sabiam decifrar o enigma e ela chegava e falava,
Decifra-me ou te devoro,
E Édipo foi até lá e respondeu o enigma,
Que numa primeira interpretação,
Num primeiro contato que nós temos com esse mito,
A pergunta que a esfinge fazia é,
Qual animal que anda de manhã?
Com duas patas,
Duas ao meio dia e três à tarde E Édipo respondeu que é o homem,
Porque quando nós nascemos,
Nós engatinhamos,
Ao meio dia nós andamos com as duas pernas e no envelhecer,
No final da tarde,
Nós andamos com uma bengala configurando três pernas Agora existe uma outra interpretação mais existencialista e mais profunda também,
Como o do professor Victor de Salles,
Na qual a pergunta que a esfinge fazia é,
Quem és tu?
O que fazes aqui?
De onde vens?
E para onde vais?
Se nós não soubermos responder essa pergunta,
Nós vamos ser sufocados pela esfinge,
Sufocados pela própria vida,
Por quê?
Porque a vida parece não ter sentido,
Você não está vivendo a sua essência,
O seu ser mais interno,
Que quer se expressar da melhor forma,
A forma mais natural,
Mais harmônica,
Mais benéfica para você e para as pessoas,
Por consequência,
Está sendo sufocada Então a vida começa a perder o sentido,
Nós começamos a ficar preocupados demais com as coisas,
Nós começamos a ficar sem ânimo para as coisas,
Então cabe a nós descobrir a nossa essência,
Tirar as máscaras e viver a nossa verdade E a própria esfinge encerra nela a resposta,
Porque ela tem a cabeça de mulher,
Que é a intuição,
Nós precisamos ouvir a nossa intuição,
Ela tem as asas que nós precisamos de leveza,
Nós precisamos estar acima das coisas,
Ver de um aspecto maior a vida e as circunstâncias E o corpo de leão é a coragem,
Nós precisamos de coragem para ver que nós realmente somos,
E um outro elemento também,
Que mesmo que nós utilizemos máscaras,
Nós temos os olhos de fora e nós ouvimos dizer que os olhos são as janelas da alma Então por mais que nós vivamos os nossos papéis,
Que são necessários,
Você ter comportamentos diferentes,
Não esqueça a sua essência,
Lembre-se que você pode ouvir duas peças de teatro iguais,
Mas com atores diferentes e talvez um ator que faz o mesmo papel,
Consegue colocar um brilho naquela atuação dele,
Enquanto a outra não é uma atuação medíocre Então viva os seus papéis,
Mas coloque aquilo que só você pode ser nesses papéis,
Só você pode ser o pai que você veio para ser,
Só você pode ser o esposo,
A esposa,
O cliente,
O empregado,
O cidadão,
E saiba que você,
Qual é a melhor máscara a ser utilizada?
A melhor máscara é qualquer uma que você precise,
Mas que você saiba que é uma máscara,
Que ao final do dia,
Da mesma forma que quando você chega e tira sua máscara de pano e sente aquela tranquilidade de estar no celular,
Saiba que por debaixo dos seus papéis existe uma essência única,
Você é único,
Você é raro,
Você encerra assim a beleza da natureza e também a força para viver a sua essência Então vamos fazer essa reflexão,
Usa máscara,
É normal,
É natural você utilizar,
Mas quando você tira sua roupa no final do dia,
Troca de roupa,
Toma um banho,
Não esqueça da sua essência,
Você tem uma coisa dentro de si que é única em todo o universo Então lembre-se disso,
A sua beleza,
O seu brilho,
A sua nobreza,
A sua harmonia,
A capacidade de ser quem você é,
Só você tem,
Use e tire as máscaras quando necessário,
Mas não esqueça de quem você é Um grande abraço
4.9 (18)
Avaliações Recentes
Meditações Relacionadas
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
