27:18

#05: Era do Aquário - Larry The Gringo Low

by Elefantes Na Neblina

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Quanto o distanciamento nos traz perspectiva? O quanto podemos renascer diante de tudo que está acontecendo e o enorme cansaço que nos traz silêncio. Estas são as discussões presentes neste episódio. Sobre os Elefantes na Neblina: Três amigos conversam. Um mundo em constante mutação. Buscando jogar alguma luz sobre assuntos grandes, muitas vezes incômodos. Conversando sobre o que é ser um humano em nossos curiosos e complexos tempos.

Transcrição

Amigos que gostam de conversar em tempos interessantes,

Incertos,

Implacáveis.

Com o futuro suspenso e o passado cada dia mais distante,

Estamos aqui estacionados na condição humana,

Na tentativa de fazer uma nova vida funcionar.

Cada dia é um passeio na neblina,

E os elefantes estão soltos.

Não usamos nomes,

Porque somos nós e somos ninguém.

O que importa é a conversa e a vontade de gerar alguma luz.

Mas ao mesmo tempo,

Gente,

Eu confesso pra vocês que eu acho que essa sensação de não visibilidade e incerteza,

Ela é enorme,

Mas ela tem a ver também com o quanto que a gente olha pra frente,

O quanto que a gente faz de zoom in ou zoom out.

Se a gente olha bem de longe,

A gente pode chegar até a conclusão de que nós estamos vivendo uma grande repetição.

Já ocorreu isso pra vocês?

Posso contar mais uma história?

Hoje eu tô animado pra contar histórias.

Então,

Imaginem vocês que era uma vez,

Na província de Hubei,

Na China,

Onde fica inclusive Wuhan,

Se soltou uma doença muito contagiosa e muito mortal,

E ela foi percorrendo o mundo até parar na Itália.

E na Itália,

Ela causou um estrago gigantesco a ponto de mexer nas estruturas da cultura e da sociedade da época,

Antes mesmo de se espalhar pelo resto do mundo e provocar mudanças por lá também.

Qual foi a grande mudança que aconteceu na Itália?

A grande mudança que aconteceu na Itália foi que a linha de frente dos que se dedicavam a cuidar das pessoas doentes eram os sacerdotes,

Os padres,

E eles morreram como moscas.

A igreja,

Então,

Viveu o seguinte dilema,

Como nós precisamos de quadros?

Como nós vamos resolver isso?

E ela começou a ordenar sacerdotes novos,

Completamente sem preparo e sem vocação.

Simplesmente,

Você quer virar padre,

Vira padre,

Veja bem,

Veja as vantagens,

Vem aqui,

Larga essa enxada e bota essa roupa,

Agora você vai rezar missa.

Por quê?

Porque eles precisavam de quadros desesperadamente.

Quando a doença passou,

O cenário era,

As pessoas que sobraram estavam felicíssimas de terem sobrevivido e todos os sacerdotes disponíveis eram pessoas pouco preparadas,

Sem espiritualidade nenhuma,

Nem mesmo autoridade moral.

E elas saqueavam,

Aprontavam,

Faziam orgias da maneira mais inaceitável possível.

Resultado,

Não só as pessoas estavam aliviadas de terem sobrevivido,

Como a igreja,

Que era a instância mais forte da época e a grande autoridade,

Perdeu completamente a sua liderança e a sua estatura moral perante os fiéis.

O resultado disso foi que a população começou mais e mais a se organizar a despeito da autoridade da igreja de forma espontânea,

Procurar soluções próprias,

Ao mesmo tempo em que curtiam a vida como sobreviventes intensamente.

E o resultado disso,

Depois de algumas décadas,

Foi,

Vocês sabem,

O renascimento.

Porque nós estamos falando da peste negra aqui.

Então,

Eu já vi essa história e ela começou no mesmo lugar,

Em Hubei.

Uau,

Eu realmente não sabia que ela tinha começado em Hubei.

Fico pensando em todas essas pragas que,

De fato,

Conectam os seres humanos e deixam eles na mesma estatura e quebram todas as instâncias de autoridade e morais.

O mais interessante pensar nisso,

Estou aqui construindo meus pensamentos,

É que a fase que a gente tem depois disso chama renascimento.

E,

Obviamente,

A minha mente otimista fica pensando se a gente não está prestes a viver um novo renascimento.

Mas primeiro demora um bom tempo,

Né?

Vamos lá.

Mas eu acho que os 40 anos daquela época seriam os dois anos de hoje,

Pela velocidade de trânsito,

De formação.

Eu tenho uma sensação de que,

Talvez,

Por eu estar vivendo mudanças significativas tão rápido,

E as coisas que eu estou assistindo aqui próximas também,

Eu acho que essas questões.

.

.

A gente teve um movimento de uma concentração de renda,

Vamos dizer,

Nos últimos 100 anos muito significativamente,

Muito significativa,

Que estratificou a sociedade de uma maneira quase muito próxima ao feudalismo.

Eu acho que esse movimento que veio agora vai dar uma balançada tão significativa na forma como as coisas estavam ordenadas,

Onde eu acho que essas diferenças mais gritantes de alguma forma vão ter que se arrumar.

Isso pode ser uma utopia,

Mas eu estou sentindo um pouco isso.

Onde você vê o cara que está ali na linha de frente hoje,

Tratando das pessoas que estão chegando nos hospitais,

Sendo enaltecido nas janelas,

Um reconhecimento por um trabalho que acho que todos nós gostaríamos de um pouco ter a coragem de estar ali fazendo aquilo.

Todo mundo gostaria de poder estar salvando um pouco os outros.

Eu acho que isso é uma coisa que vai ficar em todo mundo.

Cada um desses outros trabalhos que a gente menos preza,

Ou talvez não dê a importância de outras pessoas fazendo,

A gente começa a enxergar isso.

Pode ser uma utopia,

Mas eu acredito que isso vai acontecer.

Para mim isso não é utopia nenhuma,

Porque isso é sofrimento coletivo consciente.

A gente nunca teve isso.

E sofrimento consciente é a semente da transformação e do amadurecimento.

Eu estou convencido de que nós vivemos e nascemos em um mundo com estruturas que nós mesmos criamos sem perceber no passado,

Que perenizavam desigualdades.

E,

Francamente,

Nenhum de nós teve a manha de fazer alguma coisa realmente revolucionária com isso,

Mas a natureza chega e embaralha as cartas e providencia uma revolução.

Eu não sei exatamente como isso vai se dar,

Mas para mim um monte de ideologias que sempre trataram essas desigualdades extremas e esses absurdos como coisas aparentemente naturais,

Elas vão ter que ser superadas e traduzidas por alguma outra coisa.

Eu hoje estou com Sartre na cabeça,

Só queria completar com uma frase dele.

Ela tem me voltado várias vezes como um mantra nesses dias,

Com perdão da coisa anacrônica.

Ele disse uma vez que nenhuma filosofia fica de pé diante da imagem de uma criança passando fome.

Antes dessa frase fazer um strike em todos os meus pensamentos,

Eu estava pensando muito nisso que você falou,

Que nós todos lidávamos com a ideia de eventualmente um nível de sofrimento global desse tamanho poderia vir através de uma guerra,

Alguma coisa assim,

Mas vem através da natureza e o fato de vir através da natureza faz com que esse sofrimento seja vivido por todos ao mesmo tempo,

Não por alguns países e outros não.

Obviamente isso aumenta a ideia de coletivismo e é o que você falou,

Essa ideia do sofrimento consciente.

E uma teoria que eu ouvi ontem,

Que eu queria dividir com vocês e saber o que vocês acham dela,

É de que nesse momento o que está acontecendo é uma compressão do tempo e espaço e que as coisas vão acelerar muito rápido,

Inclusive isso que o Larry Gold falou eu sinto também,

Da velocidade da mudança,

Inclusive do comportamento das pessoas à minha volta e que isso de alguma forma faz com que todas as coisas que eram tendências e ideias para 2030,

Que você cola 2020,

2030 num tempo e espaço só,

Que você acelera pelo menos 10,

15 anos em tudo que a gente vai viver no mundo.

E pensando um pouco em termos de futuro,

Eu queria ouvir o que vocês acham disso.

Bom,

Para mim,

Eu tenho muita sensação de que essa grande transição,

Essa grande crise,

Ela não nos tirou apenas o passado,

Mas ela também nos tirou o futuro,

Na medida em que o futuro é aquilo que a gente conhece e prevê,

De alguma forma.

Não,

Eu acho que não tem mais futuro,

Não tem mais passado,

De certa maneira,

A linha da história para mim ficou uma coisa muito abstrata.

Eu acho que a gente tem um grande presente,

Um presente longo,

Às vezes um presente sufocante,

E que gera uma pressão enorme,

Mas eu gosto de lembrar das metáforas naturais.

Se você pega a nossa parte mais escura,

Nossa parte mais difícil de lidar,

Como um carvão,

E a gente condensa isso,

Aperta isso e bota uma pressão enorme,

Bota um calor enorme ali,

Dali você acaba criando um cristal,

Você gera um diamante,

Com muita pressão e com muito calor.

Então,

Eu tenho a impressão de que não tem mais para trás e para frente,

Só tem para cima.

Eu estou com essa imagem da pasta de dente na cabeça e ela é obsessiva,

Então me parece que a gente pode dar um salto,

Mas esse salto é para cima,

Nem é no tempo.

Eu acho que a visão de planejamento,

A palavra planejamento vai ter uma conotação diferente.

Imaginem as empresas de RH agora fazendo recrutamentos,

Desenhem o seu plano de cinco anos,

Não vai existir mais,

Desenhem o seu plano de três meses,

De seis meses,

Já vai ser uma loucura imaginar.

Então,

Eu acho que essa ideia de planejar,

Você diante de um quadro dessa magnitude,

Se você ainda tinha dúvida,

Se você tinha de alguma forma de tentar viver mais no presente,

Isso aqui veio para te colocar em perspectiva de uma maneira enlouquecedora.

Como é que fica a ideia da necessidade de ter um planejamento de longo prazo na vida de cada um?

Quem é que hoje consegue,

Claro,

Vamos imaginar que em algum momento a gente possa viver algum tipo de cenário menos complexo,

Mas ainda assim,

Acho que traz a gente para a importância de viver mais presente,

Não tem outra opção.

Vocês não acham que isso muda um pouco essa dinâmica de planos e perspectivas?

Deveria,

Deveria,

E eu acho que esse é o componente espiritual mais interessante,

Ou pelo menos o potencial espiritual mais interessante desse processo todo.

Eu não consigo deixar de lembrar várias vezes daquela famosa parábola que está no Evangelho,

Quando o grande Rabi,

O JC,

Vira para o povo e diz assim,

Mas por que vocês não são como os corvos?

Olha para um corvo,

Ele está lá,

Ele voa,

Ele consegue a comida dele,

Ele vive cada momento separado de todos os outros,

Ele não se preocupa com o futuro.

Por que vocês não podem também viver mais assim?

Essa é uma tradução livre,

Eu peço perdão aos especialistas e aos tradicionalistas,

Mas o contexto,

Tenho certeza que é esse.

E o mais interessante é que,

Como você falou,

Nós estamos sendo obrigados a viver no presente de uma forma contundente e enlouquecedora,

Porque eu acho que,

De alguma forma,

Todo mundo está sendo obrigado a viver o presente,

E o mais interessante é que o presente é incerto.

Uma coisa que eu tenho visto muito.

.

.

É interessante,

Todo mundo sendo obrigado a viver no presente,

O presente de todos é incerto,

E é engraçado que muda a relação das pessoas com o tempo.

Todo mundo agora fala um pouco de como estão passando os dias,

Que os dias são mais densos,

Mas de alguma forma eles são longos e diferentes,

Enfim,

Tem uma diferença da forma como o tempo está sendo sentido pelas pessoas.

Isso para mim é a prova viva do que vocês falaram.

Ainda seguindo dentro desse experimento de espiritualidade e de psicologia,

Tudo no mesmo lugar,

Por mais que você erre neste dia,

Neste presente,

Você tem quase que a certeza de que amanhã vai estar tudo exatamente do mesmo jeito,

Você tentar de novo.

As mesmas pessoas vão estar ali,

No mesmo lugar,

Vai estar tudo.

.

.

É um fetiche do tempo de novo.

Exatamente.

A oportunidade de fazer melhor de novo está a 24 horas de você.

Exato.

Mas vocês sabem que aí eu gostaria de fazer um depoimento mais pessoal e simples.

O confinamento,

Para mim,

Desse ponto de vista,

Está sendo uma experiência diferente.

E eu estou com a impressão,

Claro que não tenho como ter certeza,

Mas estou com a impressão que a grande diferença é que eu já passo a minha vida ativamente dedicada aos outros,

Por razões profissionais.

Então,

Por fazer isso,

É quase como se o fato de que está todo mundo em confinamento e eu também,

Tivesse intensificado e facilitado a minha vida.

Então,

A minha experiência diária não é muito de que o estresse aumentou.

A impressão que eu tenho,

Pelo contrário,

É que as coisas que me atrapalhavam e que atrapalhavam o meu trabalho saíram do caminho.

Curioso,

Não?

Eu acho que a gente vai ter que fazer um ajuste aí,

Porque eu sinto que você não está usando essa oportunidade para dar um upgrade.

Eu vou propor um house swap com você,

Para você poder viver um pouco dessa experiência indelével,

Que eu possa cuidar dos seus aí.

É,

E eu cuido dos seus.

Você sabe que isso pode ser uma ideia muito interessante?

Proposta de primeiro business do novo milênio.

Certeza,

E aqui em casa todo mundo vai gostar.

Troque de quarentena.

Você faz por Zoom.

Você aluga o apartamento,

Mas leva a família junto.

É,

Você faz por Zoom,

Você faz um family swap,

Você troca de pais e você experimenta famílias com pais alternados e você faz isso numa espécie de rodízio e depois,

No fim,

Todo mundo se junta e faz um levantamento da experiência.

E com isso a gente vai ter alguma coisa muito perto de uma espécie de kibutz virtual.

Que tal essa ideia?

Mas eu preciso confessar algo bem pessoal também,

Que eu estou muito impressionado ao ver o quanto o aumento da audiência da televisão explodiu.

E eu acho interessante também quando essa questão dos hábitos nossos,

Dos seres humanos,

O quanto,

No fim,

Nesses momentos incertos,

O quanto a gente se apega ao que é conhecido também.

É,

Mas,

Snow,

Pra mim,

E eu insisto nisso,

Nós não devemos nos impressionar muito com as primeiras reações.

Veja,

Pra mim,

Que eu sou especialista de transformação,

As primeiras reações contam muito pouco.

O que importa são as últimas.

Quando o negócio é longo,

Você vai vendo que,

Com o passar do tempo,

As primeiras respostas,

Elas se desgastam.

As primeiras estratégias,

Elas cansam,

Porque elas são superficiais e conservadoras.

Depois,

Com o tempo,

Nós percebemos que a velha costa nunca mais vai voltar,

Porque a correnteza nos leva cada vez mais pra longe.

Aí começa a parte realmente divertida.

Eu acho interessante que você falou outro dia,

De que depois de um certo tempo,

Você imaginava que poderia vir um silêncio vindo das pessoas,

Enfim.

É engraçado que eu não sei se é uma coisa minha ou uma projeção em cima do que você falou,

Mas eu tenho sentido e percebido um pouco mais de silêncio,

Talvez dentro de mim e com as pessoas que eu tenho convivido.

Eu queria saber se vocês estão sentindo a mesma coisa já chegando também.

Eu sinto,

Do meu lado,

Não exatamente um silêncio.

É simplesmente a perda de várias falas.

É como se vários assuntos tivessem sumido.

E tem um ou dois assuntos que eu consigo falar incansavelmente,

Como se eu fosse um realejo repetindo a música com pequenas variações o dia inteiro.

Agora,

Fora esses dois ou três assuntos,

É como se nada mais me ocorresse pra dizer.

E as outras pessoas que você tem convivido?

Esse silêncio,

Eu não sei se é a definição correta pra mim.

Eu acho que é mais um cansaço de ouvir a minha própria voz.

Opa,

Mas isso pra mim me parece o silêncio da melhor qualidade.

Porque isso é o silêncio do pensamento.

Esse é o silêncio que os iniciados buscavam nos monastérios em.

.

.

Parabéns pra você,

Larry Gould.

O seu Larry Gould tá realmente Larry Gould de si mesmo.

Vai ter que trocar de nome daqui a pouco.

Eu acho que essa semana que se passou,

O nome que eu daria é Larry The Gringolou.

The Darkest Hour.

Mas é como cada semana a gente tem que se dar um nome novo.

Eu acho que essa vai ser sobre o nome.

Mas,

Cara,

Um momento.

Eu acho,

Larry The Gringolou,

Você usou,

Eu acho,

A palavra mais simples,

Singela e estratégica da conversa de hoje.

Você usou a palavra e ela é cansaço.

Exatamente.

Você disse que você estava cansaço,

Cansado do som da própria voz.

Quando eu falei de silêncio,

Eu não estava imaginando nada muito transcendente,

Elevado,

Sublime.

Eu estava pensando nisso.

Até porque,

Meus caros,

Na minha experiência,

Essa sensação é que é precursora do amadurecimento.

Quando nós amadurecemos,

Quando nós deixamos algumas brincadeiras de lado,

Quando nós paramos com alguns comportamentos de lado,

Até quando nós abandonamos os nossos vícios,

Antes de mais nada,

O que vem é um profundo cansaço.

É só depois que você cansa que você consegue realmente investir em novas atitudes e novos comportamentos.

Primeiro você cansa.

A brincadeira perde a graça,

A piada não te faz mais rir,

O vício te provoca uma reação física que já é desfavorável.

Até o que acontece nos relacionamentos.

Quando eles acabam,

Primeiro vem o cansaço.

Gosto muito dessa ideia do Larry degringolou.

Muitas pessoas vão se conectar com essa ideia de que tudo foi degringolado e não.

E essa é o que temos aqui.

Foi tudo pro saco.

Foi tudo pro saco.

Game plan,

Cara,

Virou um embrulho aqui.

Foi pro saco.

É interessante isso.

Essa ideia do degringolou.

É isso.

Será que essa não é a boa notícia?

Será que não é isso?

Espelhar na própria personalidade aquilo que está acontecendo no mundo,

Mas fazer isso com um grau de liberdade,

De flexibilidade,

Que nos permite continuar testemunhas de tudo isso.

Porque eu preciso também testemunhar uma coisa.

Pra alguém que passou a semana degringolando,

Achei você bastante lúcido,

Bastante presente.

Mais você do que nunca.

Então,

A sua versão degringolada,

Pra mim,

Está muito bem.

Mano,

Eu acho que essa versão é mais real,

Porque nada é mais real do que a realidade,

Como diria a Byron.

Não tem fantasias que consigam explicar o que é você lidar com uma rotina e com as surpresas da rotina.

Rotina não era pra ter surpresa,

Né?

A gente está colocado num contexto de rotina surpreendente.

Eu estava aqui pensando exatamente que é só quando você consegue olhar pra você e falar eu degringolei,

Você consegue se conectar com você nesse nível de olhar quase carinhoso com a sua situação.

Existe uma possibilidade de conexão com o outro e com o mundo pelo que a gente está passando de uma forma um pouco mais.

.

.

É só quando a gente consegue de verdade tirar os véus do que a gente está vivendo dentro da gente.

Me parece que é o único caminho pra gente conseguir ter uma visão um pouco mais leve e também olhar pro outro e cuidar do outro e viver essa rotina insana e diferente que a gente está vivendo.

É,

Tem um encontro de solidão primeiro,

Com a tua própria solidão antes de o jogo poder começar de verdade.

Se você não ficou só,

Você não encontra com o outro de um lugar realmente verdadeiro.

E quer a gente tenha isso admitido oficialmente ou não,

É o que todos nós desejamos,

Esse lugar desse encontro verdadeiro com o outro.

Tem uma historinha ótima,

Rápida,

Hoje eu estou todo cheio das histórias,

Que logo depois que o Buda iluminou,

Ele encontrou um outro meditador importante que estava vagando pela Índia também.

E esse meditador,

Ele olhou pro Buda e viu que o Buda tinha uma coisa completamente diferente dos outros.

Ele percebeu essa energia,

Essa aura completamente transformada e ele perguntou,

Nossa,

Quem é você?

E ele disse,

Eu sou o Buda,

Eu acordei.

E o meditador perguntou então,

Tá,

Mas quem é seu mestre?

Quem foi seu mestre?

Qual é a linhagem que você segue?

E o Buda disse,

Nenhuma,

Eu conheci várias,

Mas nenhuma me serviu e eu me virei sozinho.

De certa maneira,

Ele estava dizendo,

Eu degringolei e acabei assim.

E aí o meditador disse,

Ah,

Que pena,

Eu não posso seguir alguém que não faça parte de linhagem nenhuma.

E foi embora.

E esse carinha,

Ele perdeu a chance de ser o primeiro discípulo do Buda.

Então,

Essa história é perfeita para o nosso momento.

A libertação verdadeira e a verdadeira expansão espiritual,

Ela começa dessa solidão.

Nós não temos mais mestres,

Não temos mais líderes,

Não temos mais linhagens.

Nós estamos sozinhos,

Degringolando e temos que sair do outro lado.

E esse é o caminho e essa é a escola.

Essa história é perfeita e eu estava pensando que ela é perfeita também para que a gente como humanidade não fique no papel desse cara que cruzou o Buda e foi embora.

E ver a nossa vidinha atrás de alguma outra linhagem para a gente seguir.

É,

É isso aí.

Muito bem,

Jovens.

O jantar me espera aqui.

Tá bom,

Eu só queria propor que a última frase da nossa gravação fosse o Larry dizendo,

É isso aí.

Nesse exato tom.

É,

É isso aí.

5.0 (2)

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Bernadete

June 24, 2024

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