
O Poder da Manutenção Diária
Você tem um poder enorme nas suas mãos que afeta diariamente e diretamente sua saúde, bem-estar, aparência e disposição. Este poder é sua alimentação. Se tem um único hábito que facilita todos os outros é justamente ele. Neste episódio falo sobre a alimentação dos centeńarios da Blue Zone italiana da Sardegna e trago algumas reflexões para trazermos para nossa realidade.
Transcrição
Imagina o seguinte,
Você vai ganhar um carrão maravilhoso e com uma tecnologia inovadora que permite que ele vá se atualizando automaticamente com o passar do tempo e vá fazendo pequenos ajustes tanto em seu interior quanto no exterior para se manter otimizado para a sua realidade.
Então se você vai para a praia,
Ele se ajusta sutilmente para o ambiente,
Se você vai para um lugar mais frio,
Mesma coisa.
Se você precisa deixar ele parado por um tempo,
Ele faz novamente ajustes sutis para se conservar.
E se você precisar aumentar a velocidade,
Ele também vai estar pronto para isso.
O carrão vem com tudo de fábrica.
Todas as mini peças,
O motor,
Engrenagens,
Acabamento,
Tudinho.
É daqueles mega equipados,
Última tecnologia,
Faz tudo quase automaticamente.
Só tem um detalhe,
Ele é a sua única opção de locomoção enquanto você estiver nesse mundão.
Não há outra maneira de você transitar por aí a não ser com ele.
Ah,
E tem mais uma coisa,
Você não vai poder trocar de carro nunca mais.
Ou seja,
Você tem uma máquina muito boa à sua disposição,
Mas que requer bastante cuidado já que distrações e erros de cálculo no percurso podem gerar arranhões e colisões.
Falta de atenção aos avisos do painel podem fazer ele superaquecer,
Ficar sem água,
Sem óleo.
E não seguir as recomendações básicas do fabricante pode fazer com que você coloque o combustível errado ou esqueça da manutenção preventiva e periódica.
Se você tivesse esse carrão à sua disposição,
Você acha que faria mais sentido fazer uma leve manutenção diariamente ou usar ele ao máximo,
Sem prestar atenção a detalhes e contar com a sorte que tudo vai dar certo?
Eu acredito que colocando assim,
Você vai escolher a primeira opção.
Mas acredite,
Na vida real,
A maioria de nós está vivendo na segunda opção.
O carrão da história é o seu corpo.
O seu corpo é uma máquina de altíssima tecnologia que faz quase tudo automaticamente.
De fábrica,
Ele já veio com tudo o que você vai precisar.
Ele se ajusta sutilmente com o passar dos dias,
Dos meses e dos anos.
Ele está conectado com o ambiente que o cerca e acompanha a sazonalidade da natureza,
Da sua idade e do seu estilo de vida.
O seu corpo aguenta muito,
Muito mesmo,
Tipo muito mais do que você imagina.
Enquanto você está me ouvindo aqui,
Você respirou em média umas 100 vezes.
O seu coração bateu e bombeou sangue sem parar.
As suas células fizeram trocas entre si.
Os seus neurônios fizeram conexões.
Os seus músculos se ajustaram.
Seus olhos e ouvidos captaram o mundo à sua volta e passaram mensagens para o seu cérebro.
Os seus órgãos estão fazendo o que devem.
E você?
Você não precisou fazer nada conscientemente.
É incrível,
Né?
Bom,
Na verdade,
Tem uma coisa que você precisa ou precisaria fazer,
Que é dar o combustível certo para ele.
A única maneira de manter essa máquina chamada corpo no seu melhor desempenho e saúde é através do combustível que você coloca nela.
E eu não sei se você já parou para pensar,
Mas você abastece o seu corpo pelo menos três vezes ao dia,
Todo dia.
Então,
Por ano,
Você tem 1.
095 chances de melhorar ou piorar a sua máquina.
Isso quer dizer que até os 70 anos de idade,
Por exemplo,
Uma pessoa vai ter 76.
650 oportunidades de fazer uma escolha que pode afetar diretamente o seu bem-estar,
Saúde e longevidade.
E é por isso que,
No episódio de hoje da temporada O Poder do Tempo do Bocadinho,
Nós vamos falar sobre os hábitos de alimentação.
Depois de apresentar para você alguns dos erros fundamentais que eu vejo que cometemos ao pensar em longevidade e tentar se espelhar em quem chegou aos 100 anos com saúde e lucidez,
Hoje eu começo a detalhar alguns dos hábitos fundamentais para a longevidade possível.
Algo que você faz pelo menos 1.
095 vezes em um ano é um hábito,
Você concorda?
Nós temos três chances diárias de melhorar ou piorar a nossa saúde,
Bem-estar,
Disposição,
Autoestima e aparência.
Mas nós tratamos essas chances como três oportunidades diárias de termos prazer.
E você que me acompanha aqui ou no Instagram,
Você já me ouviu falar que quem vive uma vida baseada no prazer não evolui,
Né?
É lógico que é uma delícia sentir prazer.
Poucos discutiriam que comer uma bela pizza,
Massa ou sobremesa é tão prazeroso quanto comer uma maravilhosa folha de alface ou um pedaço suculento de pepino.
Mas a questão não é escolher o saudável e nutritivo porque é mais gostoso ou porque lhe dá mais prazer.
A questão é escolher comer na maior parte do tempo comidas nutritivas,
Frescas,
Saudáveis e que sim,
Podem ser deliciosas e também nos dar prazer porque você não vai poder mudar de corpo no meio do caminho.
A questão é parar de fingir que não sabemos que industrializados,
Ultraprocessados,
Refinados e álcool em excesso comprovadamente prejudicam o bom funcionamento do seu corpo e ponto final.
Em 2019,
Eu fui a uma palestra da Alice Walters.
Ela é chefe e ativista norte-americana defensora da comida de verdade e ela sumarizou que o novo hábito alimentar ocidental,
Baseado em industrializados,
Ultraprocessados e refinados,
Fez com a gente,
Impregnou na sociedade os valores da cultura do fast food.
Estamos cada vez mais superficiais,
Egoístas e sem consciência.
Nós queremos uniformidade na alimentação,
Comer a mesma coisa independente de onde a gente esteja,
Não damos espaço para o diferente.
A gente quer velocidade,
Não temos tempo para esperar cultivar,
Amadurecer,
Quem dirá cozinhar?
Quanto mais rápido,
Melhor.
Queremos a disponibilidade,
Devemos ter o que queremos,
De quem queremos,
A hora que queremos.
Valorizamos o preço baixo,
O que tem valor é a barganha.
Não importa a qualidade,
A gente prefere mesmo é pagar pouco,
Mesmo que seja para termos quase nada.
Temos a ideia de que mais é melhor,
E assim definimos os nossos padrões e vemos crescer a desonestidade e a ganância.
Elas chegaram no nosso dia-a-dia.
Infelizmente esses valores realmente ultrapassaram as sedes de restaurantes padronizados e as linhas industriais de produtos que duram meses na prateleira sem estragar.
Eles chegaram no nosso dia-a-dia.
Nós deixamos elas pautarem tudo,
Da forma como nos cuidamos e nos amamos,
A forma como interagimos com o mundo e as pessoas à nossa volta.
Não queremos o desconforto de lidar com o diferente e queremos tudo à mão,
Rápido e com o menor preço possível.
E assim nós conseguimos acumular mais,
Consumir mais,
Comprar mais e fechamos os olhos para a desonestidade que surge da ganância que plantamos.
O resultado?
Bom,
É só você olhar para as pessoas nas ruas cada vez mais gordas e as estatísticas das doenças crônicas não transmissíveis como diabetes,
Cardiopatias e obesidade com números cada vez mais preocupantes.
E sabe quais outros fenômenos que resultam da nossa cultura fast food?
Os modismos alimentares e o terrorismo nutricional.
A gente complicou demais tudo,
Gente,
Demais mesmo.
Primeiro porque a gente quis padronizar algo que não tem padrão.
A natureza é por si complexa,
Diversa e ampla.
Não existe só trigo,
Milho,
Vaca,
Frango,
Cana-de-açúcar e soja no mundo para a gente se alimentar.
Existe uma infinidade de alimentos com cores,
Texturas,
Sabores e formas diversas.
Para que minimizar tudo ao mesmo?
Encher tudo de sal e açúcar para ficar tudo com gosto de sal e açúcar?
Pior,
Porque dar como combustível para o seu corpo algo quase sem valor e barato se tem uma riqueza natural e acessível disponível?
Segundo,
Por que a gente passou a responsabilidade do nosso corpo e da nossa alimentação para pessoas que estão preocupadas em otimizar o lucro da produção e não otimizar o funcionamento da nossa máquina?
A gente deixou moldarem e viciarem o nosso paladar.
Fomos seduzidos pela promessa da praticidade e economia para termos tempo de fazermos o que realmente queremos.
Mas ninguém avisou que não tem almoço de graça,
Né?
Porque a conta tem chegado e ela está vindo bem alta.
Falta de disposição,
Acúmulo de gordura corporal,
Disfunções hormonais,
Perda de força,
De vitalidade,
De beleza,
De vontade.
Sinceramente,
Você se sente no seu ápice?
Você acorda e vai dormir sem dor?
Você consegue subir 10 lances de escada sem sentir formigamento ou ficar ofegante?
Você consegue dormir de verdade?
Você consegue digerir o que você coloca para dentro?
E se você pensou ou falou,
Mas e quem consegue?
Todos os meus amigos estão igual eu?
Repare agora quão insano é que o normal já não é mais ter saúde e sim saber conviver com a doença.
Eu mesma,
Eu já contei para você,
Eu decidi mudar porque com 21 anos eu estava doente.
21 anos,
Gente,
Como é que alguém de 21 anos está tão doente a ponto de ter se acostumado a sentir dor e desconforto todo dia?
Sendo que hoje nós temos acesso à informação,
Tecnologia de diagnóstico e tratamento,
Hábitos de higiene ótimos.
Se a expectativa é que eu viva pelo menos até os 80,
Como é que iam ser os 60 anos dali para frente se com 21 o meu corpo já estava capenga?
O carrão que eu ganhei estava funcionando quase que nem uma Kombi velha.
Ok,
Eu acho que você entendeu o meu ponto.
Temos um problema de hábito alimentar porque temos a tendência a achar que comida é só para nos dar prazer e porque vivemos uma cultura fast food.
Somamos a isso o fato de não sermos a geração mais paciente que passou por esse mundo até então e que estamos bem desconectados de nós mesmos,
Como eu contei para você no episódio passado.
Então como é que a gente vai resolver isso?
Bom,
Quando eu estava lá na Blue Zone da Sardenha,
Uma daquelas áreas com o maior índice de longevidade do mundo,
Que eu comentei com você já nos outros episódios dessa temporada,
Eu estava super animada para ver do que eles se alimentavam.
Será que era uma alimentação low carb,
Páleo,
Sem glúten,
Quem sabe um suquinho verde em jejum?
Nada,
Né,
Gente?
O que eu comi lá foi massa feita em casa,
Com farinha de trigo,
Com semolina,
Queijos e iogurte de leite de ovelha e de cabra,
Mel,
Carnes curadas,
Como o presunto cru,
Ervas e temperos da horta,
Que cada casa tem,
Verduras,
Legumes e frutas sazonais,
Azeite de oliva puro e fresquíssimo e,
Claro,
Vinho.
E daí que eu vi como que a gente complicou,
Como que a gente caiu e ainda cai nesses modismos bobos,
Nesse terrorismo tóxico,
E acabamos ficando na dúvida de algo que é intuitivo e natural para o ser humano,
Que é se alimentar.
A gente não precisa que alguém nos ensine a sentir fome,
Nem o que fazer quando sentimos.
É instintivo comer,
É intuitivo.
O que bagunçou foi transformar o alimento em produto,
O natural em mecânico,
O diverso em padrão.
Comer de 3 em 3 horas ou ficar sem comer 16 horas seguidas?
Comer bastante proteína ou só comer gordura?
Comer um pouco de açúcar ou se jogar nos adoçantes?
Segundo os meus amigos centenários,
Nada disso.
Você come um pouco de tudo,
Piano piano,
Como as mamassardas me diziam,
Com calma.
Você come comida local e,
Mais importante,
Você cozinha.
Lá na Itália nasceu o movimento Slow Food,
Que é o contrário do Fast Food.
Não existe uma construção de hábito alimentar saudável que faça você não ir para a cozinha.
Você pode chorar,
Espermear,
Me xingar,
Mas não tem discussão.
Para comer saudável e viver bem,
Você vai ter que aprender a cozinhar.
Você também tem que ampliar o seu paladar.
Você não é mais criança,
Você é um adulto.
Você tem que aprender a comer comida,
Aprender a suportar os sabores e conviver com as diferenças.
Comer sempre a mesma coisa,
Manter sempre com os mesmos sabores vai te deixar muito limitado.
E você pode achar que não tem ligação nenhuma,
Mas como você faz uma coisa é como você faz todas as coisas.
Quem vive só de prazer e satisfação não evolui e o mundo que vivemos hoje precisa de evolução de todos nós.
Nós somos cada vez mais numerosos e,
Se você e eu não fizermos o nosso máximo possível para sermos melhores do que fomos ontem,
A gente não vai chegar muito longe como sociedade ou a gente vai chegar todos em um carrão destroçado e barulhento quando a gente poderia chegar com leveza,
Beleza e conforto.
O hábito alimentar é um dos hábitos mais potentes e fortes que nos move,
Porque ele vai nos dar energia e disposição para tudo o que quisermos fazer,
Pensar,
Criar e construir.
Um corpo cansado,
Inflamado,
Mal cuidado não tem a mesma capacidade de um corpo sadio e forte.
E construir esse hábito,
Ele requer não só conhecimento e criatividade para receitas,
Mas também método e técnicas para que a rotina de cozinhar e o ato de comer sejam reestruturados em pilares mais saudáveis.
Nos últimos anos,
Eu desenvolvi o meu método para isso,
É o Meal Prep da FLA.
É uma plataforma online de construção de hábitos alimentares saudáveis com cardápios semanais,
Listas de compras e planner de preparos para que você consiga fazer as refeições da semana inteira,
Usando apenas 3 horas de um único dia.
Além disso,
Na plataforma você tem acesso a vídeos como o preparo semanal completo e aulas quinzenais sobre produtividade,
Organização e técnicas culinárias para te ajudar no processo.
O legal de você saber é que o nosso corpo,
Ele responde muito rápido aos novos estímulos.
Então você começando uma alimentação mais nutritiva,
Mais saudável,
Com comida de verdade e gostosa,
Hoje,
Em pouco tempo você já vai colher os benefícios.
Em pouco tempo você já vai ver que o seu carrão está ficando cada vez mais potente.
No próximo episódio,
Eu vou continuar a nossa reflexão sobre a longevidade possível.
Eu só quis começar falando sobre os hábitos desse ponto tão importante que é a alimentação.
Um dos hábitos,
Como eu disse,
Que mais afeta todos os outros.
Eu agradeço a compreensão e paciência pelo atraso do novo episódio e o carinho que vocês têm sempre com a audiência.
Até semana que vem.
Conheça seu professor
4.9 (50)
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