
O Caminho do Silêncio
Em "O Caminho do Silêncio", seguimos a jornada de Joana, uma mulher que, apesar de ter tudo o que muitos desejariam, sente um vazio crescente dentro de si. Em sua busca por respostas externas, ela se inscreve em um retiro silencioso, onde é desafiada a confrontar seus próprios pensamentos e emoções. Durante o retiro, ela descobre que o silêncio não é algo a ser temido, mas uma ferramenta poderosa para reconectar-se consigo mesma e encontrar a paz interior. Uma história de autodescoberta e reflexão, mostrando que a verdadeira resposta está dentro de nós. Música por Pixabay
Transcrição
O CAMINHO DO SILÊNCIO Joana vivia em uma cidade pequena,
Cercada por montanhas que pareciam abraçar o horizonte.
Sua rotina era meticulosa.
Acordar cedo,
Preparar o café,
Sair para o trabalho,
Voltar para casa e repetir tudo no dia seguinte.
A aparente tranquilidade escondia um constante burburinho dentro dela,
Uma voz baixa mas persistente que dizia,
Algo está faltando.
Ela tinha tudo que,
À primeira vista,
Alguém poderia desejar.
Uma casa confortável,
Amigos com quem compartilhar risadas,
Um trabalho estável.
Ainda assim,
Havia noites em que o vazio parecia esmagador,
Um eco que preenchia os cantos de sua mente.
Joana acreditava que a resposta para sua inquietação estava no mundo externo.
Inscreveu-se em cursos,
Buscou novos hobbies,
Até tentou preencher as lacunas com viagens e pessoas.
Mas não importava onde estivesse ou com quem,
O vazio a seguia como uma sombra.
Uma tarde,
Enquanto caminhava pelo centro da cidade,
Joana viu um pequeno cartaz pregado em uma árvore.
Dizia apenas,
Encontre o silêncio dentro de si,
Retiro no bosque,
Inscrições abertas.
Ela quase riu,
A ideia de um retiro parecia absurda.
Joana não era do tipo que acreditava em introspecção,
Mas por alguma razão o cartaz ficou com ela.
Talvez fosse a simplicidade das palavras ou o tom sereno que evocavam.
No dia seguinte,
Sem pensar muito,
Ligou para o número e se inscreveu.
O retiro ficava em um bosque denso a poucos quilômetros da cidade.
Ao chegar,
Joana sentiu um desconforto de estar fora de sua rotina.
Foi recebida por uma mulher idosa de olhos gentis e voz suave.
Você veio para ouvir,
Disse a mulher,
Como se soubesse exatamente o motivo de Joana estar ali.
O retiro era silencioso literalmente,
Os participantes não podiam falar uns com os outros.
Apenas caminhavam,
Meditavam e refletiam em silêncio.
Joana achou a ideia insuportável no início,
Como alguém poderia encontrar respostas sem fazer perguntas.
Nos primeiros dias,
Joana enfrentou tudo o que tentava evitar na vida cotidiana,
Somente.
Sem distrações,
Os pensamentos que costumava ignorar agora surgiam com força total.
Recordações antigas,
Mágoas esquecidas e dúvidas sobre si mesma assombravam.
Joana queria ir embora,
Mas algo,
Talvez curiosidade,
Talvez teimosia,
A fez ficar.
Certa manhã,
Enquanto caminhava sozinha pelo bosque,
Joana parou à beira de um riacho.
A água corria calmamente sobre as pedras,
Produzindo um som suave e ritmado.
Ela se sentou e ficou ali,
Sem pensar em nada.
Na primeira vez,
Em muito tempo,
Não havia urgência.
Foi ali,
No som da água,
Que Joana percebeu algo.
O vazio que sentia não precisava ser preenchido.
Ele era parte dela.
Nos dias que se seguiram,
Joana começou a notar detalhes que antes lhe escapavam.
O farfalhar das folhas,
O calor do sol em sua pele,
O simples prazer de respirar.
Cada momento parecia ter sua própria plenitude.
Ela esqueceu que sua inquietação não era sobre o que estava faltando,
Mas sobre sua desconexão consigo mesma.
Estava sempre buscando fora enquanto o que precisava estava dentro.
No último dia do retiro,
A mulher idosa se aproximou novamente.
O silêncio mostrou o que você precisava?
Joana sorriu sem dizer nada.
Quando voltou para casa,
A vida de Joana ainda era a mesma,
Mas algo dentro dela havia mudado.
Ela aprendeu a fazer pausas,
A ouvir o que sentia,
A encontrar momentos de calma mesmo no caos.
A inquietação não desapareceu completamente,
Talvez nunca desaparecesse.
Mas agora,
Joana sabia que ela não era sua inimiga.
Era um convite constante para voltar ao silêncio,
Para se reencontrar.
E assim,
Sua busca por paz interior tornou-se um caminho,
Não um destino.
Um caminho onde cada passo,
Por menor que fosse,
Tinha o poder de transformá-la.
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