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Aonde a Prática se Fundamenta

by Ricardo Sasaki

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Meditação
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Idealmente a prática da meditação encontra apoio num tipo de vida que fortalece a própria prática, criando um círculo de apoio recíproco. Nessa aula veremos qual é esse tipo de vida. Esta é a gravação de uma aula dada em novembro de 2008 e pode incluir ruídos de fundo.

Transcrição

Este é o DharmaCast.

Meu nome é Ricardo Sasaki e aqui falamos sobre Budismo,

Meditação e Sabedoria Ancestral no Mundo Moderno.

Sejam bem-vindos.

O tema para hoje é onde a prática se fundamenta e hoje é um desses temas onde a prática se fundamenta.

A ideia desse título é de falar sobre qual é tradicionalmente a base onde a prática vai ser construída.

Porque,

E isso é particularmente interessante,

No que o Budismo e a Meditação Budista vieram para o Ocidente,

Algumas transformações muito grandes começaram a ocorrer.

E me parece que uma das principais modificações é a transformação daquelas abordagens budistas em técnica.

Ou seja,

Existe um certo desnudamento da prática,

Existe uma retirada delas de um contexto e como elas são bastante úteis e efetivas em si mesmas,

Então se tirou gradualmente daquele contexto em que elas estavam e se transformou em técnica.

Isso tem um lado positivo e um lado negativo.

Então vamos pegar pelo lado positivo.

Um lado positivo de fazer esse desnudamento é que aquela técnica pode ser oferecida,

Ou começou a poder ser oferecida para um público muito mais amplo.

Um público não necessariamente que começa como budista,

Mas o povo em geral.

À medida em que você oferece algo enquanto técnica,

Isso se abre para pessoas independentemente da religião que elas tenham ou não tenham.

Então isso abre a prática,

A prática é efetiva independentemente disso,

Então tem essa vantagem.

E quem sabe algumas pessoas que vão se aprofundando acabam se interessando também por outros aspectos mais teóricos,

Doutrinais da compreensão que faz parte dessa abordagem.

Um lado negativo é que ao tirar do contexto,

Cria-se um certo desequilíbrio,

Cria-se uma possibilidade de você usar de uma forma como não foi intencionada pelo criador da técnica,

Digamos.

E como a gente,

O ser humano,

Não opera num vácuo de visão de mundo,

O que acontece é que quando uma técnica é desnudada do contexto dela,

Ela necessariamente acaba entrando num outro contexto,

Que é o contexto da visão de mundo do indivíduo.

Falando isso de outra forma,

Nós enquanto seres humanos,

Nós não operamos fora de uma visão de mundo.

Se você chama essa visão de mundo religiosa ou não,

Ou filosófica,

Seja o que for,

Mas você sempre opera numa visão de mundo.

Mesmo quando não é religiosa,

Mesmo quando você fala que não tem nada a ver com religião,

Ainda você tem as coisas que você acredita,

As coisas que você acha que o mundo é,

As coisas que você acha que você é e o que você deve fazer no mundo.

Então isso te dá um contexto geral,

Certo?

Então,

Quando você pega essas técnicas,

Há a tendência de você incluir na sua visão de mundo e ir acumulando técnicas,

Sempre mantendo a sua visão de mundo.

E como não tem aquele contexto de onde ela veio,

As suas visões de mundo nunca vão ser desafiadas e,

Portanto,

Todo um potencial de transformação que algo teria,

Passa a talvez não ter.

Então você esvazia aquela técnica,

Na verdade.

É como se ela não ficasse bem sentimentada.

É como se ela não fosse compreendida em qual que é o objetivo dela.

Domingo eu falei um pouco disso,

De como que,

Por exemplo,

A concentração pode ser tomada só como uma técnica pra ficar calma.

Essa é uma coisa que as pessoas se aproximam da meditação simplesmente pra ficar calma.

E que,

Se bem que não é um objetivo errado,

Ele é um objetivo muito limitado e que acabaria ou acabará trazendo bastante frustração para aquele que pratica com essa ideia de que esse é o objetivo.

Então,

Sempre quando você tem uma técnica,

Em geral,

Você não tem aquela necessidade do entendimento.

Perde-se a ênfase no entendimento.

A técnica é uma coisa só pra ser aplicada.

É um pouco como a diferença,

Talvez,

Que existe entre o médico e o laboratorista.

Não sei exatamente se é isso,

Mas a ideia é assim.

O objetivo dele é tirar o sangue,

Fazer tais e tais medições.

Ele não precisa entender nada.

Ele é um sujeito prático,

Certo?

Então,

Pelo menos a tarefa dele é simplesmente uma coisa prática.

O médico põe o tubo nesse e naquele aparelho e tem tal e tal resultado.

E aí,

Então,

Sai aquela folha pra você falando as suas medições de pressão e todas essas coisas.

Enquanto que o médico supõe-se que ele pega aquela folha meramente técnica,

Cheia de números,

E entenda o que isso significa.

Quer dizer,

Entenda o contexto geral do corpo.

Então essa é um pouco a diferença de você pegar algo enquanto técnica.

Meditação é isso.

Então você aplica tal e tal coisa e terá tal e tal resultado.

E de você entender efetivamente o que é essa meditação no contexto geral das coisas e com os objetivos mais profundos daquelas coisas.

Então é um pouco,

Acho que esse seria um exemplo.

Aonde a prática se fundamenta?

Tradicionalmente,

Então,

Dentro desse contexto original é falado que a prática se fundamenta em silas.

E sila é traduzido geralmente como moralidade.

Seria uma palavra muito usada para traduzir sila.

Alguns traduzem como ética,

Se bem que moralidade e ética são um pouco diferentes.

Outros traduzem como virtude.

Então,

O que é sila?

Sila é basicamente um modo como você se relaciona no mundo.

Depois vocês pensem que palavra vocês vão dar para isso.

Se é moralidade,

Virtude,

Ética,

Alguma coisa assim.

Mas sila,

Então,

Tem essa ideia de ser o modo,

A conduta que você tem em relação ao mundo e,

Portanto,

Em relação aos outros seres.

Isso é dito que é a pedra sobre a qual você constrói a sua casa.

É a fundação.

Esse é um exemplo.

Quando você pega a meditação e a considera como técnica,

Você não traz sila com isso.

É uma das coisas que é descartada.

E,

Portanto,

A meditação fica aquela técnica sem,

Tradicionalmente,

O que é considerado como fundação.

Bem,

Existem quatro pontos fundamentais a serem contemplados quando você fala desses fundamentos.

Então,

Vamos tentar entender quais são esses quatro pontos.

Então,

Veja que esses quatro pontos são colocados como sendo coisas fundamentais de embasamento da sua prática.

Portanto,

Coisas que vão facilitar a sua prática.

Um dos grandes problemas da meditação,

Ou dos meditantes,

É que eles vêm para meditar,

Muitas vezes,

Quando a vida já está tão bagunçada,

Já está tão dançada em todos os níveis,

Que a meditação acaba sendo,

Assim,

A sua última tábua de salvação.

Depois que você já tentou todas essas coisas,

Nada funcionou.

E aí,

Então,

Vem a meditação como sendo o último recurso.

Quando meio que devia ser,

Talvez,

O contrário.

Você se aproximar da meditação quando todas as coisas já estão bem.

Quando a maioria das coisas já estão resolvidas.

Essa é a forma tradicional de fazer as coisas.

A meditação é para você se aprofundar.

Quando você já chegou numa paz relativa no mundo,

E aí,

Então,

Já foi o suficiente,

Eu quero mais.

E aí,

Então,

Você vai para a meditação.

Hoje,

A gente pega um pouco como o contrário.

O último recurso para lidar com a sua vida totalmente em balbucia,

Tumultuada.

Então,

Esses quatro pontos,

Eles são quatro pontos que ajudariam a pessoa a ter uma prática,

Ou a criar o contexto para que ela tenha uma boa prática.

E é por isso que é importante.

O primeiro ponto,

Então isso aí é uma descrição tradicional que eu vou falar.

O primeiro ponto é a restrição de acordo com o código de disciplina.

Então,

O que significa isso?

Para o monge,

É muito fácil saber.

O monge,

Ele tem um código de disciplina,

Um código monástico,

Que faz com que ele possa se relacionar de uma forma sadia com os seus companheiros de mosteiro.

Que são 227 regras.

E que é uma coisa que você aceita de antemão antes de se tornar monge.

Mas nós aqui não somos monges.

Então,

Qual que é a relevância disso para nós?

O que é a restrição de acordo com o código de disciplina para pessoas que não são monges e que não vivem em uma comunidade monástica?

E aí então,

A primeira coisa que vem à mente é o Panchasila,

Os cinco preceitos.

Você tem cinco treinamentos que toda pessoa que se envolve mais profundamente no budismo toma como guia.

Esses cinco treinamentos vão ser tema para uma outra aula,

Mas,

Basicamente,

A ideia é de ser um treinamento de como você se relaciona com os outros.

O que é importante aqui é nós entendermos porque existe,

Por exemplo,

Num contexto monástico,

Tantas dessas regras,

E num contexto laico,

Esses cinco treinamentos.

Então,

Qual que é o objetivo disso?

Qual o objetivo de você não quebrar ou não ultrapassar o treinamento que você se colocou?

Então,

A ideia para nós é como que,

Ou qual é o objetivo de ter isso.

E aí,

Então,

Nós entramos propriamente na questão da ética.

Por que que a ética é importante?

A ética,

Na verdade,

É uma reflexão de como que os seres humanos devem se tratar uns aos outros.

Então,

Por que que é importante ter isso?

Eu não vou elaborar isso,

Mas uma ideia aqui presente é que todo esse código monástico para monjos,

Por exemplo,

Ele foi elaborado tendo como objetivo facilitar a vida de todas as pessoas que vivem numa comunidade.

Eu diria que a base da ética budista é essa.

É como que você,

Ou como que todas as pessoas,

Podem ter um comportamento que não atrapalhe o outro e que facilite,

Se possível,

A vida das outras pessoas.

Então,

Veja que isso se aplica,

Esse tipo de reflexão se aplica igualmente na sua família,

No seu grupo,

No seu ambiente de trabalho.

Pensar eticamente significa você olhar para as suas ações efetivamente e ver,

E refletir se aquilo atrapalha ou não as pessoas ao seu redor.

Veja que ética,

Nesse sentido,

Tem a ver com ação.

Ação verbal e ação corporal.

E não com pensamentos.

Entende como que aqui a gente está num campo que é diferente da meditação?

Na meditação,

Em todo esse trabalho da meditação,

O nosso interesse é trabalhar propriamente.

Você trabalha atenção,

Vigilância,

Você trabalha concentração,

Obstáculos mentais,

Certo?

Tudo isso é um trabalho interno.

Você se senta,

Você está sozinho,

Mesmo que esteja sentado em grupo,

E a meditação é um conjunto de procedimentos para você aprender a lidar com as coisas internas.

Mas isso não tem nada a ver com as suas ações no mundo para com as outras pessoas.

É por isso que no budismo essas duas coisas,

Claro,

Têm uma relação,

Mas são colocadas em categorias diferentes.

De forma que a gente deve pensar que devemos lidar com as duas.

Se você pensa que só lidando com a meditação você vai conseguir purificar e entender a sua mente sem mexer também com a sua área de comportamento,

Isso seria um engano.

A restrição de acordo com o Código de Disciplina significa isso.

Significa assim,

Se nós começarmos a fazer tudo que nós gostamos e queremos,

Muito provavelmente a gente vai causar problemas para outras pessoas.

Imagina que você.

.

.

Eu acho que é o tipo de reflexão que a gente pode fazer para as coisas mais banais.

Eu acho que é isso que é importante para a gente fazer.

Então assim,

Digamos que você reúne com cinco amigos,

Para qualquer coisa.

Agora,

Se um resolve que ele tem que falar,

Que é ele que quer falar,

Ele que tem que contar histórias,

Etc,

Etc.

Já imaginou como que ficaria a reunião?

Todo mundo tendo que escutar o outro que é o falador e que não percebe que ele é assim e que não dá oportunidade para outras pessoas conversarem.

A próxima reunião não vão chamar ele.

Então assim,

Coisas simples que a gente não coloca atenção.

Por quê?

Porque a gente olha para a gente só.

A gente olha só para o próprio umbigo,

Sobre o que eu quero,

O que eu faço,

Sem a preocupação de como que o outro está respondendo a isso.

Então o pensamento de ação ética é assim,

O que a minha ação pode ajudar no contexto onde eu estou atuando.

E se não pode ajudar,

Pelo menos não atrapalhe.

Esse é o sentido dessa primeira restrição.

Não atrapalhar,

Ter uma convivência harmoniosa.

Porque quando você consegue ter uma convivência harmoniosa,

Então você vai estar mais em paz e você vai conseguir meditar melhor.

O segundo ponto é chamado de restrição dos sentidos.

Isso tem uma relação direta com a meditação.

Porque se você não tem um cuidado com como você lida com os seus sentidos,

Quando chega na hora da meditação,

É como você querer parar um trem que o dia inteiro esteja a 200 km por hora e você simplesmente senta e para.

Obviamente que o corpo para,

Mas a mente continua na mesma velocidade do seu dia.

Então,

Prestar atenção com o que você faz com o olho,

Ouvido,

Toque,

Cheiros e sabores,

É uma coisa fundamental.

E isso envolve uma certa restrição.

Porque,

Novamente,

Se nós formos fazer tudo que a gente gosta,

Já imaginou o que é que daria?

Eu gosto de ver televisão.

Aí eu fico vendo o dia inteiro a televisão.

E não é muita gente assim.

Fica vendo televisão o dia inteiro.

Eu gosto muito de ouvir música.

Ponho lá meu MP3 e fico o dia inteiro ouvindo isso.

Lá se foi a restrição auditiva.

Ou então eu gosto muito de comer.

Então como o dia inteiro.

Restrição dos sentidos significa que nós temos que colocar um certo limite,

Uma certa parada.

Isso,

Na verdade,

Vem de uma compreensão.

Uma compreensão da natureza dos desejos e dos sentidos.

Infelizmente,

As pessoas que praticam meditação nem sempre têm uma visão clara sobre isso.

Então como que ainda existe aquela ideia de qualquer coisa que eu desejo é bom.

Já que o desejo é natural,

Uma das piores palavras foi essa palavra natural.

Porque em nome do natural,

Todas as maiores atrocidades do mundo foram feitas.

Porque o natural segue uma teoria subjacente sua.

Então porque você acha que naturalmente os brancos são os mais importantes,

Você mata todos os negros.

Porque naturalmente o cristianismo é a melhor religião,

Você dizima os índios.

Porque você acha que naturalmente a raça ariana é a melhor e você faz parte,

Você acaba com os judeus.

E são coisas naturais que acontecem.

Então nós justificamos os vários desejos e agendas que nós temos baseado nisso que é natural.

Naturalmente isso ocorre,

Então deixa fazer.

Imagina se você faz isso,

Vamos colocar no contexto nós com um filho.

Imagina se você começar a pensar que tudo que surge no filho é natural.

Então você coloca ele diante de uma mesa com ervilhas e outra mesa cheia de doce.

O que ele vai escolher?

Obviamente que ele vai ficar comendo doce pelos próximos cinco anos.

Então ele escolhe,

Olha a escolha.

O corpo é sábio,

Aí vem aquela ideia do corpo é sábio.

O corpo é sábio,

O corpo sabe escolher.

O que surge de desejo a gente tem que seguir o desejo que ele surge naturalmente.

E aí então nós pegamos todos os chicletes mentais e emocionais da vida e justificamos como é natural.

Então o que deveria reger a nossa vida não é o natural ou os desejos que surgem naturalmente,

Mas sim o entendimento.

Uma sabedoria das coisas.

Então a restrição dos sentidos ela se baseia nessa ideia.

De que você tem um entendimento da natureza dos sentidos,

Dos desejos e que saiba colocar limites.

Que há necessidade de colocar limites nesses sentidos.

Uma outra coisa que isso implica é não reagir com gostos e desgostos a cada contato que você tem.

Porque todos esses gostos e desgostos,

Nós vamos ver mais adiante,

São complicados.

Infelizmente nós somos tão dominados por essas duas coisas que a vida inteira nossa no dia a dia é baseada em sair atrás do que você gosta e fugir das coisas que você não gosta.

Então assim,

É o tempo todo correndo atrás da cenoura e fugindo do chicote.

E aí você pode fazer uma análise da sua vida,

Do seu dia de hoje e ver que todos os seus problemas mentais estavam girando em relação a escapar de algo desagradável e sair correndo atrás do agradável.

Então nós temos que estar mais atentos a essa reação que nós temos de gostos e desgostos.

O terceiro ponto desse fundamento da prática está na pureza dos modos de vida ou dos meios de vida.

Isso significa o que?

Que o modo como você ganha vida,

O modo como você sobrevive,

Digamos,

Aquilo que você se ocupa profissionalmente,

Deve ser alguma coisa que ajude a criar uma harmonia no seu ambiente ou que pelo menos não cause desarmonia para o outro e para você mesmo.

Então assim,

Existem algumas profissões que no budismo são colocadas como obviamente infringindo esse princípio da pureza dos meios de vida.

Como por exemplo a venda de armas,

Uma coisa meio óbvia,

Ou a venda de drogas,

Ou a venda de álcool.

Seria tradicionalmente no budismo considerado uma profissão não saudável,

Insalubre.

Mas não se aplica só a isso.

Você tem o médico ganancioso que recomenda fazer operações quando não são necessárias.

O advogado enganador.

Então,

Na verdade,

Todas as profissões,

Você não pode fazer a distinção entre profissões insalubres e profissões saudáveis.

Não.

Isso é a forma mais externa de lidar com isso.

O que você deve pensar é que todas as profissões,

Elas têm esse potencial.

Mesmo as saudáveis.

Porque é como que você vai lidar com isso.

Não é a profissão em si,

Mas o modo como você age.

E como que isso pode ser purificado.

Como que você pode ter um meio de vida que no final do dia você não tenha o arrependimento,

Não tenha dor na consciência,

Não tenha aquele peso que teria em uma mente moral,

Uma mente ética.

Purificação dos meios de vida.

E o quarto ponto ligado à fila é a moralidade quanto aos quatro requisitos.

Esses quatro requisitos,

Eu vou falar brevemente,

São as quatro coisas fundamentais que um monge pode ter.

Então,

Se é colocado,

O Buda fala que quatro coisas são necessárias e só quatro coisas são necessárias.

E não está o computador,

A televisão,

A Mercedes,

A fazenda no interior,

Nada disso está incluído nesses quatro.

Então,

Tudo que não estiver nesses quatro é extra.

Não quer dizer que a gente não deva ter.

Mas,

Só para que a gente mantenha a consciência que só tem quatro coisas que sejam realmente necessárias.

E que quanto mais fora do limite dos quatro,

Mais,

Provavelmente,

Problemas você vai ter.

Mais potencial de ter coisas para se preocupar.

Problemas que vão acontecer.

Você pode pensar assim,

Quanto mais filhos você tem,

Claro que mais.

Até felicidade você pode ter também,

Mas são quatro mais preocupações.

Mais dinheiro que você tem que ganhar,

Mais escola,

Mais brigas,

Mais doenças,

Mais corridas para o hospital.

Então,

O que a gente pode pensar é assim,

Cada coisa que você acrescenta,

Saiba que nada sai de graça.

Então,

Quais são as quatro coisas?

Vocês já estão curiosos para saber,

Não é?

Primeiro é roupa.

Agora,

Roupa,

No caso do Mons,

São três trocas de roupa.

Não é aquele armário imenso.

Aqueles trinta e cinco pares de sapatos sempre crescendo.

São roupas e roupas e roupas e roupas.

Então,

Vamos tentar pensar o que é isso.

Então,

O que esse ponto nos evoca é uma reflexão de como que você lida com o vestuário.

As roupas te atrapalham ou te ajudam?

Quanto tempo que você passa pensando no que vai existir?

Cuidando das roupas,

Etc.

Comprando,

Descartando.

Tudo isso é um tempo que você poderia se dedicar a alguma coisa mais útil.

Então,

É possível um excesso no vestuário.

O segundo requisito é o alimento.

Então,

Obviamente que a gente precisa comer.

Precisamos comer,

Precisamos nos alimentar.

Mas cuidado para não se tornar mais uma distração.

O terceiro requisito é o abrigo.

Então,

Precisamos de ter um lugar onde morar.

É algo importante.

Agora,

Quando que o lugar para morar extrapola?

Aí que está.

Então,

Qual que é o nosso limite?

O que a gente precisa ter em casa?

E que seja o suficiente como abrigo.

O quarto requisito é um requisito ocasional.

Ele só está lá quando nós precisamos.

São os remédios.

É o medicamento.

Quando ficamos doentes,

Precisamos de medicamento.

Então,

Temos esse.

O que é importante aqui é captar o sentido disso.

Veja que em todos esses casos,

O sentido é de uma moderação.

É de uma simplificação da sua vida para poder se dedicar com mais intensidade e tempo às coisas que são realmente importantes.

E eu diria que não tem como haver progresso na meditação sem que você simplifique de alguma forma a sua vida.

Não tem como fazer isso.

Porque continuamos tendo só 24 horas.

As pessoas que passam a meditar,

Não importa.

Elas continuam tendo 24 horas.

Não importa o melhor curso de meditação que você entre com o grande mestre mundial.

Você continua tendo 24 horas.

Então,

Não tem como mexer com isso.

Então,

Há simplificação e uma reflexão sobre qual é o limite dos requisitos,

Dos gostos e desgostos e do tempo que você gasta com tudo isso é essencial para que você possa realmente ter tempo para o que é importante.

Se você acha que isso é importante.

Então,

A essência do tema de hoje é contentamento.

Nós temos que aprender qual é o significado do estar contente.

Do contentar-se com o quê?

E essa,

Na verdade,

É a base da nossa meditação.

Porque enquanto a gente não chegar num equilíbrio desse contentamento,

Todas as nossas meditações vão ser perturbadoras.

Porque a sua mente não está contente.

Então,

Ela vai estar saindo para as mais variadas coisas porque ela não para.

Então,

É nesse sentido que essa é a prática que é o fundamento de toda a meditação e de todo o caminho.

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Bernadete

February 12, 2024

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