
Meditação de Aceitação e Entrega: Descendo
Esta é uma meditação baseada em uma reflexão de entrega e aceitação. Ela é uma homenagem ao primeiro capítulo do livro "Confortable With Uncertainty" da monja Pema Chodron em que ela diz que a iluminação espiritual não está no alto de uma montanha sozinha e em silêncio e sim aqui na sua base, em meio ao caos, junto de toda a humanidade.
Transcrição
Olá,
Sejam bem-vindas.
A meditação de hoje é uma homenagem à monja americana Pema Chodron e foi inspirada no primeiro capítulo do seu livro Comfortable with Uncertainty,
Infelizmente ainda indisponível no Brasil.
Esta meditação chama-se Descendo.
Vamos começar?
Primeiro,
Acomode-se de um jeito bem confortável.
Procure deixar sua coluna ereta e desconecte-se do mundo.
Feche os olhos e respire fundo três vezes,
Demorando mais para exalar do que para expirar.
Estou aqui,
Sentado exatamente no ponto mais alto dessa montanha.
Não tem ninguém aqui.
Estou só.
O vento bate forte em meu rosto.
Faz um frio.
O silêncio,
Sem pedir permissão,
Se faz ouvir.
Aqui,
De algum modo,
Me sinto quieto e calmo.
Uma sensação de conquista gentilmente vai me preenchendo.
Foi duro chegar até aqui.
Sinto meu corpo,
Minha respiração,
Os batimentos do meu coração.
Percebo minhas células todas ligadas e conectadas.
Sinto a leveza de quem foi soltando todas as minas e pesos ao longo dessa árdua subida.
Sinto paz,
Mas não sinto plenitude.
Me falta algo que não sei nomear,
Mas posso sentir.
Respiro,
Espero.
Percebo um desejo chegando e o acolho.
É um desejo de voltar.
Curioso,
Observo minha mente e meu corpo iniciarem uma descida ao vale onde essa jornada começou.
Começo a descer lentamente essa subida que demorou anos,
Talvez décadas,
Para ser alcançada.
Sinto que não deixo nada para trás.
Este movimento me faz sentir que meu destino é o caminho.
Com um sorriso no rosto e uma leve surpresa,
Descubro que a trilha construída em minhas memórias já não é mais a mesma.
Pontos dificílimos de serem atravessados no passado,
Agora passo sem dificuldades.
Pontes fortes e maciças,
Agora me parecem moles e bambas.
Outras pontes simplesmente não podem desistir.
Atravessá-las exige caminhos alternativos.
Cruzo com alguns poucos viajantes.
Eles são gentis e determinados.
Trocamos poucas palavras.
Compartilhamos água e mantimentos.
Seguimos.
Finalmente chegou ao ponto intermediário da montanha.
Um lugar de encontros,
Onde todos aqueles que estão subindo juntam-se para trocar experiências,
Trilhas alternativas,
Projeções e expectativas do caminho que está por vir.
Ideias sobre o pico da montanha.
Um lugar de encontros,
Onde todos aqueles que estão descendo preenchem-se do entusiasmo daqueles que estão subindo,
Mas observam apenas com um sorriso silencioso.
Aqui sinto que minhas palavras têm pouco valor.
Realizo que apesar de sentir essa incrível conexão,
De encontrar outros corações buscando aquilo que sempre procurei e continuo procurando,
Na essência somos todos diferentes.
E que bom!
Esta busca é só mais uma linda dimensão das nossas almas.
Ela não pode nos definir e tão pouco definir essa montanha.
Este é um não lugar,
Apenas um posto de passagem,
De apoio e de suporte.
Feliz pelo acolhimento,
Pelo calor e pela energia recebida,
Continuo minha descida.
Nesta etapa do caminho encontro mais gente,
Mais vida.
O silêncio se faz pouco presente.
Choros e gargalhadas voltam a fazer parte do cenário.
Cruzo com pessoas que fixamente me conheço.
Reconheço traços familiares.
Eu conheço essa pessoa.
Eu já fui essa pessoa.
Eu serei essa pessoa.
Agora,
Me aproximando do vale onde comecei minha jornada,
Minhas energias mudam.
Me sinto mais ansioso,
Mais inseguro.
Nada na intensidade que sentia quando deixei o vale,
Mas ainda assim me observo intrigado.
Já muito perto da vila em que nasci,
Com a trilha lotada,
Irrito-me com aqueles que andam mais devagar do que eu.
Imediatamente penso.
Este não deveria ser o comportamento de quem esteve no alto da montanha.
Percebo,
Curioso,
Que após todo esse caminho,
Continuo julgando aos outros e a mim mesmo.
Finalmente,
Chego ao meu antigo lar,
Minha casa,
Onde nasci e me formei.
O silêncio inexiste,
Principalmente dentro de mim.
Todas as dinâmicas,
Tensões e moldes que me deram forma estão presentes.
O caos.
E depois dessa viagem de décadas,
Sinto que minha maior conquista é poder observar,
Com algum distanciamento,
Toda a beleza da minha história,
Sem julgá-la ou condená-la.
E com isso,
Ganho alguns poucos minutos entre tudo aquilo que me incomodava e minhas reações.
Sinto-me vitorioso.
Agora,
Percebo que minhas palavras nada valem,
Mas me sinto vivo como nunca.
Aqui,
Eu sou autêntico.
Sinto aquela plenitude que me faltou no alto da montanha.
Decido,
Vou ser aqui por um tempo.
Mas,
Com um sorriso largo no rosto,
Me pergunto.
Quando vou começar minha próxima subida?
Obrigado.
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