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História Para Dormir: Anoitecer Mágico no Parque

by Raquel Ribeiro

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Com essa história você vai dormir profundamente porque ela foi pensada especialmente para isso. Ela é cheia de cores e imagens e tem ritmo lento e suave. A história "Anoitecer Mágico no Parque" vai te ajudar a desconectar dos pensamentos do dia a dia e vai embalar as suas noites rumo a um sono reparador. Essa história foi escrita por Jorge Claudio Ribeiro Jr e narrada por Raquel Ribeiro. Fato curioso: a dupla é pai e filha. Ambos se inspiraram nas histórias que Jorge contava para os filhos.

Transcrição

Meu nome é Raquel Ribeiro e eu vou te guiar nesse passeio mágico,

Cheio de seres e cores,

Descrito por Jorge Cláudio Noel Ribeiro Jr.

Vamos lá?

Entro no Parque da Água Branca,

Na capital paulistana,

Pouco antes do sol se pôr.

Inspiro profundamente o ar limpo e sinto seu frescor.

A temperatura está gostosa e eu me sinto feliz ao percorrer o caminho belo e irregular de Paralelepípedas.

Hoje andarei sem destino,

Sem pressa,

Sem companhia.

Deixo meus pensamentos e meus olhos vaguearem,

Enquanto sigo pelas alamedas para visitar as minhas velhas amigas,

As árvores.

Para mim,

As árvores são os seres mais bondosos de todo o reino da vida,

Pois elas só fazem o bem e nos dão incontáveis presentes.

O oxigênio que retiram do ar,

Os perfumes que exalam,

A energia que acolhem do sol.

Sua beleza alimenta todos os nossos sentidos.

O que as árvores me dizem?

Que mensagem me trazem?

Apesar de não falarmos a mesma língua,

Silenciosamente me entendo com elas e constato que visitá-las me faz um bem imenso.

Sempre foi assim.

Tanto que,

Quando meus filhos eram crianças,

Eu os ensinei a abraçar as árvores para escutar o que elas sussurravam em seus ouvidos.

Gosto de imaginar que meu corpo é uma árvore.

Torno-me vegetal,

Me estico,

Ora para um lado,

Ora para o outro.

Meu crescimento jamais foi certinho.

Assim tem sido minha vida.

Procurando sol,

Sorvendo a garoa,

Suportando tempestades.

Deixo cair no solo galhos secos para continuar a produzir novos ramos,

Novas folhas e novas flores multicoloridas.

Desapego e florescimento são um processo constante.

Assim são os seres vivos,

Assim são os humanos,

Assim sou eu.

Trepadeiras de vários formatos e cores ocupam cada espaço disponível.

A costela de Adão apresenta grandes folhas que se dividem em sete partes de cada lado e,

De fato,

Lembram essa parte da anatomia humana.

Cada trepadeira se enrosca no tronco e enfeita sua árvore e lhe fornece um ambiente úmido para que não se resseque.

Para contemplar as árvores inteiras,

Eu preciso mudar meu modo de observar.

Se eu apenas olhar reto,

Sem fazer esforço,

Apenas verei uma pequena parte do tronco.

Para vê-la inteira,

Devo movimentar a cabeça para cima,

Até a copa,

Onde a maior parte da vida animal se hospeda.

O esforço vale a pena,

Pois também contemplo o céu pintado de vermelho e a primeira estrela.

Desse ângulo,

Consigo ver sabiás,

Bentivis e beija-flores se ajeitando para a noite que chega.

A lua começa a nascer.

Em vários locais,

Há figueiras gigantescas com largas folhas verdescuras e que a minha mãe ensinou chamar de ficus italiano.

Essas árvores têm raízes finas e aéreas que descem dos galhos,

Formam tranças e se inserem na terra.

O formato das figueiras é impressionante.

Ora,

Lembram uma catedral,

Ora,

Um castelo.

Em meio às raízes habitam aves,

Especialmente galos e galinhas que se espalham por todo o parque.

Um galo cacareja e logo é respondido por outro adiante,

E mais longe um outro.

Por isso,

O poeta diz que um galo sozinho não tece uma manhã.

Para o dia nascer,

É preciso que um galo cante,

Outro responda e mais outro comente.

Ao mesmo tempo,

Os bentivis,

Com seu canto peculiar,

Estão a celebrar seja lá o que bentivis celebram.

Todos compõem uma grande sinfonia.

Para a cidade,

Um parque é um patrimônio riquíssimo.

Para as pessoas,

É fonte de saúde.

Nesse lugar mágico,

Estamos em contato com a natureza.

Respiramos ar puro e perfumado e captamos a sensação de enorme fertilidade,

De que tudo ali está crescendo.

Mesmo sem nos darmos conta,

Nos ofruímos do carinho acumulado por aqueles que cuidaram desse lugar por anos e anos no passado.

As luzes douradas do parque se acendem nos postes enfileirados ao longo do caminho.

É um show de luzes e sombras que me encanta.

Continuo a minha caminhada e me deparo com três piscinas interligadas em níveis diferentes.

Elas recebem água natural vinda de uma fonte próxima e que acaba desembocando num lago bem maior,

Mais abaixo.

A piscina mais alta tem águas transparentes e é habitada por pequenos peixes e por famílias de patos a flutuar na superfície.

Apoiado numa cerca de madeira,

Eu vejo o céu avermelhado e as árvores se espelhando nas águas.

Quando os patos se movimentam,

A paisagem refletida ganha aspecto inusitado.

As duas piscinas a seguir são progressivamente mais barrentas,

Mas parece que seus habitantes não ligam.

Esse lindo conjunto de águas,

Animais e vegetação é um dos meus lugares prediletos nesse parque.

E eu me lembro,

Certa vez,

De um patinho amarelo parecido com esse de plástico que as crianças brincam na banheira.

Se separou do grupo porque não conseguia subir pela margem da piscina.

Eu e os outros visitantes ficamos apreensivos e pedimos ao encarregado que salvasse o pequenino.

Experiente,

Ele nos disse que qualquer traço de cheiro humano no filhote faria com que a mãe pata o rejeitasse.

E se o patinho conseguisse se salvar sozinho,

Muito bem.

Do contrário,

Não haveria o que fazer.

Enfim,

Sob aplausos,

O patinho conseguiu descobrir um atalho nas bordas e saiu abanando o rabinho amarelo,

Feliz da vida.

Caminho um pouco mais e encontro outra piscina com um chafariz que movimenta as águas,

Onde vagalumdeiam grandes carpas,

Vermelhas,

Brancas,

Amarelas,

Pretas e esmalhadas,

Que misturam essas cores todas.

Elas nadam placidamente,

Seguem umas às outras e se roçam de vez em quando.

Vejo uma carpa amarela subir a superfície,

Abrir a boca para pegar mais ar ou capturar algum inseto.

Ela se amontou nas esquinas onde as crianças jogam ração para as peixes.

Mais pra cima,

Avisto um museu da geologia que reúne grande variedade de pedras,

Testemunho de tempos imemoriais.

Meu pensamento vai longe no tempo.

Considerando que nosso planeta se formou há quatro bilhões e meio de anos,

Quando seguramos uma pedra,

Temos em mãos algo que tem quase a mesma idade da Terra.

Sigo meu caminho e entro numa passarela de madeira cercada por um bosque de palmeirinhas.

Avisto a majestosa palmeira imperial,

Bem mais alta que as demais,

Circundada por uma costela de adão a vesti-la como um grosso casaco verde.

Atrás de mim,

Uma bananeira com frutos ainda verdes.

A ponta de sua haste exibe um grande pendão vermelho com formato de coração.

Ao flanar,

Posso observar com calma coisas que não tinha visto quando percorria apressado essas trilhas e só olhava para o chão.

Hoje,

Escuto a mensagem sem palavras,

Emitida por vegetais e animais.

Sinto no rosto o vento que me refresca e faz seu caminho entre os troncos,

Galhos,

Folhas e lhes confere movimento.

Lugar especial é o bambuzal.

Seus galhos se encostam em cima,

Formando uma magnífica catedral vegetal.

O vento move esses galhos e provoca um som como se eles murmurassem.

À noite que começa a chegar,

Uma luz dourada cria um ambiente mágico e surreal,

Como se fosse outro planeta.

Das poucas árvores e arbustos cujo nome eu conheço,

Estão bambus,

Primaveras,

Azaleias,

Figueiras,

Bananeiras,

Quaresmeiras,

Pinheiros,

Eucaliptos,

Amoreiras,

Paineiras,

Limoeiros,

Ameixeiras,

Paus-ferro,

Acácias e um raro cafeiro.

Ah,

Identifico uma curiosíssima árvore que,

Ao entardecer,

Serve de abrigo para as galinhas que se empoleram nos altos galhos.

Denomina justamente a árvore das galinhas.

Uma espécie de palmeira mágica,

Parece recém-chegada de oásis em meio às dunas do deserto da Arábia.

Uma série de trilhas respeita o mato nativo e com muitos pés de pau-brasil aqui preservados da extinção.

Olho em torno e percebo que a noite caiu e as estrelas estão chegando.

O ar está temperado e o caminho está lindamente iluminado.

Perto do fim do meu passeio,

Eu me deparo com outra catedral formada por quatro figueiras gigantes cujos galhos se juntam nas alturas.

Para admirar esse cenário natural,

Eu me sento num banco antigo de granite.

Há vários deles.

Apresentam inscrições de casas comerciais que há décadas as ofereceram ao distinto público.

Constato que sou tão antigo quanto o meu banco.

Sossegado,

Sinto o amor misterioso desse lugar e agradeço.

Eu também te amo.

Até a próxima.

Boa noite.

4.7 (359)

Avaliações Recentes

Aline

July 6, 2025

Amei🌷

Ana

April 8, 2025

Nem vi o final.

vivian

March 18, 2025

Lindíssimo!!! Obrigada!

Francyelly

November 20, 2024

Lembro que dormi logo no início da história 🙏🏻 Gratidâo!

Bernadete

June 20, 2024

🙏

Marcia

May 24, 2024

Genial! Bárbaro! Muito agradecida!

Cleci

April 25, 2024

Gratidão 🙏🏻

Luiz

December 5, 2023

Show, dormi literalmente, gratidão

marco

August 12, 2023

Grato!

Lázaro

August 3, 2023

Muito eficaz!! Tive uma noite de sono reparadora e contínua. Obrigado por tudo

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