Encontra uma postura confortável para os próximos minutos.
Não te esqueças que é sempre uma opção encostar-te a uma parede.
E se não for de todo confortável para ti estar sentado no chão,
Sente-te numa cadeira.
Conecta com o que quer que seja que te dá apoio neste momento.
Seja o chão ou a cadeira.
Sinta o contacto entre o teu corpo e aquilo que te contém.
Inspira profundamente.
E expira pela boca completamente.
Inspira profundamente.
E ao expirar começa a fechar os olhos,
Se ainda não estiveres fechado.
Vou partilhar contigo a história de um sadhu,
Um monge viajante.
Era uma vez um monge que costumava fazer um roteiro anual a uma série de aldeias.
Um dia,
Ao entrar numa das aldeias,
Viu assim uma cobra enorme.
E ele percebeu imediatamente que ela era a vilã da comunidade.
A cobra andava a aterrorizar a população da aldeia e a tornar a vida das pessoas muito difíceis.
O monge viajante aproximou-se da cobra e conversou um bocadinho com ela.
Partilhou com ela,
Acima de tudo,
Os ensinamentos de ahimsa,
Ou não-violência.
O primeiro pilar de uma prática de yoga.
Dava para ver que a cobra estava muito interessada.
Escutava atentamente esta aprendizagem que o monge lhe passava.
A cobra sentiu profundamente esta aprendizagem e o levou a consigo.
No ano seguinte,
Quando o monge voltou à aldeia,
Voltou a encontrar a cobra.
Ela parecia-lhe completamente mudada.
Esta criatura,
Outrora poderosa e magnífica,
Tinha se transformado numa cobra magra,
Magoada e cobarde.
O monge rapidamente lhe perguntou,
O que é que aconteceu para transformar tanto a tua aparência?
A cobra respondeu que tinha levado muito a sério os seus ensinamentos sobre a ahimsa,
Que reconhecia agora os seus comportamentos e que então decidiu parar de aterrorizar a aldeia.
Ele depois explicou,
Como já não aterrorizava a aldeia,
As crianças atiravam-lhe para fora.
Como já não aterrorizava a aldeia,
As crianças atiravam-lhe com pedras,
Provocavam-na,
Assustavam-na.
Ela deixou de caçar para comer e raramente conseguia sair dos seus esconderios.
O monge ficou muito desapontado.
E ao mesmo tempo que abanava a cabeça,
Disse-lhe,
Eu ensinei-te a importância da ahimsa,
Mas nunca te disse para deixares de sibilar,
Deixares de usar a tua voz.
Esta história sobre a ahimsa é contada nos Vedas,
Uma coleção enorme de ensinamentos filosóficos indianos.
Ela mostra-nos que praticar a ahimsa não significa deixar de nos proteger a nós próprios e aos outros.
Significa,
Sim,
Assumir a responsabilidade dos nossos próprios comportamentos e impedir dor ou danos potenciais que nos são causados pelos outros.
A ahimsa não significa tornarmo-nos mais pequenos,
Neutros,
Não significa escondermo-nos.
Praticar verdadeiramente a ahimsa é ficar ainda mais forte perante insultos,
De peito e coração aberto,
Com confiança,
Quando alguém nos diz que não somos capazes,
Que não somos suficientes.
Da próxima vez que alguém te fizer sentir mais pequeno do que aquilo que realmente és,
Lembra-te,
O teu valor não depende da opinião de ninguém.
Reconhece que as palavras e pensamentos de outras pessoas,
Se não forem entregues com intenções puras e de amor,
Tornam-se um problema delas,
Não o teu.
Praticar a ahimsa é agir,
Pensar,
Sentir e falar com intenções puras,
Sinceras,
De amor.
Aquilo que te convido a fazer é observar-te de que forma tu próprio praticas a ahimsa no teu dia-a-dia,
De que forma praticas com paixão,
Gentileza e te abstrais de violência,
Julgamentos e práticas em que te prejudicas a ti sobretudo.
Deixas que os outros te atirem como pedras,
Te pisem,
Te prejudiquem,
Te provoquem.
Serves primeiro os outros antes de te servires a ti mesmo.
A ahimsa é a base de qualquer prática de yoga.
É uma prática de não violência e compaixão.
Existem formas muito comuns no nosso dia-a-dia que nos fazem não praticar a ahimsa.
Fisicamente,
Por exemplo,
Com os nossos corpos,
Como somos tão violentos com o nosso corpo,
Talvez pela forma como o nutrimos.
E nós sabemos disso e sentimos isso.
Por exemplo,
Forçá-lo a assumir posturas para as quais não está preparado,
Forçá-lo a continuar quando tudo o que precisa é de descansar e parar.
Mentalmente,
A forma como falamos com os outros,
Connosco,
Sobre os outros e sobre nós próprios.
Os nossos pensamentos,
Julgamentos constantes sobre nós e sobre os outros.
Tudo isso são formas de violência.
Tudo isso são formas de violência.
E aqui temos de praticar a ahimsa,
Ser mais gentis connosco mesmos.
Como é que podes praticar mais a ahimsa em um ou vários aspectos da tua vida?
Não é fácil,
É uma prática e pode ser assustador.
Seja gentil,
Mantém-te nos teus pensamentos.
Nota quando a tua mente mergulha em pensamentos violentos.
Ahimsa,
Seja gentil,
Seja bondoso.
Ahimsa,
Vamos fazer umas respirações de limpeza juntos.
Inspira profundamente pelo nariz.
E expira pela boca.
Respiração pura.
Respiração pura.
Inspira.
Expira.
Entrega-te a este momento.
Respira.
Observe os momentos em que podes aplicar a ahimsa na tua vida.
Qualquer esforço que possas fazer para que sejas mais gentil contigo.
A prática de yoga começa aqui.
Namastê.