
PAS Podcast #56 A intensidade emocional dos lutos e mudanças
Neste episódio vou falar sobre: a intensidade emocional que muitas vezes acompanha as mudanças, perdas e lutos na vida das Pessoas Altamente Sensíveis (PAS). Como enfrentar essa intensidade com bondade, aceitação e autenticidade, destacando a importância de assumir responsabilidade e buscar soluções para os desafios que encontramos. Se já te sentiste deslocado ou questionaste a tua capacidade de lidar com a intensidade associada à alta sensibilidade, este episódio é para ti. Descobre como transformar a tua sensibilidade numa força e junta-te a esta jornada de autoaceitação e crescimento pessoal.
Transcript
Bem-vindo ao podcast do Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
Eu sou a Sophia Loureiro e sou a tua anfitriã na jornada de conhecimento deste traço de personalidade para aprenderes a criar uma vida mais alinhada com a tua alta sensibilidade,
Onde harmonia,
Corpo e mente se unem num estado natural de serenidade.
Namastê e bem-vindos ao Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
Neste episódio eu vou falar da intensidade emocional que nós podemos sentir à volta de pequenas e grandes mudanças na nossa vida,
Quais são as estratégias que nós podemos implementar para fazer face a essa intensidade emocional,
Para lidar com essa intensidade emocional e entender-nos cada vez melhor.
Eu sou a Sophia Loureiro,
Sou terapeuta natural especializada em pessoas altamente sensíveis e guio pessoas altamente sensíveis a saberem lidar com a sua alta sensibilidade e encontrar o seu lugar no mundo,
A sua paz interior,
Aprender a gerir as emoções sem entrar em stress.
Então,
Recentemente eu tive um amigo que esteve de visita aqui em casa durante cerca de três semanas e depois ele voltou para a Escócia,
Que é onde ele vive,
E o que aconteceu é que ele iria voltar passado uma semana e estar novamente aqui uma semana.
Por isso,
Quando eu fui levá-lo à estação de comboios para ele apanhar depois o avião para a Escócia,
Eu senti um grande sentimento de perda quando me despedi dele.
E quando voltei para casa comecei a sentir um grande vazio,
Como se fosse realmente um luto,
Uma perda,
Porque às vezes nós associamos que o luto só tem a ver com uma perda de entes queridos ou talvez de algum animal de estimação,
Mas o luto realmente tem a ver com qualquer tipo de perda.
Ou seja,
Nós podemos estar de luto porque perdemos um trabalho ou porque perdemos uma relação,
Ou pela perda de saúde,
Ou pela perda de dinheiro,
Ou pela perda de entes queridos.
Portanto,
O processo de luto envolve sempre uma perda e neste caso foi a perda de um amigo que esteve aqui durante uns tempos em casa,
Com o qual criámos uma série de hábitos e de entreajuda.
Era um amigo que eu conheço há cerca de 30 ou 40 anos,
Já nem sequer me lembro,
Portanto desde 1995.
E quando eu voltei para casa comecei a sentir um grande vazio.
E não é a primeira vez,
Eu por vezes,
Por exemplo,
Quando estou com grupos de amigos durante algum tempo,
Mesmo que seja só 15 dias,
Quando volto para casa sinto este sentimento vazio,
Porque vivo há muitos anos sozinha e depois a minha mente entra neste rodopio de me sentir mais isolada,
De repente e tudo isso.
Portanto,
Esta quebra de rotina e depois estes sentimentos associados de vazio é normal para as pessoas altamente sensíveis.
Portanto,
Nós sentimos o mundo profundamente,
Temos uma grande profundidade também emocional,
Uma grande intensidade emocional.
É a forma como nós percebemos o mundo à nossa volta,
Por isso a primeira coisa que eu fiz em relação a isto foi realmente dar-me espaço para sentir essa minha intensidade emocional.
Em vez de correr logo para a distração,
O que pode ser completamente normal,
Se nós estamos a sentir muito profundamente,
Muito intensamente e não estamos a aguentar essa intensidade emocional,
É normal que procuramos alguma distração.
Podemos,
Sei lá,
Ir ver um filme ou podemos ir ler um livro,
Mas eu primeiro dei-me espaço realmente para sentir este vazio que de repente senti na minha mente,
No meu corpo.
E quando começou a ficar muito intenso,
Foi quando eu pensei,
Ok,
Eu agora preciso fazer qualquer coisa que me faça sentir bem.
E comecei a pensar,
Nessa altura eu estava a trabalhar no meu workshop de inteligência emocional e mindfulness,
Que estava a preparar,
Mas decidi fazer uma pausa e fui novamente ao corpo,
Perguntei o que é que eu estava a sentir e estava realmente a começar a sentir um grande vazio existencial e pensei,
Não,
Eu agora tenho que priorizar o meu bem-estar,
Vou fazer uma pausa no trabalho e o que é que me faz sentir bem?
E imediatamente veio,
Na minha intuição,
Uma caminhada na natureza e foi o que eu fui fazer.
Essa caminhada na natureza tem cerca de 4 quilómetros,
Portanto eu levo cerca de 45 minutos,
1 hora,
Depende do ritmo a fazê-la e quando voltei para casa realmente estava muito melhor.
No dia seguinte,
Fui então fazer esse workshop de inteligência emocional e de mindfulness,
Só que quando voltei para casa novamente senti aquela grande intensidade emocional.
A minha estratégia que eu também tenho,
E isto nem todas as pessoas podem ressoar com isto,
Mas é de pedir ajuda aos meus guias,
Porque sinto que tenho guias que me ajudam.
Há pessoas que podem chamá-lo de anjos,
Há pessoas que podem chamá-lo de seres-luz,
Há pessoas que podem chamá-lo de elementos da natureza,
Há pessoas que podem chamá-lo de Deus,
Normalmente as pessoas altamente sensíveis têm realmente esta conexão com algo maior a elas,
Ou seja,
Um certo grau de espiritualidade,
E eu realmente pedi ajuda aos meus guias para que esta intensidade emocional fosse transformada em algo que me ajudasse a crescer e a mudar e a despertar,
Em vez de ser transformada em sofrimento.
E no dia seguinte,
Quando eu acordei,
Tinha uma mensagem do meu amigo,
Por favor,
Quando puderes fazer uma videochamada,
Chama-me.
E eu aí entendi o que é que eu já estava a perceber,
Intuitivamente,
É que quando nós telefonámos ele disse que não iria voltar,
Porque a viagem tinha sido muito difícil e muitas horas,
E voltar só por umas semanas e depois voltar para a Escócia não lhe fazia sentido,
E eu disse,
Olha,
Intuitivamente eu já tinha sentido isso,
Porque eu senti uma grande intensidade emocional e sentimento de perda quando nos despedimos.
Portanto,
Também é engraçado nós levarmos a nossa curiosidade a tentar entender porque é esta intensidade emocional,
E então eu entendi intuitivamente,
Eu já tinha entendido que ele nem sequer iria voltar,
Porque havia uma parte da minha mente que dizia,
Mas Sofia,
Porquê é que estás a sentir tão intensamente,
Sabes que ele vai voltar daqui a uns dias,
E no entanto havia uma parte de mim que sabia que ele não iria voltar.
Então eu percebi também uma razão dessa intensidade emocional.
Depois,
Quando nós entramos nesta jornada de crescimento pessoal,
Uma das outras coisas que eu também entendo é que todos estes adios,
Estas mudanças que eu às vezes tenho na minha vida,
Também estão associadas a sentimentos de abandono ou de rejeição que vêm da minha infância e da minha adolescência e com os quais eu tive de trabalhar.
Portanto,
Estes lutos que nós por vezes temos na nossa vida,
Estas intensidades emocionais associadas até a pequenas mudanças na nossa vida,
Podem ser grandes mudanças,
Mas até pequenas mudanças na nossa vida,
Por vezes também vão acionar este tipo de memórias que nós temos,
Por vezes a nível inconsciente.
Eu depois de me trabalhar entendi que esta intensidade emocional em relação aos adios tem a ver um bocado com isto que eu depois trabalhei,
Eventualmente na minha vida,
Que foi este sentimento de abandono e de rejeição e sempre tive aquela sensação também na infância de instabilidade,
Ou seja,
Cada vez que havia uma mudança o meu sistema nervoso acionava-se porque até ir viver em casa da minha avó aos meus 16 anos,
A verdade é que ela viveu uma vida que de 3 em 3 anos nós mudávamos de casa e nós sabemos que para a maioria das pessoas altamente sensíveis,
E neste caso uma criança altamente sensível,
Para mim eram sempre muito instáveis estas mudanças de escola,
Por exemplo,
Sempre,
Cada vez que também mudávamos de casa,
Eu lembro-me que já estava eu no liceu com 13 ou 14 ou 15 anos e no início de cada ano eu chorava que nem uma magdalena só de pensar que iria ter uma nova turma com pessoas que eu não conhecia,
De lado nenhum,
Porque como um pessoal altamente sensível,
Mas também introvertida,
Tinha dificuldade em fazer amizades,
E estabelecer novas conexões.
Portanto,
Todas estas nossas intensidades emocionais que sentimos agora no presente,
Por vezes,
Se formos a curiosidade,
Podem estar realmente também associadas a sentimentos e emoções do nosso passado que se nós não trabalharmos,
Depois temos estes grandes.
.
.
Portanto,
Vemos à memória,
Porque o nosso corpo também tem memória,
Estes sentimentos,
Por vezes,
De abandono ou de rejeição,
Ou talvez até de negligência que tenha havido na nossa infância ou na nossa adolescência.
Portanto,
Há que ter a nossa bondade,
Há que ter bondade para com os nossos estados emocionais.
Primeiro entender que como pessoa altamente sensível,
Nós sentimos realmente intensamente e profundamente um da nossa volta,
Que é normal o modo como eu o sinto,
Apesar de ter sido apenas um amigo que esteve aqui três semanas e se foi embora,
Aceitar-me como eu sou,
Isso é muito importante,
Em vez de simplesmente tentar reprimir ou ignorar ou suprimir o modo como eu o sinto,
Não,
Aceitar.
Portanto,
Isso é uma estratégia muito importante,
Aliás,
É uma estratégia que eu partilho também num episódio de podcast,
Se não me engano,
No episódio número 42,
Que é o RAIN,
Que é a minha estratégia preferida para lidar com emoções difíceis,
Portanto,
Uma prática de mindfulness,
Que é o reconhecer,
Aceitar,
Investigar e nutrir.
Portanto,
O RAIN tem sido sempre muito importante para mim para lidar com esta intensidade emocional,
Aceitar que eu sou vulnerável e depois termos também estratégias,
Então,
Para aprender a lidar com esta nossa intensidade emocional e para mim foi realmente ir ao corpo,
Ter esta bondade e gentileza de me aceitar como eu sou e aceitar a minha vulnerabilidade,
Portanto,
Sermos autênticos com quem nós somos e como nós somos,
Entender que,
No fundo,
Também aquela intensidade emocional gera a minha intuição a dizer que o meu amigo não iria voltar,
Por exemplo.
Isto tudo faz parte,
Então,
Da nossa jornada como pessoa altamente sensível,
Entender e aceitar o modo como nós somos e termos,
Então,
Estratégias para lidar com a nossa intensidade emocional,
Não negarmos quem nós somos.
Então,
Por vezes,
Depois,
O que acontece é também que isto nos pode levar à ação e implicar mudarmos coisas na nossa vida,
Porque esta intensidade emocional,
Cada vez que eu estou com pessoas durante algum tempo e depois volto para casa e convivo já há muito tempo sozinha,
Eu já há algum tempo tinha pensado,
E como trabalho desde casa,
Eu já há algum tempo tinha pensado que eu tinha outras opções na minha vida e quando eu o pedi desta vez ajuda aos meus guias,
Ajudem-me a transformar,
Portanto,
Esta intensidade emocional,
Este sentimento que estou a ter de perda,
Este luto que estou a ter em algo que me possa ajudar a crescer,
Em algo que me possa ajudar a despertar,
Em vez de ser para o sofrimento,
O que aconteceu,
Então,
Foi que no dia seguinte o meu amigo telefonou,
Tivemos essa conversa,
Ele explicou que não iria voltar e aí realmente veio-me à cabeça também que está na altura de mudares.
Tu és introvertida,
Tudo bem,
Aceito que sou introvertida,
Que não me é fácil,
Por exemplo,
Estabelecer novas amizades e isso tudo,
Mas eu sei,
E há muito tempo que eu sei,
Que eu,
Por exemplo,
Tinha a opção de agarrar o meu computador e ir trabalhar umas horas por dia aqui na biblioteca local,
Que até é bastante perto dentro de mim,
Mas como é evidente a nossa mente,
Também de toda a gente,
É preguiçosa e oferece uma grande resistência mental à mudança.
E eu desta vez pensei,
Não,
Isto é o que tu vais fazer.
É o que tu vais fazer porque também assim tens mais conexão durante o dia,
Portanto,
O que é que este sentimento também me estava a querer dizer depois em que eu me estava a sentir isolada e isso tudo e para não entrar em pressão,
Então nós vemos estas emoções,
Estava-me a querer dizer que eu posso atuar e que eu posso mudar e que há coisas na minha vida que eu sequer,
Que sejam diferentes,
Que eu tenho que atuar.
Então o que aconteceu é que no dia seguinte agarrei na minha mochilinha e no meu computador e fui para a biblioteca trabalhar e lá vi pessoas que já não via há algum tempo falei com elas,
Foi ótimo.
Lembrei-me que no dia em que era para ir buscar o meu amigo ao aeroporto,
Como ele não vinha,
Havia um evento de que me tinham falado aqui perto de teatro que eu tinha imediatamente cancelado porque era muito tarde e porque eu tinha que ir buscar o meu amigo e pensei logo,
Não,
Eu vou a este evento e de repente a minha mente mudou.
Porque às vezes é o que nós temos que fazer,
É apenas começar,
Em vez de.
.
.
Dei-me a oportunidade,
O tempo,
O espaço de sentir as minhas emoções,
Sentir as minhas emoções no corpo,
De priorizar o meu bem-estar,
De fazer coisas que eram boas para mim,
Fui fazer caminhadas,
Fiz a prática de Reindell,
Reconhecer,
Aceitar,
Investigar e nutrir,
Mas depois também encontrar soluções.
E a solução para mim é,
Novamente,
Sendo muito advertida,
Trabalhando em casa,
Vivendo sozinha,
Não isolar-me demasiado.
E eu sabia que já há algum tempo que eu tinha esta solução,
Agarrar no computador e ir trabalhar umas horas por dia na biblioteca,
Em que eu vejo pessoas e em que eu posso conectar.
Pois,
Entretanto,
Eu até me lembrei que um amigo,
Já há não sei quanto tempo,
Me tinha convidado,
Porque ele tinha aberto um pequeno negócio em que vende produtos tradicionais aqui e locais da zona,
E que ele disse,
Sofia,
Tens que aparecer por lá.
A minha lojinha está aberta das quatro às dez.
E eu já pensei também,
Sofia,
Para a próxima vez que fores fazer uma caminhada,
Vais fazer uma caminhada e depois vais ter com esse teu amigo e estás lá meia horita nem que seja.
Portanto,
De repente,
O meu cérebro,
Assim em cascata,
Começou a encontrar soluções e eu precisava deste empurrão.
Portanto,
As coisas na nossa vida,
Cada vez mais,
Sendo que elas estão cá,
Estes desafios,
Estão cá para nós também aprendermos a lidar com eles e criar novas estruturas e criar mudança na nossa vida.
Portanto,
Para mim foi isso.
Foi uma coisa que eu me levei a bondade e oportunidade de como é que eu me sentia e o que é que eu estava a sentir e,
Ao mesmo tempo,
Depois de encontrar novas soluções,
Modos de conectar-me com o mundo à minha volta.
E tudo isto aconteceu porque eu dei-me espaço para sentir.
Estava a preparar o meu workshop de inteligência emocional e mindfulness e dei-me espaço para parar,
Fazer uma pausa e fazer uma caminhada porque eu me sentia bem,
Porque priorizei o meu bem-estar.
Aceitei que eu sinta este intensidade emocional,
Não entrei nas histórias da minha mente,
Se viés mesmo estúpida,
Só porque o teu amigo está a sair embora,
Estás a entrar num processo como se fosse luto.
Eu entendo que é um luto,
Porque eu o sinto assim.
E depois também de encontrar novas soluções para a minha vida,
Porque senão estava sempre uma parte da minha mente no modo vítima.
És introvertida,
Vives sozinha,
Trabalhas em casa,
Podes conectar e não sei o quê.
E,
No entanto,
Assumindo depois a responsabilidade do meu estado emocional,
Comecei a encontrar soluções.
Portanto,
A nossa mente também depois pode passar para o modo de encontrar soluções.
Como é que eu posso mudar isto?
Como é que eu posso ser bondosa comigo?
Como é que eu posso conectar mais com pessoas para não sentir tanto este sentimento profundo de perda cada vez que alguém vem,
Eu conecto e depois ela vai-se embora.
Portanto,
Crescer com as nossas emoções,
Com a nossa vulnerabilidade,
Sendo autênticos e sinceros,
Aceitando como nós somos.
Isto acho que é muito interessante e faz parte da nossa jornada de alta sensibilidade.
