Sejam bem-vindos à Meditação do Lago.
Para esta meditação talvez possa ser útil adotar uma posição deitada ou então reclinada.
Fechar os olhos,
Se for confortável.
E começando por prestar atenção às sensações de contato neste momento com a sua posição.
Talvez percebendo,
Notando onde o corpo está,
A distribuição do peso do corpo,
No chão,
Na cama ou no colchão.
E notando no seu corpo a presença dos pés,
Das pernas,
Coxas,
Ancas,
Quadril.
A parte inferior,
Mas também a parte superior do corpo.
Braços,
Ombros,
Cabeça.
O corpo aqui presente.
Talvez desperto.
Um corpo que possa espelhar aqui a intenção de poder cultivar ou cuidar de mim.
Ou estar aqui agora,
A cada momento.
E quando se sentir então preparado,
Trazendo a respiração.
Notando aqui as sensações físicas da respiração.
Talvez sentindo cada respiração,
À medida que ela entra e que sai do corpo.
Deixá-la ser o que ela é.
Sem tentar aqui alterá-la,
Roulá-la de alguma maneira.
Mas ao invés,
Permitindo que ela flua facilmente.
Naturalmente ao seu ritmo.
Apenas notando o facto que está a respirar.
Sem lugar algum a onde ir,
A não ser estar aqui.
E agora?
Talvez uma sensação de estar completo,
De estar aqui.
Apenas deixando a respiração a ser aquilo que ela é.
A sua respiração.
E à medida,
Neste momento,
Que o aqui e agora se encontre cultivado.
Talvez permitir que à sua mente chegue uma imagem.
Talvez formar esta imagem na sua mente,
A imagem de um lago.
Um corpo de água grande ou pequeno.
Mantido numa bacia,
Suportada pela própria terra.
Observando que a água procura também aqui o seu próprio nível.
É mantida,
Contida.
E deixando esta imagem gradualmente tornar-se cada vez mais o foco da sua atenção.
Mesmo que não venha como uma imagem.
Permitir aqui que este lago possa ser sentido,
Possa ser notado.
A sua presença.
E este lago que está a invocar pode ser profundo ou raso.
Azul ou verde.
Lamacento ou cristalino.
Pode não haver nenhum vento.
A superfície ser plana.
Como um espelho refletor.
Que refletar dos rochas,
Céus,
Nuvens.
Surando em si a cada momento.
Tudo.
Ou o vento pode vir e agitar a superfície do lago.
Fazendo com que estas reflexões se distorçam.
Ou desapareçam até.
Talvez possa ser notado,
Ser visualizado a presença da luz do sol.
As ondulações do lago.
Uma dança de luz entre a luz do sol e do lago.
À medida que a noite chega.
É desde a lua vir para dançar no lago.
E ser refletida nele.
Com o esboço das árvores e das sombras.
No inverno este lago pode até congelar.
Mas ser na mesma.
Repleto de movimento e de vida por baixo da sua superfície.
À medida que traz esta imagem,
Esta sensação do lago.
Talvez possa dar algumas respirações.
Que acompanhem este exercício.
Que entra e que sai do corpo.
Permita-se também a si mesmo.
Quando se sentir pronto.
A trazer este lago.
Incorporando-o.
Sendo o lago.
Tornando-se apenas um com ele.
E todo o seu ser.
Aqui presente.
Possa também ele ser mantido.
Em compaixão.
Da mesma forma que as águas do lago são receptivas.
E acolhidas pela própria terra.
E respirando como o lago.
Sentindo o lago.
Como se fosse o seu próprio corpo.
Permitindo que a mente e o coração.
Estejam abertos e receptivos momento a momento.
A refletir o que quer que chegue perto.
Ou o que quer que chegue à sua superfície.
E experimentando momentos de completa quietude.
Quando tanto o reflexo como a água.
Possam estar completamente claros.
Cristalinos.
Os momentos em que a superfície é perturbada.
E agitada.
Talvez em momentos em que esta superfície.
Possa estar mais agitada.
Os pensamentos e emoções.
Possam ser fugazes.
Impulsos.
Reações que vêm e que vão.
Como ondulações.
Também aqui o corpo.
Em contacto constante.
Com todas estas mudanças.
Que ocorrem ao longo.
De cada momento.
Mudanças que ocorrem também no lago.
O vento.
As ondas.
A luz.
As sombras e os reflexos.
As cores.
Os cheiros.
Percebendo aqui também o efeito.
Dos seus pensamentos e emoções.
No seu lago.
Eles perturbam a superfície.
E a clareza do lago.
Talvez possam tornar estas águas.
Mais lamacentas.
Mas mesmo com ondulação.
Ou água enlameada.
Podemos ser um lago.
E aqui identificar-se.
Não só com a superfície do lago.
Mas com todo o corpo da água.
De forma a que se possa.
Tornar aqui a tudo.
Que se encontra abaixo.
Da superfície.
Na maioria dos lagos.
Apenas tem ondulações mais suaves.
Mesmo quando a superfície.
Está agitada.
E dando talvez uma respiração bem profunda.
À medida que a observamos.
Também aqui.
Não só a superfície agitada.
Mas a profundeza.
Do nosso lago.
Da mesma maneira que na prática.
Meditação.
No dia-a-dia.
Pode estar em contato não apenas.
Com o conteúdo e intensidade mutável.
Pensamentos e emoções.
Mas também.
Com o vasto reservatório.
Que reside abaixo da superfície.
Da sua mente.
O lago pode ensinar isso.
Lembrarmo-nos.
Do lago dentro.
De nós mesmos.
Continuando a respirar.
Com o seu próprio lago.
Momento a momento.
Se achar esta metáfora.
De valor.
Talvez.
Posso usá-la de vez em quando.
Para aprofundar e enriquecer a prática da meditação.
Talvez convidando até esta imagem do lago.
Para capacitá-lo.
E orientar em.
Todas algumas ações.
Desafios.
Que vai encontrando-se.
Desenrolar de cada dia.
De cada momento.
Mas sempre carregando este vasto reservatório.
De atenção plena.
Dentro de si.
Que é tudo.
De cada momento.
E continuando a cultivar esta presença.
Até ser sinalizado pelo som dos sinos.
Talvez ser o lago em silêncio.
Nos próximos momentos.
Mantendo aqui a intenção.
A aceitação também.
As qualidades da mente.
Do corpo.
Tal como o lago se mantém embalado.
Contido pela terra.
Refletindo sol,
Lua,
Estrelas.
Árvores,
Nuvens,
Céu.
Movimento.
Pássaros,
A luz.
O lago que é acariciado.
Pelo ar e pelo vento.
Destaca o seu brilho.
A sua vitalidade.
O seu potencial.
Momento a momento.
Assim,
Nestes próximos momentos.
Que permanecem.
Antes dos sinos tocarem.
Continuar a sustentar esta prática do lago.
Por conta própria.
Em silêncio.
Momento a momento.
Com as suas próprias tempestades.
Mas também com os seus próprios momentos de paz.