
Meditação: Não Reação
Nesta prática reconhecemos e observamos o intervalo que sempre existe entre uma situação e a nossa resposta a essa situação. Promovemos espaço na nossa vida para ações mais conscientes e menos reativas. Desfruta plenamente.
Transcript
Olá,
Muito bem-vinda e muito bem-vindo a esta prática de meditação da não-reação,
Da não-reatividade,
Mas sim,
De uma resposta de alta qualidade,
De uma ação consciente.
Adota uma postura que seja confortável para ti e simultaneamente estável e firme.
Sentado numa cadeira,
Na almofada ou mesmo deitado,
Nota como as costas são como um colar de pérolas,
Frágil mas estável e tal como tu,
És delicado mas firme.
Mais do que seguir as instruções são as instrumentos e as orientações que ficam para a experiência de vida,
A cada dia,
A cada momento.
Relembra a intenção durante toda a prática de estares aqui,
Dedicado e entregue à prática que é para sustentar uma vida mais consciente,
Centrada,
Presente.
Vamos então seguir juntos esta prática até o seu final e,
Se possível,
Utiliza-a aos coletadores para uma experiência mais plena.
Vai sentindo a tua respiração como sinal do ritmo da vida,
Que é sempre dinâmico,
Constante,
Que tem uma vida própria e que permite que a própria vida aconteça e se manifeste.
Sente o ar no teu corpo,
Nas narinas,
No peito,
No abdômen,
Em cada inspiração essa expansão a acontecer,
Em cada inspiração o ar a sair e a vida a acontecer em cada respiração.
Esta ligação do ar que nos envolve,
Que entra em nós,
Que nos liga e nutre ao nosso corpo,
Que permite que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se transforme,
Que ele se Na respiração,
Vai-te ligando cada vez mais ao corpo,
Nas narinas,
No peito,
No abdômen e também no contacto do corpo com o próprio apoio,
Na cadeira,
No chão,
Contacto dos pés com o chão,
Contacto das mãos,
Na cadeira,
Das costas,
O contacto na almofada.
Sente,
Sente esta estabilidade,
Esta segurança,
Este conforto de estar aqui,
De estarmos juntos em comunhão.
Neste momento não temos nenhum para onde ir,
Nem nada para fazer.
Vamos desfrutar desta plenitude,
De poder estar aqui,
Enraizados,
Serenos,
Juntos,
Se a mente vai guiar,
Passear,
Se distrair a qualquer momento durante a prática,
Algo que a mente adora,
Apenas retomamos a atenção para a prática em si,
Para a nossa respiração,
Para o corpo e o contacto com o solo,
Sem julgamento perante a nossa mente,
Que tem tanta perspectiva,
Sem sentimento de culpa ou qualquer frustração,
Apenas retomamos a atenção e regressamos ao momento presente,
Ao contacto com a nossa respiração,
Com o nosso corpo e com o nosso contacto com o solo.
Se em algum momento sentires comichão,
Alguma sensação que queiras tocar,
Conta até três,
Ou inspira fundo,
Ou respira três vezes,
Antes sequer de levares a mão para te coçar,
Resiste à meditação,
De reagir de forma imediata e automática.
Esta observação que a meditação nos dá,
Desenvolve este espaço entre algo,
Entre um estímulo,
Entre uma situação e a nossa própria reação.
Então vamos a este espaço,
Através da respiração,
Através do nosso centro,
Através do contacto com o corpo,
Contacto com o solo,
Tal como a comichão veio,
Eu observo que ela veio,
Eu observo ela acontecer e sem reação,
Sem julgamento,
Naturalmente tal como ela veio,
Tal como ela vai,
Ainda assim se o tiveres que fazer,
Foca a tua atenção totalmente na tua mão e no teu braço,
Que se movem com toda a presença até o local onde queres coçar e depois regressa com toda a atenção pelo teu braço e pela tua mão,
Novamente a pousar a mão onde estava.
O mais natural é que a comichão,
Tal como um pensamento,
Vem e vai,
Tal como o vento,
Que vem e vai,
Não sabe de onde é que veio,
Não sabe onde é que vai,
Apenas observamos este movimento dos pensamentos,
Os movimentos das sensações a acontecer.
Se em algum momento tiveres algum desconforto físico,
Começa a surgir uma sensação,
Resiste à reação automática de querer logo procurar uma posição diferente que possa ser mais confortável,
Observa essa sensação de desconforto a surgir,
Observa,
Respira perante essa sensação,
Como se a tivesse a colher,
Aceita,
Abraça a sensação e integra a sensação e aos poucos vais percebendo como é que ela se vai transformando e muito provavelmente ela poderá dissipar-se.
Então promove um estado de não-reação automática,
De não-reação instintiva,
Observa o que acontece,
Toma consciência disso e se for necessário tomar alguma ação que seja de qualidade,
Então focas a tua atenção no teu corpo,
Se precisares fazer algum movimento,
Mas resiste,
Resiste enquanto podes observando e age se for mesmo necessário,
Com toda a tua presença,
Com todo o teu ser nesse movimento,
Sem eslogamento,
Porque está tudo bem,
Está sempre tudo bem,
As sensações surgem,
É a manifestação da vida,
As sensações acontecem,
É a dinâmica natural do movimento interno,
Da impermanência,
Está sempre tudo bem,
Com esta observação,
Com esta aceitação Se a algum momento surgir uma sensação de tosse iminente,
Observa a tosse a querer manifestar-se,
Observa e resista à tentação de desistir de imediato,
De reagir,
Observa a sensação da tosse a querer surgir,
Observa o máximo possível e muito naturalmente ela poderá desvanecer,
A sensação que surge e a sensação que desaparece,
E se a vontade de sair se mantiver,
Então falo com toda a tua atenção,
Com todo o teu ser promovendo uma resposta de alta qualidade,
Uma ação total e plena,
E se em algum momento a tua mente trouxer pensamentos de aborrecimento pela prática em si,
De tédio por estares aqui sentado sem fazer nada,
Observa esses pensamentos a surgir,
Sorri e abraça esses pensamentos que a mente te transmite,
E o mais provável é que,
Com o aumentar da capacidade da observação,
Os pensamentos tal como vêm,
Tal como vão e então sorris perante a continuidade da prática,
Porque relembras a intenção que tens em estar aqui até a final da prática,
Em estar totalmente entregue a esta experiência,
E as desculpas que a mente traz à superfície para que tu interrompas a prática,
Tu escutas esses pensamentos a surgir,
Tu observas essas vozes internas da mente a protestar e não reage,
Não cedes à tentação,
Não cedes ao desconforto,
Inspiras,
Expiras,
Conectas-te à respiração,
Conectas-te ao corpo e ao solo,
E regressas sempre e em cada momento à prática,
Ao momento presente,
E esses pensamentos de desconforto,
De resistência da própria mente perante a prática,
De simplesmente estares aqui,
De simplesmente te entregares a algo sem estímulo,
Tu reconheces a mente a contestar,
A querer algo para fazer,
A querer um estímulo,
A querer uma novidade,
Observas mas não reages,
A prática é uma viagem para si,
É um estímulo próprio,
De estar aqui a vivenciar a única coisa que nos pertence,
Que é o momento presente,
E se houver algum barulho exterior que possa estar a perturbar a prática,
Observas,
Aceitas e integras,
Sem julgamento,
Está tudo bem,
Estamos a viver e a vida acontece numa relação com o que nos rodeia,
Então integramos qualquer som sem julgamento,
Sem frustração,
Sem perturbação,
Temos sempre a respiração para nos conectarmos ao momento presente,
Temos sempre a vida a acontecer em nós,
No nosso corpo e no nosso contacto com o solo,
Voltamos sempre à atenção da nossa mente ao momento presente,
Percebendo que qualquer situação nos provoca reações e que nós vamos,
Com estas práticas,
Ter a capacidade cada vez mais de observar essa situação e de tomar decisões mais plenas,
Mais conscientes e perante alguém que tenha uma atitude ou que dirija umas palavras que nos provoquem reações,
Nós vamos,
Com estas práticas,
Adquirir esta capacidade de observação e de não reagir de forma instintiva,
Mas sim de forma genuína,
Natural e consciente,
Porque temos sempre a respiração,
O nosso corpo,
O contacto com o solo,
Que nos trazem ao momento presente,
Que nos trazem à consciência do que é agora,
Tal como é e neste ato,
Entre um acontecimento e a nossa reação,
Nós encontramos espaço para uma resposta de maior qualidade interna,
De maior contágio,
De amor e de compreensão.
Com esta prática percebemos que as nossas ações são ações verdadeiras e não automáticas,
Nem defensivas,
Com esta consciência da não reação,
Abrindo espaço e um intervalo entre uma situação e a nossa resposta,
Sorrimos e abraçamos toda e qualquer situação,
As sensações do corpo,
A vida a manifestar-se em nós e dão-nos informações válidas e relevantes,
Mas não nos deixamos dominar pelas sensações,
Os pensamentos da mente são férteis e importantes,
É nossa expansão a acontecer e nós permitimos essa abertura,
Mas não nos deixamos dominar pelos próprios pensamentos,
O contexto onde vivemos provoca-nos,
Dá-nos estímulos,
Desafia-nos,
Nós observamos,
Enquadramos-nos,
Mas não nos deixamos dominar pelo contexto onde estamos inseridos,
Promovemos respostas verdadeiras,
Conscientes e unificadoras,
Com esta prática da não reação a chegar ao seu término,
Relembramos a intenção e a garantia de que temos sempre o momento presente ao nosso alcance e que o momento presente nos garante e proporciona a plenitude do nosso ser,
A segurança de podermos ser quem realmente somos,
De podermos estar na vida tal como ela é a acontecer a cada momento e que as nossas ações,
Respostas,
Reações são cada vez mais férteis e vivas,
Tal como a vida acontece no momento presente,
Em instante,
Em instante,
Podemos efetuar uma ou duas inspirações mais profundas,
Integrando com essa entrada de ar mais forte toda a prática em si e levando esta intenção e manifestação de não reação e de respostas plenas e conscientes para o nosso dia-a-dia,
Vamos dar continuidade à prática,
Porque a vida acontece a cada momento,
Então levamos connosco esta intenção,
Esta integração da prática,
Da não reação,
Para o momento seguinte,
Para o momento seguinte,
Momento a momento,
A capacidade de observação de tudo o que está a acontecer em nós e à nossa volta,
Abre-nos espaço para ações,
Comportamentos e pensamentos mais bondosos,
Mais conscientes,
Mais expansivos,
Vai sentindo agora o corpo a querer mexer-se,
As mãos,
Os pés e de forma totalmente presente vai despreguiçando ou esticando,
Alongando o pescoço ou as costas ao teu ritmo,
Completamente presente em cada movimento,
Em cada inspiração,
Em cada inspiração,
O movimento da face,
Os músculos,
No sorriso,
A abertura dos olhos,
Os movimentos dos dedos e das mãos e dos pés e levamos connosco tudo o que integramos nesta prática,
Muito obrigado por participarmos juntos,
Um abraço.
4.8 (13)
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Juliana
February 9, 2026
Uma meditação que me trouxe muita calma, e silenciou o ruído que havia em meu coração. Obrigada 🙏🏻🌷
joseman
September 17, 2022
Belíssima prática. Liguei rapidamente com essas excelentes orientações. 🙏🏽💕🍀
